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Quem interessa?

Que o poder econômico tem uma forte e imprescindível presença no processo eleitoral do Espírito Santo não é novidade para ninguém. Que ele tem preferência por Paulo Hartung (PMDB) também não é surpresa. O que cria curiosidade é saber como o mercado vai se articular para garantir que as jogadas do tabuleiro eleitoral sejam favoráveis aos seus interesses.
 
O evento promovido pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades) para discutir a conjuntura nacional e local deixa transparecer a preferência pelo grupo do governador. E não é para menos, o setor é beneficiado pelos incentivos fiscais do governo do Estado, que garantem que as empresas atacadistas recolham apenas 1% dos 12% do tributo devido nas operações interestaduais. 
 
A coisa ficou melhor ainda quando o governo, com a ajuda da Assembleia Legislativa, burlou a Constituição Estadual retirando um artigo que determinava a publicidade dessas renúncias fiscais. Agora a população sequer tem o direito de saber quanto deixa de entrar nos cofres públicos por causa do agrado ao setor amigo. 
 
Mesmo com todo o discurso da austeridade, o governador Paulo Hartung nunca obrigou empresariado a contribuir com esse “freio de arrumação para recolocar o Estado nos trilhos”. Até o fim do mandato de Hartung o Estado deve abrir mão de R$ 4,3 bilhões na arrecadação de ICMS. O principal setor beneficiado é o atacadista, cuja renúncia fiscal deve bater a marca de R$ 3,2 bilhões ao longo dos quatro anos de gestão.
 
Evidentemente que o seu antecessor, Renato Casagrande, comprometido a fazer um governo de continuidade, também manteve o mesmo esquema. Sob a justificativa que o incentivo é o principal atrativo para manter as empresas no Estado, garantindo a geração de emprego – o que não passa de uma chantagem para justificar a renúncia –, o Estado deixa de recolher recursos que poderiam ajudar a encher o cofre mais rápido. 
 
Por isso, quando se olha o quadro eleitoral de 2018, é importante saber quem vai garantir, não aos eleitores, mas ao mercado, que tudo continuará como está. Independentemente da crise, é preciso que a classe empresarial mantenha suas conquistas asseguradas. Até aqui, Hartung manteve a palavra, mesmo quando estava fora do governo. E quem mais poderia dar essa garantia?
 
Fragmentos:
 
1 – Dias atrás ao ser procurado pelo jornal A Gazeta para comentar a desistência de Luciano Huck da corrida presidencial, o presidente do PPS, Roberto Freire, também comentou a possibilidade de ter Hartung como vice em um projeto nacional ao lado do PPS.
 
2 – “Não conversamos nada sobre isso. Até onde eu sei Hartung está no PMDB, que é o partido do presidente Michel Temer, ou seja, não tem nada a ver conosco”, disse entredentes o presidente nacional do partido.
 
3 – Freire e Hartung não se bicam desde que o governador deixou o PPS em 2001. O fato de terem participado de um jantar, compartilhando a mesma mesa, já é um avanço, mas daí a empreenderem um projeto político são outros quinhentos.

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