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Sábado, 10 Abril 2021

Quilombolas querem representação nas câmaras municipais

domingas_dealdina_arilson_ventura_montagem_leonardo_sa Montagem/ Leonardo Sá

Se o momento político e social é difícil para a maioria dos brasileiros, nas comunidades tradicionais, entre elas as quilombolas, o impacto das crises costuma ser ainda maior. Neste ano, diante do panorama político e eleitoral, ao menos oito quilombolas lançaram candidatura para o cargo de vereador em municípios de norte a sul do Espírito Santo.

Domingas Dealdina, candidata a vereadora em São Mateus

Uma delas é Domingas Dealdina, da comunidade de Angelim 3, em São Mateus, que junto com Conceição da Barra compõe a região chamada de Sapê do Norte, onde se reúne a maior concentração de comunidades e população quilombola no território capixaba.

Tendo a experiência de ter sido secretária municipal de Turismo, Cultura e Esportes na atual gestão de Daniel Santana (PSDB), o Daniel da Açaí, a quem apoia para reeleição, ela se candidata pela primeira vez a vereadora pelo Cidadania, querendo levar representatividade para a Câmara Municipal.

"As comunidades quilombolas vêm ajudando outros candidatos que só procuram a gente nesta época de eleição e não defendem nossa causa. Por isso é importante ter nosso próprio nome lançado", afirma Domingas, que quer um mandato para representar não só quilombolas, mas também as pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQIA+, juventude periférica e outros movimentos do campo e da cidade.

Em seu entendimento, o movimento quilombola esteve muito atuante na esfera federal nos últimos tempos, porém agora é um momento em que se faz importante uma aproximação a nível municipal e estadual. "Precisamos dialogar em questões como saúde e educação, estar mais próximo do nosso poder executivo e legislativo, para poder garantir o mínimo de direito para nossa população", diz, entendendo que a atual política do governo federal é de "negação de todos os direitos".

Arilson Ventura, candidato em Cachoeiro de Itapemirim

Quem também conhece de perto essa situação é Arilson Ventura, da comunidade de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, que é um dos coordenadores nacionais da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Ele já se candidatou a vereador do município em 2004 e a deputado federal em 2014, e resolveu este ano novamente ser candidato ao legislativo municipal, pelo PSC, partido que ajudou a fundar no município. Apesar da sigla, ele se coloca no campo da centro-esquerda, assim com Domingas.

Arilson aponta o descaso e negligência das autoridades com as comunidades quilombolas e aponta em sua plataforma a proposta de ter gabinetes itinerantes pelas comunidades e bairros, criação de um comitê participativo do mandato e de um conselho de desenvolvimento dos distritos de Cachoeiro.

Entre as principais demandas, apresenta a necessidade de garantir sinal de telefone, internet e televisão nas comunidades, para que possam ter acesso à comunicação e informação, a geração de trabalho, emprego e renda, a defesa dos direitos da população negra e o combate ao racismo. E ainda a necessidade de melhorias nas estruturas de saúde e educação e a pavimentação para acesso às comunidades. "Os candidatos que nossas comunidades têm apoiado, até o presente momento, aparecem em momento de eleição mas durante o mandato, quando precisamos de representação, não tem", afirma, corroborando a afirmação de Domingas.

Ambos concordam que a pauta de combate ao racismo é importante para os municípios em que residem. "Tem outros candidatos negros e negras em São Mateus que também podem ter esse compromisso, mas nessa reta final, as comunidades têm que estar atentas, porque os próximos quatro anos não vão ser fáceis. Se eu for eleita as comunidades estarão comigo, além das outras lutas que apoio", diz Domingas, nascida num dos municípios mais importantes para a história dos negros no Espírito Santo.

Arilson destaca que em Cachoeiro, onde quase metade da população é negra, apenas um dos 17 vereadores é negro. Mas para chegar lá, ele sabe que precisa ir além de sua comunidade, que tem apenas cerca de 400 eleitores. Por isso aposta também nas outras duas comunidades quilombolas do município, outras zonas rurais com demandas parecidas, e também votos na cidade, já que fez parte de conselhos de direitos humanos e igualdade racial.

Também em Cachoeiro, outro candidato a vereador é o agricultor da comunidade quilombola Vargem Alegre, Luiz José Caitano, o Zico (PV). Ainda ao sul do Estado, também concorre a quilombola Professora Efigênia (PSD), em Presidente Kennedy, e Wallace da Saúde (Cidadania), em Santa Leopoldina, região serrana.

Ao norte, junto com Domingas Dealdina, disputa em São Mateus Aurélia do Beiju, pelo Solidariedade. Em Conceição da Barra, dois candidatos saem pelo PT: Altiane Blandino, o Pipi do Paraíso, e o músico Gildo Fontoura.

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Comentários: 1

Elc Ros em Domingo, 08 Novembro 2020 15:54

Direito estabelecido por lei e devem participar do processo eleitoral, mas para terem representatividade nas câmaras municipais precisam serem eleitos em 15 de novembro.

Direito estabelecido por lei e devem participar do processo eleitoral, mas para terem representatividade nas câmaras municipais precisam serem eleitos em 15 de novembro.
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