A movimentação do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) para emplacar um quarto mandato à frente da Assembleia Legislativa parece estar fazendo água. Nessa terça-feira (11), mais uma vez, não houve quórum para votar o segundo turno da Proposta de Emenda Constitucional n.o 04/2016, do deputado Luiz Durão e outros, que altera o § 5º do artigo 58 da Constituição do Estado, dispondo sobre eleição de membros da Mesa Diretora da Casa. A PEC da Releeição, como é chamada, permite que o atual presidente dispute o cargo pela quarta vez consecutiva.
A votação em primeiro turno aconteceu no dia 30 de agosto, com ajuda até do líder do governo, Gildevan Fernandes (PMDB). ?? ocasião, Gildevan manobrou a derrubada da sessão ordinária, para a convocação da extraordinária para votar a PEC. A votação aconteceu no mesmo dia em que foi protocolada da na Casa um pedido de impeachment do governador Paulo Hartung feito por entidades sindicais.
O pedido de impeachment foi imediatamente arquivado pelo presidente. Nos bastidores, restou evidente que Ferraço havia feito um acordo: o arquivamento do pedido de impeachment em troca da aprovação da PEC. Entretanto, depois de engavetada a denúncia contra o governador, a PEC emperrou.
Os movimentos para esvaziar o plenário, não permitindo o quórum qualificado necessário para as votações de emendas constitucionais, não foi mais alcançado. Nos corredores da Casa há muitas dúvidas sobre a disposição do Palácio Anchieta em negociar com o deputado.
Por outro lado, os deputados também não conseguem visualizar um nome em condições de substituir Ferraço na presidência. O problema é que o deputado saiu desgastado do processo eleitoral, com perdas sofridas em Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim e Marataízes, municípios em que apoiou candidatos. Ao sair da eleição menos do que entrou, Ferraço reduziu também sua capacidade de negociação com o governador.

