Ao mesmo tempo em que promove o “Escola Viva” como solução para a melhoria da educação no Espírito Santo, adotando um modelo de escola em tempo integral que já é questionado em outros estados, o governo vem promovendo uma série de ações nas unidades regulares que têm trazido muita preocupação à comunidade escolar, sobretudo no interior do Estado.
Com a desculpa de que está otimizando o serviço oferecido pelas escolas do Estado e fortalecendo a política de cortes em período de economias, as medidas estão sendo adotadas sem que seja respeitado o interesse dos estudantes, pais e professores.
A principal vítima desse sistema de cortes tem sido o ensino noturno e os mais prejudicados os estudantes do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Os alunos do período noturno, geralmente, são alunos que trabalham durante todo o dia.
Outro grande problema da ação do governo é o redirecionamento de turmas do ensino fundamental, que foram sepradas do ensino médio, por turno ou por escola. Isso tem causados muitos problemas nas famílias, já que em muitos casos, os filhos estudam no mesmo local e os irmãos mais velhos é que levam os mais novos para a escola.
Essa “reorganização” tem começado pelo interior. A estratégia do governo do Estado é fazer a mudança silenciosamente. Isso porque a situação é bem parecida com a que vem causando um grande desgaste político para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). No estado paulista há mais de 150 escolas ocupadas. Alckmin também usou o discurso da “reorganização” para justificar o fechamento das turmas. Mas por trás desse discurso, os alunos que participam do protesto alegam que o governo quer fechar turmas para cortar gastos.
No Estado, as modificações estão sendo feitas de forma bem silenciosa. O governador Paulo Hartung adotou a educação como sua principal bandeira de campanha, mas para os observadores a missão imposta ao secretário Haroldo Rocha é o de enxugamento do ensino médio para entregar a gestão do setor à iniciativa privada, como aconteceu com o projeto Escola Viva, que é gestado por uma organização social, o Instituto de Corresponsabilidade Educacional (ICE), em parceria com a ONG empresarial Espírito Santo em Ação.

