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Reta final da eleição do Crea marcada por tensões e denúncias no Estado

Num clima marcado por tensões e denúncias contra a atual gestão por usar a máquina administrativa em favor do seu candidato, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea/ES) realiza na próxima sexta-feira (15), eleições para renovação da sua diretoria. Em toda a sua história, a entidade nunca teve tantos candidatos à presidência e campanha eleitoral tão intensa: são três engenheiros civis, dois engenheiros mecânicos e dois engenheiros agrônomos, que buscam os votos de 45.700 eleitores. 
 
Tradicionalmente, a participação dos filiados não ultrapassa os 8% desse colégio eleitoral, mas espera-se que, com a mobilização dos candidatos na atual campanha, esse percentual chegue a mais de 10%.
 
Quase todos os candidatos fazem oposição ao presidente do Crea, Helder Carnielli. A principal denúncia até agora teria a ver com a licença do cargo que o próprio Carnielli se concedeu, para fazer campanha antes do prazo legal em benefício do engenheiro agrônomo Geraldo Ferregueti. Isso levou à cassação de sua candidatura pela Comissão Regional Eleitoral, confirmada depois por unanimidade pela Comissão Federal. Ferregueti, porém, conseguiu uma liminar parcial para continuar no processo eleitoral.
 
Nas últimas horas, denúncia mais grave atingiu Carnielli e, como circula nos bastidores, pode colocar o Crea sob intervenção do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. Atos oficiais revelam uma espécie de nepotismo cruzado em que a filha de Carnielli, Sathya Ananda Braguinia, foi contratada para prestar serviços ao Consórcio Prosul-Appe, dentro de um contrato assinado com o Departamento de Estrada de Rodagem (DER-ES).
 
O objeto do contrato é o gerenciamento e apoio técnico, pelo Consórcio, ao plano de investimentos do DER em obras rodoviárias, conforme documento assinado pelo seu então diretor-geral, Ênio Bergoli.  
 
Sathya foi admitida no dia primeiro de dezembro de 2016, com o salário base de R$ 7.480,00. Uma semana depois, a filha de Bergoli, Marianna de Araújo Costa, tornou-se assistente jurídica do Crea, com salário de quase R$ 5.000,00 (inclusos os benefícios). 
 
As motivações para essa “operação familiar” são relacionadas no mercado político à campanha eleitoral de 2018, quando Bergoli sairia candidato a deputado estadual com apoio do Crea, caso Carnielli faça seu sucessor. Bergoli migrou há poucos meses para o PSDB. 
 
Há seis anos à frente do Crea através de dois mandatos sucessivos, Carnielli coleciona não só insatisfações como também há muitas discussões internas em torno da folha salarial do Conselho. Remunerações elevadas com gratificações generosas conferem desníveis salariais em relação à maioria dos profissionais.
 
Também disputam o comando do Crea-ES, o engenheiro mecânico Fred Rosalem, o engenheiro civil Marcos Mota,o  engenheiro civil Radegaz Nasser, o engenheiro mecânico Sebastião Silveira, o engenheiro agrônomo Jorge Luiz e Silva, e a engenheira civil Lúcia Vilarinho.

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