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Reunião da CPI dos Empenhos é cancelada e suspense sobre novo relatório continua

A agenda cheia da sessão ordinária desta quarta-feira (29) da Assembleia Legislativa acabou atrasando o início da reunião da CPI dos Empenhos. Meio-dia e meia, e nada de reunião. Eis que surge imponente o líder do governo e presidente da CPI para conduzir os trabalhos. Espiou o relógio digital na parede do Plenário Dirceu Cardoso e informou aos presentes — jornalistas e funcionários da Casa — que daria mais cinco minutos de tolerância. Matou o tempo checando o celular. Empolgou-se a ponto de a servidora da Assembleia despertar o deputado do “transe tecnológico”: “Deputado, já se passaram os cinco minutos”. 
 
Sem quórum, ele apenas informou que faria o voto em separado na próxima quarta-feira (6). Aproveitou para registrar que o Plenário aprovou, também nesta quarta, a prorrogação da CPI por mais 30 dias, o que empurra o fim dos trabalhos para 20 de agosto, em razão do recesso legislativo que entra nessa conta. 
 
A imagem de Gildevan absoluto, soberano, presidindo a mesa deserta reflete com exatidão o que se tornou a CPI dos Empenhos após a manobra operada pelo governo para incluir o ex-governador Renato Casagrande (PSB) entre os indiciados, ao lado dos seus cinco ex-secretários que aparecem no relatório final do deputado Euclério Sampaio. O pedetista, aliás, acabou abandonando a comissão depois da anulação da reunião que aprovou seu relatório. 
 
Gildevan tentou trator a falta de quórum como algo circunstancial, mas era evidente que ele mesmo decidiu que hoje não haveria reunião. Sem Euclério e Freitas (PSB) como membros efetivos, e Bruno Lamas e Da Vitória (PDT) na condição de suplentes, os demais membros não serão mais obstáculo para o governista. 
 
Na próxima quarta, como ele já adiantou, apresenta o voto em separado que nada mais é que um novo relatório. O líder do governo conversou com a reportagem de Século Diário após proclamar cancelada a reunião. 
 
Gildevan disse que decidiu apresentar voto em separado porque o seu relatório diverge do de Euclério. Ele insistiu, como vem repetindo há quatro semanas, que tem elementos novos para apresentar. 
 
O deputado não negou o caráter político da CPI. “Estamos numa Casa política. Mas estamos fazendo um trabalho técnico, sério”, justificou. Em seguida questionou ainda sobre o caráter político do colegiado. “Hoje a posição do Euclério é o quê?” O deputado lembrou que no começo da CPI, quando Euclério foi indicado para presidir a comissão e depois assumiu a relatoria, disseram que o pedetista estava a serviço do governador Paulo Hartung. Ele perguntou se após Euclério produzir o relatório sua posição passou a ser estritamente técnica, dando a entender que Euclério se prestava também a um papel político, mas desta vez a favor do ex-governador.
 
Provocado a comentar a reportagem publicada nessa terça-feira (28), a qual aponta gastos de R$ 56 milhões sem empenhos no governo Hartung, em 2015, Gildevan afirmou não ter lido a notícia. Ele disse que a CPI foi instalada porque havia indícios de irregularidades nos gastos do governo anterior. “A função da CPI é investigar, ouvimos o contraditório e chegamos a uma conclusão”. O deputado disse que Século Diário tirou as conclusões que julgou cabíveis para elaborar a reportagem. “Essa é a versão de vocês, no momento correto, precisa ter o contraditório”, arrematou. 
 
No dia da votação no Plenário da Assembleia que decidiu se prevaleceria a continuidade da CPI, como pleiteava Gildevan, ou o encerramento dos trabalhos, como pedia Euclério, com a validade do relatório final do pedetista, houve um voto que chamou atenção, justamente por ter partido de um governista convicto. O deputado Guerino Zanon (PMDB), que primeiro protestou sobre a decisão da Mesa Diretora em lavar as mãos sobre o caso, transferindo a decisão para o Plenário, fez questão de destacar que não tinha elementos para votar sobre a validade ou não da reunião que aprovou o relatório de Euclério na ausência de Gildevan
 
Na votação, vencida por um voto de diferença pelos governistas, Zanon manteve a fidelidade e acabou sendo decisivo para a vitória apertada por 13 X 12. Mas após a votação, fez questão de justificar o voto, para não parecer contraditório. O deputado deixou claro que não estava ali avaliando o mérito da CPI, que tenta responsabilizar Casagrande pelas despesas sem empenhos. Zanon, em tom de indignação de quem já foi prefeito e sabe muito bem como funciona esse tipo de denúncia na administração pública, fez questão de dizer que, nesses casos, prefeitos, governadores e presidentes não podem ser responsabilizados como ordenadores de despesas. 
 
Esse voto polêmico de Zanon foi submetido à análise de Gildevan, que tergiversou e acabou não respondendo a pergunta. “Vários deputado têm suas posições. Às vezes tem consenso no todo, às vezes não”, tentou despistar. A insistência com a pergunta obrigou o deputado a fazer uma ponderação sobre o posicionamento do colega peemedebista. “Se estiver falando de um ato isolado, que tenha a participação exclusiva de um secretário, é uma situação. Mas se você tem toda uma gestão em que há despesas repetidamente feitas sem empenhos, tudo com a participação do gestor [executivo], ai é um outro cenário”. 
 
Em seguida, Gildevan deu a entender que essa é exatamente a tese que ele usará na próxima semana para responsabilizar o ex-governador Renato Casagrande pelas despesas sem empenhos. 

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