Ao mesmo tempo em que os admiradores do prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) disputavam espaço para homenageá-lo na Câmara de Vila Velha nessa quarta-feira (23), outra liderança de projeção nacional também atraía as atenções no município. O pastor Silas Malafaia participava de uma audiência pública, no mesmo município, para debater a tributação de instituições religiosas.
Enquanto parte da classe política capixaba saudava Doria, os senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB) preferiram prestigiar o pastor da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A audiência pública e o evento musical que aconteceu após o debate marcaram o reencontro dos dois senadores.
O aparente resgate da aliança, articulada com o propósito de fechar as duas vagas ao Senado em 2018, voltou com força, não por coincidência, um dia após um grupo de 19 deputados estaduais manifestar apoio ao nome do colega Amaro Neto (SD) para a disputa ao Senado.
No segundo semestre do ano passado, Malta e Ricardo intensificaram uma agenda política conjunta, ensaiando uma dobradinha para a disputa a reeleição em 2018. Ricardo foi convidado a desembarcar da caravana de Magno Malta em abril deste ano, quando o tucano apareceu na lista de lideranças políticas denunciadas pelos ex-executivos da Odebrecht, como destinatário de recursos de “caixa 2” de campanha.
Malta tentou convencer os meios políticos de que foi o tucano que se afastou da caravana pelo Estado, mas a fotografia que ficou foi de que Ricardo passou a ser uma figura que não era mais bem quista nos palanques puxados por Malta e sua mulher, a cantora evangélica Lauriete. Mas a necessidade de proteger seus mandatos parece ter reaproximado os parlamentares.
A reação deles sobre o movimento da Assembleia mostra que a possibilidade de ter Amaro Neto no jogo político preocupa os senadores. Sobre a virtual candidatura de Amaro, Ricardo Ferraço comentou que a antecipação do processo eleitoral é improdutiva para o Estado, que as lideranças não estariam pensando na prestação de serviço à população.
Já Magno Malta, que mostrou indiferença com o movimento de Amaro, reagiu às criticas dos deputados de que a bancada não tem conseguido dar visibilidade ao Estado no Congresso. A movimentação dos deputados pressiona a classe política a também antecipar suas articulações.
Além do movimento de resposta ao grupo da Assembleia, outro elemento favoreceu o reencontro de Malta e Ricardo. Na verdade, um elemento que, de forma diferente, afeta as articulações de ambos: a visita do prefeito de São Paulo João Doria ao Estado. No caso de Ricardo, participar de um ato com Doria poderia ser interpretado como a escolha de um lado na disputa interna que se estabelece no ninho tucano nacional, sobre o posicionamento do partido e sua posição para 2018, o que criaria uma saia justa para o senador.
No caso de Magno Malta, que vem tentando se credenciar como vice do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para uma eventual chapa à Presidência da República – embora a classe política entenda que isso seja apenas uma estratégia para se aproximar do eleitorado mais conservador –, a aparição no evento de Doria poderia enfraquecer esse discurso.
A expectativa agora é saber se esse reencontro se transformará na retomada da parceria para 2018 ou se a aparição dos senadores juntos foi apenas circunstancial.

