Por 50 votos a 21, o plenário do Senado adiou nessa terça-feira (3) a votação do afastamento do mandato e recolhimento noturno do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas o que chamou atenção do mercado político capixaba é que, um dos votos pelo adiamento dentro do PSDB veio do senador Ricardo Ferraço.
A orientação do partido era votar contrário ao requerimento de adiamento para tentar votar ainda na sessão dessa terça-feira (3), com o intuito de demonstrar força do Senado e dar uma resposta dura ao Supremo. O senador tucano Eduardo Amorim (SE) também votou contra a orientação do partido.
O adiamento foi motivado pelo fato de o STF ter marcado para o próximo dia 11 o julgamento que vai decidir se a Câmara e o Senado têm o poder de revogar medidas judiciais adotadas contra parlamentares, como, justamente, o afastamento do mandato.
A postura de Ricardo Ferraço surpreende porque as lideranças políticas esperavam que ele fosse um defensor do colega de bancada. O senador Ricardo Ferraço assinou a ficha de filiação ao PSDB, no dia 1 de março de 2016, em uma solenidade pomposa em Brasília. Ficha essa que foi abonada por Aécio Neves, que antes disso fez uma campanha acirrada pela migração do senador do Espírito Santo do PMDB para o ninho tucano.
Para os meios políticos a votação de Ricardo Ferraço se explica pelo processo eleitoral do próximo ano. O tucano tem sido muito cobrado pelos eleitores por entrar em pautas controversas, como das reformas implementadas pelo governo Temer, aliado ao desgaste de denúncias de recebimento de caixa dois.
Quando surgiu a denúncia enviada ao Senado, a classe política capixaba já se questionava sobre a postura de Ricardo Ferraço. Qualquer movimento em defesa de Aécio Neves pode causar muito desgaste para o processo eleitoral do próximo ano, quando Ricardo disputará a reeleição. A postura dessa terça-feira sugere que entre a lealdade ao padrinho político e a preservação do capital político, Ricardo Ferraço ficou com a segunda opção.

