Para os meios políticos, a possibilidade mais clara, hoje, de uma disputa ao governo do Estado, no próximo ano, aponta para um enfrentamento entre a senadora Rose de Freitas e o governador Paulo Hartung, ambos do PMDB. As estratégias de cada um na preparação para o pleito já estão a pleno vapor. Um está sempre de olho na movimentação do outro.
O primeiro nó a ser desatado para que essa disputa ocorra é a questão partidária. Rose de Freitas garante que não vai deixar o PMDB e toparia enfrentar o governador em uma eventual convenção. Hartung estaria deixando o PMDB e conversa com PSDB, PSD e DEM, buscando a sigla que lhe dará a melhor condição de disputa.
Essa movimentação do governador mostra que ele não só não teme o enfrentamento com a senadora, como, dos possíveis, ache mais confortável. Para algumas lideranças políticas, Hartung acredita que o enfrentamento com Rose de Freitas garantira uma reeleição mais fácil para ele, mas a senadora não parece disposta a uma disputa de faz de conta e vem criando condições para um enfrentamento duro com o governador.
Com seu fácil trânsito em Brasília, a senadora tem atraído investimentos para o Estado e tentado desatar nós como as obras da BR-101 e do Aeroporto de Vitória, sempre buscando a resolução dos problemas bem longe da presença do governador.
No campo nacional, os dois também travam uma disputa indireta. Rose de Freitas tem conseguido espaço político com o presidente Michel Temer, com acesso aos ministros, liberação de verbas e intermediação de conversas entre prefeitos e outras lideranças no Palácio do Planalto. Já Hartung vem se aproximando cada vez mais do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segundo na linha de sucessão presidencial.
Mas a verdadeira disputa preliminar está acontecendo nos municípios do Estado. O governador implementou a partir do segundo semestre deste ano, uma agenda de entregas e visitas Estado adentro, com isso espera aumentar seu leque de apoio de prefeitos. Rose de Freitas, que sempre foi uma parlamentar municipalista, tem que conviver hoje com o governador do Estado tentando tomar dela os prefeitos que sempre estiveram ao seu lado.
Além disso, o trabalho do governador é para tentar atrair para seu palanque o maior número de lideranças políticas, o que deixaria Rose isolada na disputa. Mas como a senadora não tem nada a perder – ainda terá mais quatro anos de mandato no Senado caso perca a disputa no Estado –, a eleição do próximo ano não representaria um risco tão alto, mas se perder, Rose pode sair com o capital político reduzido.
Já o governador Paulo Hartung, ao disputar a reeleição, já mostra uma descida de patamar, afinal, até o final de 2016, ele era cotado até para Presidência da República, hoje seu único caminho parece ser a reeleição para um arriscado quarto mandato.

