A notícia publicada no Estadão de que o presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati, e o ex-ministro José Serra teriam convidado a senadora Rose de Freitas para ingressar no PSDB, repercute no cenário eleitoral do Estado para 2018. Isso porque, o partido foi o primeiro alvo do governador Paulo Hartung, quando passou a considerar a possibilidade de deixar o PMDB.
Sem sucesso de Hartung na tentativa de retornar ao ninho tucano, por resistência da executiva estadual, o convite soou mais como uma provocação da senadora. Embora tenha sido uma das fundadoras do PSDB no Estado, a ligação histórica de Rose é maior com o PMDB. Mas a possibilidade levantada de ela mudar de partido mexe com o cenário eleitoral. Tanto que o colega de bancada, Ricardo Ferraço (PSDB), em reaproximação com o governador Paulo Hartung, se adiantou em desarmar a situação.
Ao jornal A Tribuna, desse domingo (6), o senador afirmou que seria “uma conquista extraordinária para o partido. A Rose é uma guerreira, mas ainda não há nenhuma conversa iniciada nesse sentido”, ponderou. O assunto é experimental e visto mais como uma estratégia de pressão no Palácio Anchieta, mas pode se aprofundar em um futuro próximo, devido ao projeto eleitoral da senadora em disputar o governo em 2018.
Rose hoje é vista como a principal adversária em potencial do governador Paulo Hartung, que parece cada vez mais inclinado a disputar a reeleição. Mas se o governador não deixar o PMDB, Rose fica sem espaço para entrar na disputa ao governo. Neste caso, a saída seria encontrar outra legenda que lhe garantisse palanque.
Já o PSDB capixaba está cada vez mais distante da base de Hartung, embora tenha o vice-governador César Colnago (PSDB). Caso almeje um projeto nacional o partido precisará de um palanque forte ao governo do Estado em 2018.
Esse projeto, porém, causaria problemas tanto para Ricardo Ferraço, que busca uma acomodação para a disputa à reeleição, quanto Colnago, que pode ser um plano B para o Palácio Anchieta, caso o governador desista de se candidatar à reeleição.
Hartung também vem se movimentando em relação ao partido para 2018. Depois da negativa do PSDB, o governador sinaliza uma aproximação com o DEM do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e com o PSD, do ministro das Cidades Gilberto Kassab. A ideia é não ficar no PMDB, caso a imagem do presidente Michel Temer continue acumulando impopularidade. Mas a decisão do governador sobre sua sigla deve sair apenas após confirmação do prazo para a janela de transferência, que seria em março do próximo ano, mas há uma tentativa de antecipação na Câmara.
Já para a senadora Rose de Freitas, a saída do PMDB seria apenas em último caso. Com a permanência de Temer na Presidência, a senadora, que tem trânsito livre no Palácio do Planalto, tem conseguido a liberação de recursos importantes para reforçar sua base municipalista.

