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Sexta, 30 Outubro 2020

"Se tiver que ser governador, serei. Gostando os homens ou não"

"Se tiver que ser governador, serei. Gostando os homens ou não"

 

Rogério Medeiros e Renata Oliveira
 
 
Bem aventurado o homem que suporta com perseverança a provação: porque depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Tiago 1:12
 
O senador Magno Malta é considerado uma das quatro principais lideranças políticas do Estado. Dono de uma retórica invejável, que lhe garantiu a sobrevivência política durante os oito anos do governo Paulo Hartung (PMDB) e a má vontade da mídia local com seus projetos, o senador, que é presidente do PR, vem percorrendo o Estado para ajudar a campanha de seus correligionários e aliados. Nesta entrevista a Século Diário, o senador não poupa os demais atores da política capixaba e revela que até simulou uma briga com o prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PR), em 2008, para fugir da pressão palaciana em cima de seu candidato.
 
Ele também mostra sua versão sobre a briga entre o aliado Sérgio Vidigal (PDT) e o deputado federal Audifax Barcelos (PSB) e explica por que está apoiando o prefeito, embora seu partido esteja coligado com o socialista. Magno Malta deixa no ar a possibilidade de vir a disputar o governo do Estado e faz um desabafo sobre a posição de parte da imprensa capixaba com seu mandato. Confira.
 
Século Diário – O senador disputa uma eleição paralela com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Enquanto o senhor anda sozinho, ele anda com Ricardo Ferraço (PMDB) e Gerson Camata (PMDB). Como avalia essa situação?
 
Magno Malta – Chegou um momento na minha vida, que a mídia começou a falar sobre essa rivalidade entre mim e o ex-governador Paulo Hartung. Eu não o conheço politicamente, nunca conversei política com ele, nunca almocei na casa dele, nunca beijei a mão dele. Recuso-me a entregar meu destino a um homem, meu destino está nas mãos de Deus. Recuso-me a fazer cálculo na vida e no processo político, quem conduz a minha vida é Deus. Se essas coisas são ofensivas e eu fui escolhido para ser esse rival, sem que eu tenha pedido, na verdade são inimizades gratuitas, porque nunca fiz inimizades. Se o fato de eu ser nordestino, filho de uma faxineira, não ter entrado na faculdade, ser evangélico, ter chegado no Espírito Santo em 1982, em 1992 ter sido eleito vereador e em 2002 já senador, se isso é ofensivo e não me faz ter o amor da elite, e sim de uma classe social que me elegeu, para mim está tudo certo. Estou em um processo eleitoral porque eu sou amigo dos meus amigos. Eu corto reto, tenho lado, não mudo de lado. Essas indignidades eu não sei fazer. Então, independentemente do cara ter três votos na pesquisa ou 10, para mim não importa. É o meu lado, é meu amigo, eu não vou usá-lo. Não sou oportunista eleitoral. E se essas coisas incomodam, vão fazer o processo sentindo raiva, mas eu não.
 
– Além de senador, o senhor é presidente do PR, partido que está disputando municípios importantes e tem dado apoios importantes. Como está o PR na disputa deste ano? O senhor tem andado o Estado todo, não é?
 
– Eu tenho andando o País todo. A melhor coisa é estar em processo eleitoral que não é o seu. O PR tem musculatura, tem crescido. Começou com muita dificuldade, aquela legendinha de gaveta comigo e com o Neucimar Fraga, e hoje tem musculatura. Tem a maior prefeitura do Estado, está bem administrada, com um bom gestor. Neucimar em três anos e meio fez mais do que os últimos 20 anos. Pegou uma cidade sem esgoto tratado, hoje tem 57%. Se o povo observasse os números, Neucimar não precisaria nem ir para a rua. Mas infelizmente não é assim. O PR tem deputados estaduais, tinha o Neucimar como deputado federal, tem dois mandatos de senador. Temos algumas candidaturas a prefeito postas com chances e algumas vice-prefeituras.
 
– O senhor diz que não faz contas, mas há um prognóstico. Qual o tamanho que o PR vai sair no final desta eleição?



– Eu não sei de que tamanho vai sair, mas acredito que para crescer, para ter filiados, para ter um projeto de poder, você precisa ter musculatura. O time tinha que jogar. O PR passou muito tempo sendo coadjuvante. Saímos dessa condição, é claro que estamos como coadjuvante em muitos lugares porque acreditamos no projeto de algum aliado, mas esperamos sair maiores do que estamos hoje.



– No município da Serra, o senador está no palanque do prefeito Sérgio Vidigal (PDT), que enfrenta o deputado federal Audifax Barcelos (PSB). Mas quem levou o Audifax para a Serra, não foi o senhor?
 
– Naquela primeira eleição de Vidigal, eu era deputado estadual, da base do governo Vitor Buaiz. Aliás, se Lula fosse presidente naquela época, Vitor teria sido o maior governador do Espírito Santo, porque quem foi o maior governador do Estado, como presidente, foi Lula. Quando se faz esse processo comparatório é injusto, porque ele governou no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, que ficou aqui 15 minutos. E, aliás, me lembro que todas essas grandes lideranças do Estado eram todas do PSDB, todas tinham mandatos, e eu queria saber o que fizeram em oito anos quando era o governo de Fernando Henrique. Naquela época Vidigal foi para Brasília negociar uma dívida de R$ 4 milhões e nós fomos para lá, pedimos uma audiência com Elcio Alvares, que era o líder do governo Fernando Henrique e, justiça seja feita, ele nos recebeu e marcou uma audiência com o então presidente do Banco do Brasil. Elcio nos levou, argumentou...porque Vidigal estava tentando dividir a dívida de 30 vezes. Elcio pegou o telefone e falou com Fernando Henrique Cardoso e conseguiu que o presidente determinasse o parcelamento em 65 vezes. Acho que Vidigal nunca mais deve deixar de pedir votos para Elcio Alvares, justiça tem que ser feita. E essa é a minha diferença. Na eleição que Elcio foi para senador, ninguém ficou com ele. Elcio foi sepultado, tiraram a candidatura do ex-governador para o governo e colocaram José Ignácio, isolando Elcio, e ele tinha só um deputado federal com ele, que era eu. Grato pelo que ele fez pela Serra e pelo Vidigal. Falam muito do Espírito Santo nesses oito anos, como se o Espírito Santo não existisse antes disso. Se o Espírito Santo existe de oito anos para cá, foi por conta dos R$ 500 milhões que Lula mandou antecipando royalties de petróleo, que Fernando Henrique não mandou para Vitor. E o coordenador da bancada era eu. Aquilo não foi obra de um homem só e eu vou relembrar uma bancada federal que pediu isso a Fernando Henrique: Marcos Vicente, Nilton Baiano, Rose de Freitas, José Carlos Elias, Renato Casagrande. Eu era o coordenador, senador de primeiro mandato, o governador fez o papel com as lideranças dele aqui, o Lula não morria de amores por isso, porque eles fizeram campanha para Serra e não para Lula. Isso foi obra das mãos do povo do Espírito Santo, não foi obra de um homem só, não foi obra de quatro pessoas ou de um grupo político.
 
– Sim, mas voltando a Serra, o senhor era deputado estadual na época...
 
– Sim. Eu era deputado e conheci o Audifax na Assembleia Legislativa, ele era assessor da bancada do PT, desde jovem sempre foi um quadro de assessoria e acabou indo para a Serra com o Vidigal. Vidigal tinha muita dificuldade, Motta [ex-prefeito João Batista Motta, do PSDB] deixou a prefeitura endividada, com seis folhas a pagar. Então Audifax chega na Serra em um momento de pujança e Vidigal entendeu depois de oito anos de governo, que com 90% de aprovação elegeria um poste. Ou um poste ou um cara com nome difícil, ele escolheu o cara com nome difícil. E todos nós falávamos, esse cara é uma carreta de cimento com os pneus furados, mas o cavalinho era muito forte e ainda tinham os outros para empurrar: eu, Iriny Lopes, Neucimar Fraga, Renato Casagrande. Estávamos todos no lançamento da campanha dele. Eu me lembro do meu discurso, dizendo que ele era uma carreta de cimento, com o nome difícil, a população nem sabia dizer o nome dele. Mas ele era um técnico e Vidigal decidiu que seria ele. Vidigal deu a prefeitura para ele. Foi o único prefeito do Brasil que começou a administração inaugurando obra, deu continuidade, porque era um projeto. Um projeto que eles poderiam ter 40 anos de poder juntos. Mas o pessoal que lê Maquiavel entrou na cabeça dele e o fez achar que era o cara. Audifax chamava Sueli Vidigal de Su; chamava Vidigal de Serginho. Aí você pega um técnico daquele e elege prefeito da cidade sem ter um voto. Aí o governador na época, o vice-governador elegeram ele e fizeram com que virasse as costas para Vidigal. Com alguns meses Vidigal não valia mais nada. Toda relação de alguém que quer chegar ao poder com você é religiosa. Quando o cara quer chegar a algum lugar, você é um Deus para ele. No segundo momento você é um anjo, porque ele começa a dizer que ele também tem o talento dele, aí você dá um aperto no cara e você vira um demônio. Vidigal já foi Deus, já foi um anjo e agora é um diabo. E tudo que estou falando aqui, já falei para Audifax olhando para ele. E quando o PDT dá a legenda para Vidigal e não para Audifax, Vidigal voltou a ser o cara, eles já não consideravam mais o Audifax, já tinham tirado o suco da laranja, como virou agora. Porque eles não estão com Audifax. E eu fico impressionado que Vidigal acredita. É história da geopolítica e geopolítica para mim é emboscada. Geopolítica é coisa de cangaceiro, que se reúne de noite para decidir quem vai viver e quem vai morrer.
 
– Isso tem acontecido em todas as eleições nos últimos anos.
 
– O vice-governador (Ricardo Ferraço) estava com Neucimar, o governador [Paulo Hartung] com Hércules Silveira [PMDB]. No segundo turno, o governador conversa com Neucimar e pede para me procurar, fui chamado a um encontro com o vice-governador às 2 horas da manhã. Fui na marra, para me dizerem que o governador não ia subir no palanque de Hércules no segundo turno. Falei com ele, que o governador deveria ficar no palanque do Hércules. Só havia uma bola no meio do campo, eu e ele. E erraram com Hércules, porque colocaram ele para sofrer um processo e assim como Jardel dos Idosos, que perdeu o mandato por infidelidade partidária, eles também tinham que perder. Jardel foi bode expiatório e a Justiça tem que reparar isso. Hércules mudou de partido, Ferraço mudou de partido. Colocaram Hércules no PMDB para ele ser o candidato do Palácio e o deixaram no segundo turno, cheio de dívidas. E aí Neucimar venceu a eleição e ele passou a ser o cara. O vice-governador fez essa aproximação, porque queria ser governador e não foi. E agora eles estão no palanque de Rodney Miranda [DEM] chamando Neucimar de incompetente. Isso é geopolítica. Isso é coisa de cangaceiro.
 
– E como o senhor vê a candidatura do Rodney Miranda?
 
– Eu ouço o jingle de Rodney Miranda dizendo que ele é o candidato do ex-governador, como se ele fosse o dono dos votos de Vila Velha. Mas tudo bem, cada um com o seu. Ele tem que se agarrar nisso, porque ele não sabe o nome de uma rua em Vila Velha. Deve saber da que ele mora. Aí eu ouvi uma entrevista dele, dizendo que vai levar para Vila Velha o modelo Hartung de governar. Bom, eu quero saber qual é o modelo, porque ele não foi secretário de Planejamento, ele foi secretário de Segurança e como secretário de Segurança ele foi um fracasso. O Espírito Santo conviveu com 17 mil homicídios em oito anos e 17 mil é a população de Muqui. Sepultaram uma cidade. Isso sem um plano de segurança, sem nada. Ninguém faz segurança com um colete, fazendo cara feia e com uma .40 na cintura. Segurança se faz com um grande projeto de prevenção às drogas, porque esse é o grande problema da população adulta, um grande programa de sustentação, que passa pela via da família, da escola e do esporte. Isso não foi feito.
 
– Mas ele tem um discurso que se não for combatido, terá êxito: é a prefeitura de Vila Velha que tem que combater a criminalidade.
 
– Ele está invertendo os papéis. Ou ele não conhece a Constituição, que diz que esse papel é do Estado, ou ele conhece e está fazendo de má-fé. E ele sabe que foi um fracasso como secretário de Segurança. E a melhor secretaria de Segurança de Defesa Social, que é referência nacional, é a de Vila Velha, que deu certo com Ledir Porto. Com todo respeito ao Rodney Miranda, mas é um processo eleitoral e precisamos falar a verdade. Como ele vai fazer isso? Entrando no bairro Santa Rita de colete, com a .40 na mão? Hoje temos um município muito bem monitorado. Na Praia da Costa, onde ele mora, quero informar a ele, a violência foi reduzida em 84% e é onde o Neucimar é mais rejeitado, porque a elite não vai amar nunca quem veio de Soteco, quem veio de Jaqueto, no interior da Bahia, e se estabeleceu em Soteco. Uma guarda bem estruturada, uma operação que recolhe os drogados, vai à casa deles, que limpa as áreas, e o povo de Vila Velha sabe disso. Se o projeto de Segurança do Rodney for o mesmo modelo do implantado no Estado, eu aconselho as pessoas a não saírem de casa. Eu quero mostrar fatos. Vila Velha há três anos e meio era uma cidade isolada, com todas as suas deficiências, hoje não está mais alagada e vai melhorar mais porque Neucimar fez profilaxia, tratou os canais. E é preciso avisar que Vila Velha é abaixo do nível do mar e se a maré estiver alta, pior ainda. Em Itapoã é pior ainda porque foi feita ainda abaixo e hoje você tem Vasco Alves no palanque de Neucimar reconhecendo isso. Precisa ali é de construir cinco estações de bombeamento e cada uma custa R$ 80 milhões. E eu quero fazer justiça aqui à deputada Rose de Freitas (PMDB). Há um mês ela me ligou e disse que incluiria recursos para obras estruturantes no PPA do governo federal e colocou R$ 500 milhões para as estações de Vila Velha. Eu não tenho dúvida que isso será resolvido, com o trânsito que Neucimar tem em Brasília e com o trânsito que eu tenho com a presidente Dilma. Já no governo Casagrande, quando teve aquela grande enchente , o ministro da Integração, Mares Guia, trouxe R$ 10 milhões para o Estado, na semana seguinte Dilma liberou R$ 10 milhões só para Vila Velha, a meu pedido. Neucimar trabalhou muito, mas a candidatura de Rodney é legítima e ele pode fazer o discurso que quiser, agora se espera que ele tenha o mínimo de coerência.
 
– Estamos falando muito de Vila Velha, mas gostaria que o senhor falasse um pouco de Cachoeiro, que foi onde o senhor começou sua carreira política e onde o PR tem um candidato muito bem cotado na disputa.
 

– Eu peço desculpas à população de Cachoeiro. Eu queria até que o Futura sempre dissesse que o Flamengo vai perder, porque quando ela fala que vai perder, ganha. O Instituto Futura dizia lá que Ferraço tinha 70% de votos em 2008 e o candidato do PT, o prefeito Carlos Casteglione, não tinha nem 10%. Colocamos o vice dele, fui para a rua, o jingle dele fui eu que fiz. Vencemos as eleições e em seguida deu no que deu. A democracia tem disso, ela põe e tira. Então eu pedi desculpas. Nesta eleição temos um candidato que é o Glauber Coelho (PR). Um quadro com musculatura própria, se elegeu vereador, deputado. Um sujeito que se relaciona fácil, tem um carisma com o povo de Cachoeiro. É um quadro importante e que certamente vai ganhar a eleição.
 
– Voltando à sua relação com Paulo Hartung. Na disputa de Vila Velha em 2008, houve uma manobra que foi atribuída ao ex-governador, em parceria com a imprensa corporativa, de dizer que o senador estava sendo escondido. Neste momento, acontece a mesma coisa, afirmando que no palanque de Luciano Rezende (PPS), em Vitória, o senhor vai tirar votos. Agora estão começando a considerar o seu capital político. E o ex-governador sobe no palanque de Luiz Paulo, que não precisaria do apoio dele na disputa, deixando a impressão de que é Hartung que está pegando carona. Como o senhor convive com isso?
 
– Falando de trás para frente, é interessante isso. Quando Luiz Paulo, amigo, fraterno, lançou com Paulo Hartung o César Colnago para prefeito de Vitória, amigo, fraterno, crescendo juntos, se abraçando e se chamando de grupo, e depois o ex-governador largou ele falando sozinho e foi apoiar o PT (João Coser), eles ficaram muito chateados. Luiz Paulo começa a ter os desentendimentos que a gente acompanhou pela mídia, o então vice-governador (Ricardo Ferraço) sai do PSDB esculhambando Luiz Paulo. Dizia que Luiz Paulo era preguiçoso, dormia até o meio-dia. E como fica agora? Luiz Paulo não é mais preguiçoso? Luiz Paulo foi candidato a governador. Se ele falasse na rua como candidato a governador, o que ele fala com a gente em reservado do próprio grupo, ele teria ganhado a eleição. O problema é que falta coragem e essas coisas incomodam as pessoas.
 
– Mas e as tentativas de desgastar a sua imagem, como o senhor vê? O senhor foi perseguido durante sua candidatura ao Senado em 2010, eram todos contra Magno Malta.
 
– Era uma ação conjunta do governo, da igreja, da mídia, fizeram uma engenharia, colocaram Rita Camata no PSDB e uma chapa com PR e PMDB do tipo “me engana que eu gosto”, aquele comportamento do presidente do PMDB (Lelo Coimbra) publicamente pedia o segundo voto para mim, que não me acrescentava nada, e eu pedia o segundo voto para o senador Ricardo Ferraço. Eu peguei um santinho dele em Barra de São Francisco (noroeste do Estado), que tinha um santinho do Lelo e atrás Ricardo Ferraço e Rita Camata. Ele não tem obrigação nenhuma de votar em mim, mas ele é presidente de uma agremiação, que se juntou à minha em uma eleição majoritária. Aí sim, ele tinha obrigação. E eu fiz um compromisso de pedir votos para Ricardo Ferraço e pedi até o final. Eu fico rindo, porque eu vivo viajando, faço palestra sobre drogas, pedofilia, tiro drogados das ruas, sou músico, sobrevivo das minhas músicas, gosto de academia, de artes marciais. Eu não vivo em rodinhas, não fico tramando contra ninguém, nunca fui a ordens de serviço, não participo de inaugurações. Naquela eleição de 2008, eu e Neucimar tivemos uma reunião, porque eu apanhava todos os dias e ele também, e nós entendemos que o objetivo era atacar a mim. Então eu e ele brigamos publicamente e eu sai, fui para o interior definir as eleições. Aí eles engoliram, deu certo. Eu voltei no segundo turno e eles nem perceberam que eu andava com Neucimar de manhã, de tarde e à noite. Tivemos que fazer isso para livrar Neucimar das garras dos tigres, senão ele não arrumaria recursos de campanha. Porque eles colocaram secretário, governo, o que tinham. Eu me lembro de um senador que entrou na TV em Colatina para eleger Paulo Foletto (PSB), que hoje é meu amigo e por quem tenho um carinho muito grande, mas na época o tal senador disse até que a ponte nova quem tinha levado era Foletto. E eu estava lá, agarrado com Guerino Balestrassi e com Batata (prefeito Leonardo Deptuslki). Eu tenho imagens dentro do estúdio deles, eu, eles e Jane Mary, sentados no chão, com Guerino chorando, esculhambando o ex-governador, o senador e o dono do Futura. E quem sabe um dia eu falo o que ele estava falando deles. O desejo do coração dele. E muito me admirou que 60 dias depois de eles ganharem as eleições, não me conheciam mais e esse cara que era o demônio na vida dele, virou um Deus. É ruim essa perseguição, mas chega a um ponto que você tem que rir dessas questões e seguir a vida. Se Deus me escolheu para uma missão, não tem jeito. O processo eleitoral para mim foi muito difícil, mas é Deus e o povo. Por que eu ganho a eleição? Eu tenho serviço prestado para o povo. As bandeiras que eu levando é que me levam.
 
– Senador, e esse medo que eles têm de o senhor virar governador do Estado? – Será por que? (risos) – E qual o seu futuro? O senhor tem mandato até 2018, pode disputar em 2014 se quiser, sem perder o mandato...
 
– Meu futuro a Deus pertence. Não sei do meu futuro. Eu tenho uma natureza parlamentar, eu gosto do Parlamento, das causas que eu defendo, acho que já prestei um grande serviço ao País, lá no Parlamento. O povo que tem parabólica sabe, mas a elite que só vê o jornal daqui não sabe. Imagine que eu fui tomar um café com Bill Gates, em Washington, porque a Lei 240 foi alterada depois de 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para criminalizar a posse de material pornográfico, o que encantou o Bill Gates e a sanção dessa lei, que é minha, rendeu a Lula sete prêmios na ONU (Organização das Nações Unidas). E a elite não sabe porque não tem nem uma nota aqui nos jornais. Se eu fosse amado pela imprensa, isso seria capa de jornal. A Dilma faz o discurso dela, primeira mulher presidente do Brasil, a mídia de todo mundo armada ali, e manda todo mundo se acomodar. Ela vira para mim e diz: “Magno fique do meu lado”. E eles publicam uma nota aqui dizendo que eu era papagaio de pirata. No dia que Itamar Franco, meu colega de Senado, eu fui para Juiz de Fora, para o enterro, e fiquei do lado do caixão. Ele estava com o terno sem o broche do Senado. Tirei o broche de um senador do meu lado, porque eu também estava sem broche e coloquei nele. No outro dia, tinha uma foto nos jornais daqui, dizendo que eu era papagaio de pirata, porque eu estava no enterro de um colega meu do Senado. Eles não têm boa vontade comigo e eu não sei por quê. Mas eu digo a você que se eu tiver que ser governador, serei. Gostando os homens ou não, querendo o “Avança Espírito Santo” ou não, porque são eles que mandam no Estado. Querendo o governador ou não. Eu não sei o ano, querendo Deus, eu serei. Porque se eu descer no aeroporto no Acre, todo mundo sabe quem sou. O que não acontece com Aécio Neves, por exemplo. Então, minha vida está na mão de Deus. Não posso dizer se será em 2014, 2018 ou se não vou ser.
 
– Por outro lado é atribuído o poder de retórica, que o senhor é um encantador de serpentes...
 
– Se dizer a verdade encanta, se falar com o coração encanta, eu sou. Por exemplo, chego na Serra e digo que Vidigal fez tudo que tem lá, fez até seu opositor, porque poderia ter elegido um poste quando deixou a administração e elegeu um cara com nome difícil. Chego e vou chamando as pessoas e elas saem de casa para me ouvir. Então, se isso é ser um encantador de serpente, eu sou um encantador de serpente, sim.

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Sexta, 30 Outubro 2020

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