A secretária de Fazenda Ana Paula Vescovi esteve na Assembleia Legislativa na tarde desta segunda-feira (14) para prestar contas do resultado do último quadriênio de 2015. A secretária afirmou que o Estado conseguiu no ano passado o reequilíbrio do fluxo de caixa do Estado, que fechou o ano com R$ 51 milhões.
Ana Paula usou em seu argumento para justificar o que entende ser a excelência da gestão capixaba, e comparou a situação econômica do Espírito Santo com a de outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que encerraram o ano com poucos recursos em caixa e com dificuldade em pagar dívidas e a folha do funcionalismo em dia.
Esse discurso de arrocho nas contas públicas do Estado vem sendo utilizado antes mesmo de a atual equipe chegar ao poder. Ana Paula, ao lado do atual secretário de Educação Haroldo Rocha, foi autora do estudo sobre o governo anterior, que deu bases para construir o discurso do governador Paulo Hartung (PMDB) na disputa eleitoral de 2014 de que o então governador Renato Casagrande (PSB) estava arruinando a saúde financeira do Estado.
O discurso tentava colocar no governo Casagrande o rótulo de descontrole das contas. Hartung afirmou durante todo o ano de 2015 que encontrou o caixa vazio, o que justificou uma série de cortes de gastos, inclusive, em áreas prioritárias.
O deputado Sérgio Majeski (PSDB) foi o único a questionar os dados apresentados pela secretária. Ele cobrou as aplicações na área da educação. Ana Paula Vescovi afirmou que o governo aplicou acima do mínimo constitucional (25%) e que o número de vagas vem caindo por diminuição da procura. O discurso foi questionado pelo deputado, que afirmou que 61 mil crianças e jovens estão fora da escola no Espírito Santo.
Ana Paula também falou sobre a renegociação das dívidas dos Estados. Foi justamente por causa de uma reunião em Brasília sobre esse tema, que ela teve de adiar a prestação de contas. A secretária iria à Assembleia no último dia 29, mas não pode comparecer por causa da agenda nacional. Ela defendeu um alongamento da dívida com contrapartidas para evitar o aumento dos juros.
Os deputados foram bem amenos ao questionar a secretária. A base governista se limitou mais a elogiar o trabalho da Fazenda do que questionar os números apresentados. O deputado Sérgio Majeski sugeriu que os balanços fossem enviados com antecedência para que os gabinetes pudessem avaliá-los com calma antes de sabatinar a secretária.

