Paulo Roberto Ferreira cumpriu nesta terça-feira (4) a obrigação de secretário da Fazenda e prestou contas do período de maio a agosto, na Comissão de Finanças da Assembleia. Ele apresentou aos deputados que participaram da audiência um cenário de caos, culpando a crise hídrica, a paralisação da Samarco e a negociação de commodities para a choradeira do governo.
O secretário assumiu a pasta em 22 de agosto, ocupou a vaga deixada por Ana Paula Vescovi, que assumiu, em julho, o comando do Tesouro Nacional. Por isso, o balanço apresentado é ainda da gestão da ex-secretária.
O superávit primário do segundo quadrimestre de 2016, segundo Paulo Roberto, ficou em R$ 105 milhões que, somado ao primeiro, que foi de R$ 290 milhões, chega a 395 milhões, abaixo do mesmo período de 2015 – janeiro a agosto –, que chegou a R$ 461 milhões.
O secretário internaliza um discurso de alongamento de crise, que beneficia politicamente o governo como o detentor de soluções para o Estado e para o País. Estratégia baseada em cortes no funcionalismo e em áreas prioritárias. Estratégia que tem rendido visibilidade nacional ao governador, que vem se consolidando como “guru da crise”.
O deputado Euclério Sampaio (PDT), membro da Comissão das Finanças, disse que o Espírito Santo perdeu arrecadação de ICMS em 2016, comparativamente com 2015, até para o Rio de Janeiro, um Estado quebrado, segundo ele. Para Euclério é um resultado pífio. O deputado pediu que o secretário explicasse os motivos da queda do ICMS. Para Paulo Roberto, o fato é que o Rio aumentou a sua alíquota e o Espírito Santo, ao contrário, não aumentou sua alíquota. Ele também recorreu à crise para explicar a queda.
O novo secretário não soube responder sobre os recursos arrecadados com a movimentação imobiliária, questionamento também feito por Euclério Sampaio. Paulo Roberto também se enrolou ao responder sobre negociações imobiliárias envolvendo recursos da Saúde.

