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Quinta, 29 Outubro 2020

Sem controle

Quando a sessão da Assembleia da manhã desta quarta-feira (10) começou, uma indagação corria pelos corredores. O presidente da Casa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), apoiou a manobra de 15 parlamentares não comparecerem para votar a matéria do fim do pedágio na ponte, ou ele simplesmente não tem controle sobre o plenário e não consegue fazer com que os colegas percebam a gravidade desse ato?
 
Para os meios políticos, a segunda opção parece mais consistente. Desde o início de sua gestão, Ferraço não consegue controlar o plenário. Não consegue atuar pelo fortalecimento da imagem do poder com a opinião pública, não faz a interlocução esperada com o Executivo, e não trabalha para dentro, fortalecendo os deputados. 
 
O que aconteceu na manhã desta quarta-feira atingiu fortemente a imagem do Legislativo. Além de mostrar uma total falta de habilidade para discussão de uma matéria de tamanha repercussão, piorou a situação ao dar uma demonstração de que a Casa não cumpre acordo. 
 
Os manifestantes saem vitoriosos da situação. Mesmo que o projeto não seja aprovado na Casa, eles mostraram a firmeza do movimento. Aceitaram um acordo em que a Mesa daria as cartas e a Mesa não conseguiu cumprir sua parte. Ficou ruim para o plenário. Além da reprovação dos ausentes, a pressão sobre os presentes foi enorme. 
 
A postura da Assembleia na manhã desta quarta-feira certamente vai ter reflexos futuros - e para um futuro bem próximo. Destaque para a atuação da deputada Solange Lube (PMDB), que assumiu um papel de interlocutora com os manifestantes. Um papel que deveria ter sido assumido pelo presidente da Casa, até pelo simbolismo. 
 
Pior do que a postura de quem estava no “controle” da sessão, foi dos deputados que deixaram nesta quarta-feira de cumprir sua obrigação legal de legislar. Foi um dia em que a democracia saiu perdendo. 
 
Fragmentos:
 
1 – Quem achou que escolher um deputado do interior para obstruir a votação do pedágio da Terceira Ponte iria amenizar o caso, enganou-se. O comentário é que pelas bandas de Pinheiros, a situação não anda nada boa para Gildevan Fernandes (PV).

 
2 – Aliás, essa discussão deve ter um impacto bem profundo na base dos deputados em todos os municípios. Se o governo cobrou a manobra, vai ser cobrado pelos deputados que vão pedir votos desgastados em 2014.


3 – Na Comissão de Justiça, Elcio Alvares (DEM) deve aparecer na sessão de segunda-feira (15), para evitar que o vice-presidente da Comissão Claudio Vereza avoque a matéria para relatar.

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