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Sem controle sobre criação, Hartung tenta ‘domar’ candidatura de Amaro

Nem o mais visionário analista político poderia prever que Amaro Neto conquistaria mais de 55 mil eleitores nas eleições de 2014. A votação retumbante tornaria o apresentar do programa de TV Balanço Geral o deputado estadual mais votado na última eleição. 
 
Se o mandato do deputado tem sido discreto, quase imperceptível, o programa popularesco continua batendo recordes de audiência, sobretudo entre os segmentos mais populares do Estado. Essa fórmula de sucesso testada nas urnas em 2014 despertou a atenção do governador Paulo Hartung (PMDB). Partiu dele a ideia de usar o deputado como “coringa” nas eleições de outubro. 
 
Inicialmente, não se sabia se Amaro entraria na disputa e nem tampouco em qual cidade. Havia dúvida entre Vitória e Vila Velha. A primeira providência de Hartung foi confirmar o domicílio eleitoral do apresentador em Vitória, e transferir o candidato do PMB para o Solidariedade. Com as condições criadas, Amaro teria (ou tem) a função estratégica de minar a candidatura à reeleição do prefeito Luciano Rezende (PPS), principal alvo de Hartung
 
O governador queria ter mais opções no tabuleiro para não correr o risco de ser derrotado na segunda principal vitrine política do Estado pelo palanque de Luciano, que tem o apoio incondicional do mais temido rival político de Hartung: o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
 
Mas agora que a eleição começa a ganhar contornos de disputa, Hartung se sentiu refém da sua própria criação. O governador se soma aos observadores políticos que também veem o apresentador de TV como uma incógnita: ninguém sabe aonde Amaro pode chegar. 
 
Essa incerteza incomoda Hartung, que se sente mais seguro quando tem controle integral sobre as peças dispostas no tabuleiro. Amaro, na analogia ao xadrez, seria uma espécie de “cavalo”, mas um “cavalo doido”. No jogo milenar, o movimento do cavalo é sempre perigoso, andando em “L” e pulando sobre as peças. Amaro pode andar em “L”, em “Z”, em “X”, nunca se sabe. 
 
O candidato palaciano que seria um trunfo para Hartung usar na hora certa, tornou-se uma peça imprevisível, fora de controle. O medo do governador é que Amaro atropele o próprio Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que seria o candidato preferido do Palácio Anchieta. 
 
Ao anunciar que estava dando um “até breve” aos telespectadores do Balanço para disputar a eleição, o pré-candidato avisou que a partir desta semana começaria a mergulhar fundo na disputa. Nesta quinta-feira (30), Amaro se reuniria com o deputado federal Carlos Manato para iniciar as conversas com os partidos dispostos a compor aliança com o SDD
 
Para tentar conter o “indomável” Amaro, Hartung vai controlar com rédea curta os partidos que pensam em compor com o candidato do Solidariedade. Nos meios políticos já se comenta que o governador já estaria trabalhando nos bastidores para afastar o DEM do palanque de Amaro, com o objetivo de enfraquecê-lo. 
 
Esses movimentos de Hartung, porém, parecem estar desagradando o deputado. Na apertada votação da CPI dos Empenhos, na qual o governo precisava de todos os votos dos aliados para derrubar o relatório de Euclério Sampaio (PDT), Amaro simplesmente “desapareceu” da sessão, deixando claro que não queria votar com o governo. Talvez um aviso ao seu “criador”. Amaro parece não estar disposto a ser usado como mera engrenagem do processo eleitoral palaciano. 

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