A possibilidade de o presidente da Assembleia Legislativa Theodorico Ferraço (DEM) não disputar a reeleição para o quarto mandato à frente da Mesa Diretora parece ter divido o plenário. Há quem acredite que o decano estaria blefando, ao não confirmar seu nome para a disputa. Boa parte dos deputados entendeu, porém, que o movimento foi de recuo mesmo. Neste contexto, quem pode se fortalecer é o vice-líder do governo na Casa, o jovem deputado Erick Musso (PMDB).
Outros nomes estão sendo cotados para a disputa, mas o de Musso é o que mais harmoniza o plenário. O deputado não é contestado pelos colegas, não tem situações que possam inviabilizar sua candidatura. Mas o fato de ser aliado do governador deixa o plenário ainda em suspense, à espera de um sinal verde do Palácio Anchieta, para saber se há aprovação do nome de Musso ou se o governo vai tentar emplacar outro deputado.
Já o nome do deputado Rodrigo Coelho (PDT), que ao retornar para a Assembleia pareceu ser o nome palaciano para a disputa, hoje já não reverbera no plenário. O próprio deputado não vem fazendo movimentos neste sentido. Outro pedetista cotado seria o deputado Josias da Vitória, mas depois da desistência dele em 2013, na eleição anterior da Mesa, seu eleitorado não está disposto a apostar as fichas neles. Os deputados Rafael Favato (PEN) e Hudson Leal (PTN) também teriam se insinuado, mas não teriam densidade para uma disputa.
Sobre os motivos que teriam levado Ferraço a desistir de disputar a reeleição, as interpretações são variadas. O fato mexeu com o plenário porque não se esperava um recuo depois de toda a movimentação para alterar o regimento interno da Casa, mais uma vez, permitindo a recondução dentro da mesma legislatura, o que beneficia diretamente o atual presidente.
Para alguns deputados, o fato de parte do plenário entender que esta é a hora para uma mudança no comando da Casa, teria deixado Ferraço inseguro em relação à disputa. Outra avaliação é a de que ascensão da mulher de Ferraço, Norma Ayub (DEM) ao mandato de deputada federal – na suplência de Max Filho (eleito prefeito de Vila Velha) – teria mudado os planos do presidente da Assembleia.
O deputado teria que gastar mais tempo para emprestar sua experiência no auxílio do mandato da mulher. Com pouco tempo para ganhar visibilidade, Norma precisa se fortalecer em Brasília e apresentar bons resultados para buscar a reeleição em 2018, uma meta para o grupo de Ferraço, além da necessidade de o presidente da Assembleia não se tornar um obstáculo ao projeto do filho, o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que tenta se credenciar para disputar o governo do Estado.
Ferraço está no comando da Casa desde 2012, com a saída do então presidente Rodrigo Chamoun do Legislativo para assumir uma cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCES). De lá para cá, três PECs foram aprovadas na Casa para permitir sua recondução ao cargo. A primeira para ocupantes de “mandato tampão”, a segunda para disputas em novas legislaturas e a terceira para permitir a recondução na mesma Legislatura. Até a primeira PEC, a reeleição para a Presidência da Assembleia era proibida.

