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Sem matrícula para 2016, estudantes ocupam Conde de Linhares

José Rabelo e Renata Oliveira

Cerca de 50 alunos da escola Conde de Linhares, localizada no Centro de Colatina, noroeste do Estado, ocuparam a escola no início da noite desta quinta-feira (10). Os estudantes protestam contra a não abertura de matrícula para o ano letivo de 2016 para os cursos técnicos oferecidos na escola.

 

 

Segundo um dos estudantes que faz parte da ocupação, Jeferson Assis, a ocupação já vinha sendo planejada pelos alunos. Na semana passada, eles promoveram atos nas ruas de Colatina para chamar a atenção sobre a manobra do governo do Estado, que não abriu as matrículas para o ano letivo de 2016 para forçar os alunos a se inscreverem no Escola Viva. O plano do governo era usar as boas instalações do Conde de Linhares para abrigar o programa “marqueteiro” do governo

Jeferson está no terceiro ano do ensino médio, ele faz administração, um dos cursos técnicos oferecidos pela escola. Como Colatina é um polo de confecção, o curso de modelagem é um dos que mais atrai alunos para a unidade. Com a implantação do Escola Viva, os cursos técnicos serão encerrados ou drasticamente reduzidos e pelo menos metade dos 800 alunos seriam transferidos para outras escolas da região. A outra metade seria matriculada no Escola Viva. Uma das escolas que pode receber o excedente de estudantes é a Rubens Rangel, onde foi elaborado uma “escala” para a utilização do ventilador, já que a rede elétrica não suporta que todos os aparelhos sejam ligados simultaneamente. 

A polêmica no Conde de Linhares começou depois que a comunidade escolar, após ser consultada, rejeitou a implantação do programa Escola Viva. No último dia 27 de novembro encerrou o prazo para as matrículas na rede estadual e as vagas da escola não foram disponibilizadas no sistema da Secretaria Estadual de Educação (Sedu).

Os estudantes que estão concluindo o nono ano do ensino fundamental estariam sendo assediados pelo governo, que quer matriculá-los no Escola Viva. Isso mostra que o governo não aceitou a decisão da comunidade, e quer implantar o programa à revelia da decisão da sociedade.

Ocupação

A ocupação, a exemplo do que vem ocorrendo em São Paulo, tem sido a estratégia dos estudantes para forçar o diálogo com o poder público. Dentro dessa estratégia, os alunos do Conde Linhares seguiram em passeata até a escola e iniciaram a ocupação por volta das 18 horas, após o término das aulas do período vespertino. Membros da Superintendência de Educação, que fica bem próxima à escola, tentaram impedir a ocupação e o clima ficou tenso. Os celulares de alguns alunos foram “confiscados” pelas funcionárias da Superintendência. A polícia manteve-se presente no entorno da escola para intimidar os alunos.

Mesmo assim, um grupo de 50 alunos conseguiu entrar e vai passar a noite na escola. Eles reivindicam a imediata abertura das matrículas na Conde de Linhares. Os alunos querem também abrir um canal de diálogo com a Secretaria de Educação. 

Para os alunos, a forma como o governador Paulo Hartung vem tentando implantar seu programa educacional não é democrático, pois não há diálogo com a comunidade escolar.

Na manhã desta sexta-feira (11), os estudantes fazem uma passeata pelas ruas de Colatina. Ao final da marcha, eles se concentram em frente à Superintendência de Educação em apoio ao colegas que fazem a ocupação. 

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