A entrevista da senadora Rose de Freitas (PMDB) ao jornal Valor Econômico desta sexta-feira (10) ratifica o discurso do governador Paulo Hartung, seu correligionário. Na entrevista, a senadora defende a política de austeridade de Hartung, com ajuste fiscal espartano que sacrificou as recomposições salariais de todo o funcionalismo do Estado.
Rose defendeu que a solução para a crise na segurança pública não deve passar por reajuste ou recomposição salarial, mesmo diante do impasse nas negociações entre o governo e as mulheres dos militares que reivindicam a autoria do movimento.
A senadora esteve há dois dias envolvida na negociação, puxada por um grupo de deputados, que buscava uma forma de atender às demandas da categoria, agora tem uma posição diferente. “A situação do Estado não permite aumento”, disse Rose ao Valor.
A posição de Rose, para os meios políticos, pode ser ainda um desdobramento da traumática reunião na Assembleia Legislativa, em que ela e outros 22 deputados estaduais tentaram mediar o conflito entre militares e governo, ouvindo representantes das entidades ligadas à PM e as mulheres dos militares.
Isso porque, os comentários nos bastidores foram de que o governo do Estado não teria gostado de ver a senadora, que é desafeta política do governador Paulo Hartung, na negociação. Assim como o deputado Josias Da Vitória (PDT), que havia defendido, na segunda-feira (6), a saída do secretário de Segurança André Garcia.
Desde a reunião, a maioria dos deputados tem preferido o afastamento do debate, e estão sendo barrados nos encontros entre as famílias e o governo. Da Vitória, na manhã desta sexta, após saber do fracasso das negociações, postou uma mensagem no Facebook. “Negociação, pressupõe-se: argumentar, discutir, ponderar, ceder. Não foi o que ocorreu. O governo apresentou uma pauta pronta, não aceita pelos representantes do movimento”. Em seguida, ele pondera: “Pelo menos o governo ouviu nosso apelo e abriu o diálogo, e isso já foi um grande passo”, tentou contemporizar o deputado.
Já a senadora Rose de Freitas falou nesta sexta-feira ao Balanço Geral da TV Vitória para esclarecer sua participação no episódio da Assembleia que causou o embróglio com o governo. Ela negou que tenha influenciado qualquer tipo de movimentação por parte das mulheres dos PMs. Que estava no aeroporto de Vitória quando foi chamada para uma reunião das entidades e que sugeriu que o encontro fosse na Assembleia. Disse que desde o início da crise vem buscando com o governo federal uma forma de amenizar o caos que se instalou no Estado.
O posicionamento da senadora, para os meios políticos, é uma forma de tentar amenizar o desgaste político que o impasse pode gerar, já que agora governo deixa claro que não vai negociar qualquer tipo de reajuste e endurece o debate com o movimento, pedindo a cabeça dos supostos incitadores do motim.
Quando o governador vai para a imprensa nacional e encontra respaldo em alguns formadores de opinião em seu discurso de austeridade, ir contra esse posicionamento pode ser prejudicial politicamente, em um momento delicado, o que poderia ser interpretado como oportunismo político.
Rose de Freitas é uma sobrevivente do cerco político do governador Paulo Hartung graças à sua postura flexível em alguns momentos. Na eleição de 2014, por exemplo, ela, embora fosse do mesmo partido do governador, foi abandonada por ele na campanha ao Senado. Hartung fez campanha velada para João Coser (PT), que hoje é seu secretário de Desenvolvimento Urbano.

