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Theodorico Ferraço retomou protagonismo político em 2025

Próximo da aposentadoria, prefeito pode realizar o sonho de ter filho governador

Leonardo Sá

O ano de 2025 marcou a retomada do protagonismo político de Theodorico Ferraço (PP) no Espírito Santo. Em seu quinto mandato à frente da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, na região sul, ele tem dado sinais de que pretende se aposentar em breve, mas ainda poderá desempenhar papel importante na tentativa de eleger o seu filho, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), como governador em 2026 – um sonho adiado desde 2010, quando o ex-governador Paulo Hartung (PSD) lhe passou uma rasteira.

O destino de Theodorico Ferraço começou a mudar no início de 2024. Na época, era um deputado estadual que só participava de sessões à distância, pela internet, devido à idade avançada e a questões de saúde. No plano municipal, participava ativamente das articulações visando a candidatura do então vereador Júnior Corrêa a prefeito – na época, filiado ao Partido Liberal (PL).

Entretanto, em fevereiro daquele ano, Júnior Corrêa entrou em conflito com o senador Magno Malta, teve uma crise existencial e anunciou que deixaria tudo para se tornar padre. A movimentação inusitada no tabuleiro eleitoral acabou abrindo brecha para que o próprio Theodorico passasse a ser considerado para estar à frente de uma chapa na disputa majoritária de Cachoeiro.

Muita gente duvidava que sua candidatura fosse possível, mas Ferração se apresentou como a melhor alternativa de “representante de classe” para o setor empresarial cachoeirense. Informações de bastidores dão conta ainda de que houve uma articulação decisiva com Renato Casagrande (PSB), apesar de o governador ter apoiado a candidata Lorena Vasques (PSB), ex-secretária municipal do então prefeito Victor Coelho (PSB).

Theodorico Ferraço se candidatou a prefeito trazendo de volta à cena a “juventude” de Júnior Corrêa, agora filiado ao partido Novo, e venceu com quase dois dígitos de vantagem sobre o segundo colocado. Conforme análise das eleições de 2024 feita por José Luiz Orrico, diretor político da Futura Inteligência, para Século Diário, a eleição de Ferraço para o seu quinto mandato significou um desejo de retorno da população cachoeirense a um passado idealizado, em que o município contava com mais prestígio socioeconômico.

Nas quatro eleições anteriores, numa espécie de desejo de mudança dos cachoeirenses, Theodorico Ferraço amargou derrotas, diretas ou indiretas. Em 2008, perdeu de Carlos Casteglione (PT), em uma virada eleitoral que parecia improvável. Nos pleitos seguintes, os candidatos que apoiou também perderam: Glauber Coelho (PR) em 2012; Jathir Moreira (SD) em 2016; e Diego Libardi (DEM), em 2020.

Aos 88 anos, Theodorico Ferraço está em sua terceira licença do cargo de prefeito desde que assumiu, em janeiro, e não seria exagero pensar na probabilidade de ele deixar o cargo antes mesmos dos quatro anos de mandato. Afinal, o projeto inicial era mesmo fazer seu vice se tornar chefe do Executivo cachoeirense.

Mesmo assim, parece incorreto dizer que Júnior Corrêa sempre foi o prefeito de fato, como muitas vezes é comentado nos meios políticos. O capital político acumulado de Theodorico Ferraço tem desempenhado papel fundamental na gestão. Basta ver o projeto de Distrito Industrial, que já conta com recursos milionários para ser colocado em prática, em menos de um ano de governo. Nas mãos de Ferraço, uma proposta que poderia ser considerada como um grande risco é classificada como obra de um visionário, sendo aprovada sem escrutínio popular.

Júnior Corrêa tem perfil diferente, e inclusive era bastante crítico da gestão do “socialista” Renato Casagrande antes de entrar na prefeitura. Ferraço, ao contrário, mantém relações estreitas com o governo estadual, e pode ter papel relevante na articulação de lideranças em torno do projeto governista. Uma demostração disso ele já deu com o almoço oferecido em outubro ao prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), pré-candidato a senador.

Em junho, o prefeito de Muqui, Camarão, também declarou “apoio incondicional” a Ricardo Ferraço, indo de encontro às movimentações do Partido Liberal (PL), pelo qual se elegeu. Isso se deveu, principalmente, à parceria de longa data que Camarão e Ferraço mantém.

Ainda não se sabe por mais quanto Theodorico Ferraço se manterá na ativa, mas ele demonstra que ainda tem “lenha para queimar”.

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