quinta-feira, abril 9, 2026
23.9 C
Vitória
quinta-feira, abril 9, 2026
quinta-feira, abril 9, 2026

Leia Também:

Troca repentina do comando da Cesan surpreende mercado político

Embora o burburinho pelo assunto tenha surgido ainda na semana passada, a confirmação da saída de Denise Cadete da presidência da Cesan foi antecipada por Século Diário nessa segunda-feira (5). A notícia pegou o mercado político de surpresa, sobretudo porque a substituição acontece em pleno agravamento da crise hídrica do Estado e após o governo ter assinado um empréstimo de R$ 1 bilhão com o Banco Mundial para o Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem. Detalhe, boa parte desse dinheiro será administrado pela companhia.
 
Aliás, a crise pode ser um das motivações da queda da diretora-presidente. Na segunda-feira, quando a substituição na Cesan já era dada como certa, Denise Cadete participava de uma coletiva para anunciar medidas para conter o uso de água no Estado, também conhecidas como racionamento. Nessa terça-feira (6), o governo confirmou a saída de Denise e anunciou Pablo Ferraço Andreão para o seu lugar. 
 
Cesan está racionando o abastecimento de água para dez localidades do interior nas regiões norte e Serrana do Estado. Outras cinco localidades estão em situação extremamente crítica, mas não começaram a racionar água: Distrito de Braço do Rio, em Conceição da Barra, Sede de Pinheiros, Sede de Montanha; Sede de Mantenópolis e Distrito de Santa Luzia de Mantenópolis, em Mantenópolis. Outras dez localidades também do norte e nas regiões centro-norte e sul também estão em situação crítica.
 
Politicamente, o governo do Estado tenta evitar que a crise ganhe projeção. Dez meses após assumir o governo, a repercussão negativa trazida pela falta de água, ainda mais com as altas temperaturas na primavera, pode trazer prejuízos para a imagem do governador. Pode revelar também que sua preocupação com os cortes de gastos para formar caixa podem ter permitido que as medidas para evitar o agravamento da seca fossem proteladas. 
 
Neste sentido, a queda da presidente da Cesan tira da mesa do governador a responsabilidade pela crise e coloca na conta de Denise Cadete. A ideia pode ser a de evitar um desgaste político como o sofrido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que também demorou muito para começar a tomar medidas para enfrentar a seca que abateu o Estado paulista. Alckmin sofreu e segue sofrendo com a crise hídrica. 
 
Denise foi deslocada para uma diretoria do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes). Para o lugar dela, foi Pablo Ferraço Andreão, que é engenheiro civil e foi diretor de Meio Ambiente da Odebrecht. Também atuou nas gestões de Carlos Casteglione e, bem antes disso, de Theodorico Ferraço, na Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim. 

Mais Lidas