Quarta, 29 Junho 2022

​Troca-troca partidário reconfigura Assembleia e Câmara Federal

ales_2022_ellencampanharo_ales Ellen Campanharo/Ales
Os últimos dias foram de intensa agitação nos bastidores da política capixaba. Agora, após o fim da janela partidária, a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal têm novas configurações em relação às siglas representadas. Quase metade dos deputados estaduais mudou de partido nos últimos dias, num total de 14 dos 30 legisladores. Na maioria dos casos, as mudanças se deram muito menos pelos aspectos ideológicos e mais pelas estratégias eleitorais. Alguns partidos foram esvaziados pelas possíveis dificuldades para conseguir atingir a legenda necessária, outros por terem chapas consideradas "fortes", no qual seria preciso superar internamente concorrentes que costumam ter alta votação. Tudo de acordo com a leitura e tática de cada parlamentar.

Na dança das cadeiras, o resultado ficou o seguinte: pese a saída de Sérgio Majeski, que voltou para o PSDB, com o retorno de Janete de Sá (ex-PMN) e a adesão de Luciano Machado (ex-PV), o PSB do governador Renato Casagrande ficou com a maior bancada, com cinco deputados, seguido do PP, PDT e PSDB, com quatro cada.

Embora tenha perdido seu único deputado eleito, Renzo Vasconcelos, que foi para o PSC, o PP somou as filiações de Marcos Garcia (ex-PV), Raquel Lessa (ex-Pros) e Theodorico Ferraço (ex-União), que entrou em conflito com o deputado federal Felipe Rigoni, quando este passou a controlar o partido após a fusão com o PSL que deu origem ao União Brasil. Rigoni se coloca como pré-candidato a governador, o que provocou uma debandada da sigla, que perdeu representação na Casa.

O PSL havia tido a maior bancada eleita em 2018, com quatro deputados, mas a saída do presidente Jair Bolsonaro após atritos no partido, em 2019, repercutiu também no desligamento de alguns nomes, como Capitão Assumção, que foi expulso, se filiando primeiro ao Patriotas, e mais recentemente, ao PL. Danilo Bahiense foi para o mesmo partido e Torino Marques para o PTB, também aliado do presidente.

Já Alexandre Quintino, que se afastou do bolsonarismo e se manteve aliado do governador Casagrande, optou de rumar para o PDT, onde agora forma bancada com Luiz Durão, que havia assumido em 2021 como suplente, e com os novos Adilson Espindula (ex-PTB) e José Esmeraldo (ex-MDB).

Com a saída de Esmeraldo e Hércules, que ainda não anunciou qual seu destino, o MDB, que sempre figurou entre as maiores bancadas, também estará sem representação. Com as diversas mudanças, também ficaram sem nenhum deputado PV, que perdeu suas duas cadeiras, Avante, Pros e PMN.

Já os partidos que não tinham representação e passaram a contar com um mandato foram o PSC, que ganhou a filiação de Renzo Vasconcelos (ex-PP) e Alexandre Xambinho (ex-PL), e o DC, que teve adesão de Carlos Von (ex-Avante). Já o PSC e o DC passaram a ser representados na Casa. O primeiro com dois deputados (Renzo Vasconcelos e Alexandre Xambinho) e o segundo com um (Carlos Von).

Câmara Federal

Na Câmara Federal, o troca-troca também foi amplo. Dos dez deputados federais capixabas, se mantiveram em seus partidos Helder Salomão (PT), Evair de Mello (PP), Amaro Neto (Republicanos), Lauriete (PSC) e Paulo Foletto (PSB), que reassumiu a vaga após ocupar a secretaria estadual de Agricultura, da qual teve que se descompatibilizar para concorrer novamente ao cargo, que nos últimos anos foi tocado por seu suplente Ted Conti (PSB). O outro eleito pelo PSB, Felipe Rigoni, foi para o União Brasil antes mesmo da abertura da janela partidária, depois de conseguir na justiça a troca sem perder o mandato.

No rearranjo da bancada federal, quem mais ganhou foi o PP, que figura na aliança que apoia Bolsonaro. Além de Evair, entraram Norma Ayub, que assim como o marido Theodorico Ferraço saiu do União Brasil, Neucimar Fraga (ex-PSD) e Da Vitória, que quer construir candidatura ao Senado e saiu do Cidadania. O PTB ganhou reforço na Câmara com Soraya Manato, ex-União Brasil, que foi barrada de entrar no PL, no qual seu marido Manato tentará o governo estadual. O ex-senador Magno Malta, que comanda o partido no Espírito Santo, havia prometido aos pré-candidatos de não inchar mais a chapa do partido para a Câmara.

No Senado, onde a eleição é majoritária e não há risco de perda de mandato, não houve necessidade de recorrer à janela partidária para troca de partido, mas os três representantes capixabas mudaram de siglas em seus mandatos. Rose de Freitas, única que disputa a reeleição em 2022, havia saído do Podemos e voltado para o MDB no ano passado. Fabiano Contarato saiu da Rede este ano e se filiou ao PT, avaliando a possibilidade de ser candidato ao governo, e Marcos Do Val havia trocado o Cidadania, pelo qual se elegeu, pelo Podemos.

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