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Quinta, 29 Outubro 2020

'?? um ano de muita conversa e até muita turbulência'

'?? um ano de muita conversa e até muita turbulência'

“Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso, e trabalhar em conjunto é a vitória”



Henry Ford





O presidente regional do PSB, Macaciel Breda, entende que o ano de 2013 será de muita movimentação política no Estado, e apesar do alerta do governador Renato Casagrande sobre a antecipação do debate eleitoral de 2014 em nível nacional, será muito difícil segurar o debate nos partidos.



Para Macaciel Breda, a dicotomia eleitoral que se estabeleceu entre PT e PSDB no País tem sido prejudicial à democracia e o momento de se colocar em debate outros projetos políticos é apropriado. Por isso, embora defenda a posição do governador Casagrande do ponto de vista institucional, na preservação da base da presidente Dilma Rousseff, também garante que o partido vai trabalhar no Estado pelo fortalecimento da imagem do presidente nacional do partido, o governador de Pernambuco Eduardo Campos.



O socialista analisa as variáveis colocadas e, embora afirme que é difícil fazer um prognóstico do cenário para o próximo ano, acredita que haverá reflexos das movimentações nacionais na costura de alianças no Estado. Manter a base de sustentação do governador Casagrande no palanque de reeleição, vai depender muito da capacidade do governador de administrar as reivindicações das lideranças do arco de aliança.





Século Diário – O governador Renato Casagrande se pronunciou na quarta-feira (27) sobre as movimentações que estão acontecendo em nível nacional para a eleição presidencial de 2014, declarando que está sendo antecipado o debate e isso é prejudicial para o País. O PSB do Estado concorda com a posição do governador?



Macaciel Breda – Em termos, sim, porque do ponto de vista dos governos hoje, estaduais e federal, qualquer antecipação desse debate por si só já traz um prejuízo do ponto de vista da governança. Do ponto de vista dos partidos, não tem jeito, porque esta pauta vai acontecendo na medida em que as suas lideranças se movimentam. Por isso, concordo em termos. A dicotomia que virou a disputa nacional, de um lado o PT e do outro o PSDB, de uma certa forma, não contribui para a democracia brasileira. Então, o debate eleitoral é positivo neste sentido, principalmente para os partidos políticos que estão se colocando no processo. Agora, de fato, é muito cedo para se fazer qualquer prognóstico, qualquer tomada de decisão.



– No Estado, o governador foi eleito em 2010 com um leque de 16 partidos, tendo como carro-chefe a aliança entre PSB, PT e PMDB. E esses primeiros movimentos de bastidores apontam para uma repetição em 2014 desse cenário. Esta movimentação que se dá em nível nacional pode ter influência na construção da aliança que vem sendo feita no Espírito Santo?



– Acho que este ano ainda não, porque nenhuma decisão será tomada antes de 2014. Pode trazer um certo incômodo, uma certa movimentação das legendas aqui, mas como você tem uma cultura recente de aliança mais ampla... a aliança que sustenta o governo Renato Casagrande não se formou no governo do Renato, ela vem lá de trás, 2002, principalmente. Por isso, eu entendo que ela tem uma consolidação mais forte que a própria aliança nacional, que às vezes têm outros ambientes, outros elementos que vão acabar influenciando na aliança que sustenta o governo da presidente Dilma Rousseff. Nesse aspecto, entendo, que o debate vai refletir, os partidos vão conversar sobre o assunto, as lideranças vão colocar isso, mas na formação da futura chapa que busca trazer a candidatura do governador Renato Casagrande à reeleição, me parece que ela tem hoje um histórico de consolidação bem diferente do que está posto em nível nacional.



– Mas no Estado começamos a ver movimentações de outros partidos desta aliança fora da trinca PT-PSB-PMDB. O PDT aparece reivindicando a vice e o PR faz uma sinalização de que pode romper com o governo e lançar uma candidatura de oposição. Como o partido trabalha neste início de movimentação?



– Também trabalhamos com esse cenário primeiro mais lógico, que é a base principal de sustentação do governo, PSB, PT e PMDB, mas o governo sempre se relacionou muito bem com essa composição que inclui o PDT, o PR, o próprio DEM, PV e uma série de outros partidos que acabam exercendo tanto dentro do governo, como na relação política de sustentação da base, uma importância muito grande. Para nós está claro que o debate está só começando, da mesma forma que está muito claro que as decisões só virão a partir de março, abril do próximo ano, quando, aí sim,  o quadro da sucessão de Renato estará mais definido. Por isso, acredito que é justo, é necessário, é legítimo que o PDT se coloque nesse processo, assim como o PT e o PMDB, o PR... o próprio PSDB, que daqui a pouco se coloca como parte dessa aliança do governador e parece muito lógico que há quase dois anos do final do governo, os partidos comecem a se posicionar, buscando abrir os seus espaços nesse futuro quadro que vai se formando para o ano que vem.



– Existe também um movimento contrário do PSDB, dizendo que não quer cargo no primeiro escalão; o PSD também marca uma posição de afastamento seguro. Há um movimento de atração e repulsa também, não é?



– Aí eu acho que está em jogo a própria habilidade de governabilidade e de diálogo do governador Renato Casagrande. Ele tem o perfil que é reconhecido no meio político de ser uma liderança que conversa muito, que escuta muito. Ele tem essa capacidade de dialogar com muita habilidade. Essa capacidade de diálogo do governador vai ser muito importante até para administrar essas demandas que vão chegando com os partidos que ainda não se posicionaram muito claramente sobre 2014. Mas é um ano de muita conversa e até muita turbulência, isso não dá para negar. Este espaço para o debate político está posto.



– Este ano há um elemento complicador que é o fato de só haver uma vaga ao Senado, que inclusive seria a vaga do governador. Isso acaba acirrando mais essa disputa por espaço no palanque. Como o partido vê essa movimentação para a disputa ao Senado?



– Para o partido está claro que o pleito para o PSB voltar a disputar o Senado, neste 2014, está fora de cogitação, então a gente parte desse princípio. Também entendemos que os partidos que estão dentro deste projeto da aliança, o partido que ocupar essa vaga, obviamente terá que entender que deve ajudar na composição dos outros espaços na aliança. Como você tem hoje lideranças já se colocando no processo, como é o caso do ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), como... não se colocando, mas volta e meia vem à tona a questão da possível candidatura do ex-governador Paulo Hartung (PMDB)...



– Que inclusive foi incitada pelo prefeito da Serra, Audifax Barcelos, do PSB...



– Exatamente. Então você tem aí duas legendas, PMDB e PT, que tem de fato condições privilegiadas, até pelo papel que desempenham na política nacional e o papel que têm hoje dentro do governo do Estado. Certamente são duas legendas privilegiadas neste debate.



– E são duas legendas que também sempre atuaram ao lado do PSB, tanto em disputas estaduais, como municipais.



– Correto. Nesse sentido,  entendemos que são postulações óbvias e tranquilas de entender. Mas não podemos, nem o PSB, nem o PMDB, e nem o próprio PT fechar o debate acerca de outras pretensões que podem ser colocadas no decorrer do processo. Temos que compreender que estamos no início das conversas para a montagem desta futura chapa.



– Após a eleição municipal de outubro, ficou evidenciado que PSB, em sua pretensão de fortalecimento no País fora do Nordeste, conseguiu um crescimento significativo mesmo apenas no Espírito Santo. Foi o segundo do País, com 28,2%, ficando atrás apenas de Pernambuco, com 31%. O que representa esse crescimento no Estado dentro do PSB Nacional?



– É nisso que reside a necessidade de se aprofundar o debate do posicionamento do PSB nacionalmente. Qualquer projeto nacional que não esteja bem posicionado no eixo Sul-Sudeste, tem de antemão uma dificuldade de apresentação. Você está falando de uma fatia significativa do eleitorado brasileiro. Agora, o debate por si só se encarrega de suprir essas necessidades partidárias. Se você pegar históricos mais recentes, vai observar que é possível lideranças fora desse eixo crescerem, mesmo sem ter uma base sólida de prefeituras, de governos estaduais ou até mesmo de bancadas parlamentares.



Esse desafio, para nós do PSB do Espírito Santo, está muito claro. É um desafio que a liderança de Eduardo Campos do PSB Nacional, vai ter que enfrentar e no decorrer de 2013, até meados de 2014, conseguir superar o processo de avaliação do próprio governador Eduardo. É por isso que tratamos esse debate com muita tranquilidade no PSB, porque o resultado eleitoral de 2012 nos remeteu a esse papel de força política nacional significativa e importante. Nesse vento, vem a liderança do governador Eduardo Campos, mas quando o governador Renato Casagrande diz que é muito cedo para se tomar qualquer decisão, eu avalio nesse sentido. É muito cedo, porque o 2013 nos trará o resultado do que o PSB vai fazer em 2013 em busca de ocupar esse espaço na política nacional.



– O governador Eduardo Campos se reuniu com prefeitos do Nordeste recentemente, houve, inclusive, um grande encontro com os prefeitos de Pernambuco, para fechar esses eventos. Nós achamos estranho que não tivesse havido nenhuma movimentação aqui no Estado, diante deste dado de crescimento que o Espírito Santo apresentou. O PSB capixaba não estaria sendo discriminado pelo PSB Nacional?



– Eu entendo que não. No planejamento da Direção Nacional com os prefeitos, no final do ano passado, um encontro que reuniu todos os prefeitos do Brasil, tirou como diretriz os encontros regionais. Possivelmente, essa atividade que já aconteceu no Nordeste deve se repetir aqui no Sudeste. Não sei se será possível pensar em um encontro com os prefeitos e lideranças do Espírito Santo, mas na região certamente acontecerá, nesse plano nacional de organização do partido. Além disso, há um outro ponto que temos que destacar que é o fato de termos o governador Casagrande como secretário-geral do partido. Então nesse processo sempre muito harmônico, Eduardo e Renato têm discutido essas questões relacionadas ao partido. Nesse sentido, eu diria, que é até um pouco o inverso, o PSB estadual acaba gozando desse relacionamento de forma privilegiada com a Direção do partido e com o presidente Eduardo.



– Hoje no PSB Nacional qual é a tendência? Apoiar Eduardo em uma candidatura à presidência, discordar e manter os cargos no governo federal, ou seguir dividido? O partido está dividido?



– Eu diria que, ao meu ver, não dá para ter um diagnóstico preciso. Tem um ponto de vista que é consenso: neste momento o partido precisa dar vazão ao seu projeto nacional, construindo essas relações além do Nordeste, com a liderança do Eduardo, retomando os debates nacionais, que a população almeja, como a reorganização das cidades, tem aí todo esse desafio das políticas públicas, como educação, saúde, segurança, que têm tido resultados pouco satisfatórios, na política do governo federal. Então, esse é um consenso . O partido entende que é o momento de ocuparmos esse espaço de debate, e obviamente nesse espaço de debate construir no final de 2013 para 2014 o projeto que vai dar segurança para tomar essa decisão.



– Então essa declaração de Ciro Gomes de que Eduardo Campos não tem uma proposta de governo para o País não se sustenta, porque ela está sendo construída...



– Ela pode ser avaliada em parte, porque o partido está se propondo do final do ano passado para cá a construir isso dentro de 2013. É lógico que você não pode tomar isso como um projeto pronto, embora possa estar na cabeça de alguém, mas esta construção se dará em 2013. Por isso, eu acho que ela não tem sentido em si. Ela pode avaliar parcialmente, considerando o momento em que a gente está. Mas o partido tem como orientação nacional fazer esse processo de debate em 2013 a consolidação desse projeto com mais clareza.



– Por enquanto temos uma candidatura certa que é a da presidente Dilma Rousseff. Há uma discussão no PSDB em torno do nome do senador Aécio Neves, o PSB vem com essa proposta capitaneada por Eduardo Campos, e ainda temos a construção do projeto da Rede Sustentável, com Marina Silva e seus 20 milhões de votos de 2010, que certamente trariam um impacto na disputa de 2014. Imaginado esse cenário futuro, como ficaria, na sua opinião, o cenário local?



– Essa aliança que governa o Espírito Santo hoje tem uma certa experiência de conviver com mais de um palanque. Na última eleição presidencial já convivemos com essa situação. A aliança que sustentava o palanque do governador Renato Casagrande conviveu com o palanque da presidente Dilma e o que sustentou o palanque de Marina Silva. Acho que essa experiência de convivência ampla que temos aqui no Espírito Santo vai facilitar a formação desses interesses de 2014. Agora, a inquietação se dará durante 2013, porque na verdade os prefeitos precisam governar e o governador também. Esse debate vai ficar no interior dos partidos. As lideranças vão lidar com esse debate. E como ninguém tem bola de cristal, vai ser na interpretação que cada um tiver condição e disposição de fazer.



Eu acho que é muito cedo para se fazer uma previsão de quem virá a presidente em 2014. No PSB temos essa visão de forma muito clara, nós podemos ter muita vontade, acho que o partido vai se envolver nesse projeto de viabilização da candidatura do governador Eduardo Campos, mas é um projeto que precisa ser trabalhado com o pé no chão em 2013, para só em 2014 poder se posicionar, até porque a aliança que a gente mantém com o governo da presidente Dilma é bastante consolidada e quanto a isso não há nenhuma dúvida, o partido quer, em 2013, dar vazão e cumprir com nosso papel de base aliada do governo federal, e me parece que há uma segurança nesse sentido para dizer aos partidos aliados que o PSB não vai nem em 2013 nem em 2014 tomar decisão que seja desalinhada dessa avaliação mais responsável em relação ao País e também ao Espírito Santo.

 

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