Federação fala em evitar “improvisações” e “atalhos retóricos” ao referendar apoio

A federação partidária União Progressista (UP), formada por União Brasil e PP, lançou um manifesto nesta segunda-feira (23) para consolidar seu apoio à pré-candidatura do vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), ao Governo do Estado, visando as eleições de outubro deste ano. O anúncio oficial junto a apoiadores aconteceu em evento com filiados e apoiadores na sede estadual do Progressista, na Enseada do Suá, em Vitória.
Iniciando com a frase “Nada será como antes”, em referência a uma música de Milton Nascimento, o texto apresenta os motivos para se juntar ao bloco governista, uma decisão que já havia sido tornada pública anteriormente.
O manifesto destaca a “reorganização institucional” do Espírito Santo nas últimas décadas, com restabelecimento de “responsabilidade fiscal” e “capacidade de planejamento”. “No interior do Espírito Santo costuma-se dizer que casa que tem alicerce não teme tempestade”, diz o texto, falando ainda sobre a necessidade de se pensar uma renovação com “seriedade”, por não ser “atributo etário nem peça publicitária”.
“O Espírito Santo não precisa de improvisações nem de atalhos retóricos. Precisa transformar estabilidade em expansão produtiva, responsabilidade fiscal em ambiente favorável ao investimento e previsibilidade institucional em inovação e eficiência. Esse movimento exige liderança capaz de compreender a complexidade do Estado contemporâneo e conduzi-lo com equilíbrio e visão”, defende a federação.
Nesse sentido, de acordo com o manifesto, “há momentos em que a política se organiza em torno de nomes; e há aqueles em que precisa se organizar em torno de projetos de Estado”. E a situação atual, portanto, pede pela continuidade do projeto que está do Governo do Estado atualmente.
“A trajetória pública de Ricardo Ferraço, construída como vereador, deputado estadual, deputado federal, senador da República e vice-governador por dois períodos, revela preparo técnico e familiaridade com a complexidade decisória que o próximo ciclo exige. Sua experiência representa capacidade de transformar estabilidade em direção estratégica”, exalta o manifesto.
Organização das chapas
Ao mesmo tempo em que alinha os ponteiros com o grupo do governador Renato Casagrande (PSB), que vai renunciar ao mandato para se candidatar a senador, a União Progressista se articula para encorpar suas chapas para deputado federal e estadual, e deve negociar espaço de destaque na chapa, seja o Senado ou a vice.
A federação se tornou destino de políticos do Republicanos, partido alinhado à pré-candidatura do prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini a governador. Entre eles está o prefeito de Mimoso do Sul (sul do Estado), Peter Costa, que vai deixar o mandato na semana que vem para tentar uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PP.
Os deputados federais Messias Donato (União) e Amaro Neto (PP) também se juntaram à federação recentemente, e vão tentar reeleição. A chapa para o Congresso Nacional da UP contará ainda com a presença do deputado estadual Marcelo Santos, presidente do União Brasil no Estado, e o deputado federal Da Vitória (PP), presidente estadual da União Progressista – mas também cotado como candidato a senador. O deputado federal Evair de Melo (PP) também integra o bloco, mas tenta se viabilizar no palanque de oposição, liderado pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Em fevereiro, outros prefeitos do sul do Estado foram anunciados no PP: Gedson Paulino, de Iconha, também oriundo do Republicanos; e Zé Valério, de Jerônimo Monteiro, que estava no Partido Social Democrático (PSD). Rodrigo Borges, prefeito de Guarapari, também saiu do Republicanos, mas ainda está se decidindo entre os dois partidos da União Progressista. Nenhum deles, porém, será candidato em 2026.

