Pré-candidato, Júnior Corrêa ficou apenas dois meses à frente da pasta da Educação

O vice-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Júnior Corrêa (Novo), foi exonerado nesta quarta-feira (25) do cargo de secretário municipal de Educação, que ocupava desde o último dia 27 de janeiro – ou seja, ficou apenas dois meses na pasta. Em seu lugar, assumiu interinamente Aretuza de Almeida Lima. Em nota, a prefeitura informou que “a saída ocorre em cumprimento às regras eleitorais de descompatibilização, o que o torna apto a disputar as eleições de 2026”.
Todos os movimentos de Corrêa neste ano causam surpresa. Antes mesmo de assumir, o prefeito Theodorico Ferraço (PP) havia dito que o vice cumpriria o papel de “gerente-geral” do governo. Isso se confirmou no primeiro ano da gestão, quando Juninho assumiu a titularidade do executivo em três períodos em que Ferraço se licenciou.
Entretanto, logo no início do segundo ano de mandato, veio a nomeação de Juninho para a Secretaria de Educação, prendendo-o a uma pasta complexa e com demandas muito específicas. Agora, a notícia de que se coloca como possível candidato nas eleições deste ano dificulta ainda mais o entendimento sobre quais os planos políticos do grupo de Ferraço/Corrêa. Quem ficará na retaguarda de Theodorico se Júnior se eleger? O prefeito, nunca é demais lembrar, vai completar 89 anos em novembro, e já precisou se ausentar do mandato por motivos de saúde.
Uma informação que corre nos bastidores é de que Júnior se desincompatibilizou para ficar como um “plano b” de Theodorico Ferraço, caso sua esposa, Norma Ayub (PP), não conseguir se candidatar. Norma deixou seu cargo na prefeitura nessa terça-feira (24) e se coloca como pré-candidata a deputada estadual, mas, tendo em vista que seu enteado, Ricardo Ferraço (MDB), vai assumir o Governo do Estado em abril, poderá ficar impedida de erguer palanque por conta das regras eleitorais.
Mesmo assim, ao contrário de Ayub, Juninho estaria se colocando como pré-candidato a deputado federal. Ele já disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2022, obtendo 37,7 mil votos e terminando na primeira suplência do Partido Liberal (PL). Inclusive, quando Gilvan da Federal (PL) estava para ser suspenso do mandato, cogitou-se a possibilidade de Júnior reivindicar a ocupação da vaga como substituto, mesmo não sendo mais filiado ao PL, e passar um tempo em Brasília ajudando a “buscar recursos” para Cachoeiro. Acabou que Gilvan foi suspenso por menos de seis meses e não houve necessidade de chamar o suplente.
Haveria outro ponto em jogo: a indecisão de Dr. Bruno Resende (União) a respeito de seu partido – era cogitado no Podemos, mas recuou. Resende é pré-candidato a deputado federal e seria o preferido do grupo de Ferraço. Entretanto, isso pode mudar se o deputado estadual decidir se filiar a alguma sigla não alinhada ao grupo de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande. Nesse caso, Júnior também seria uma alternativa para a disputa.
Foi o bom resultado nas eleições de 2022 que catapultou Júnior para a pré-candidatura a prefeito no pleito seguinte. Mas então surgiu o episódio, quase folclórico, em que Corrêa anunciou que desistiria de tudo para se tornar padre. Pouco tempo depois, voltou atrás novamente, mudou de partido e foi anunciado como vice de Theodorico Ferraço.
Antes de o mandato na prefeitura começar, especulava-se a possibilidade de Theodorico se tornar uma espécie de “Rainha da Inglaterra”, deixando para Júnior a parte principal da gestão. Tendo em vista os movimentos mais recentes do vice, pode-se dizer que essa hipótese não se confirmou.
Mais pré-candidatos
O secretário estadual de Turismo e ex-prefeito de Cachoeiro, Victor Coelho (PSB), também é pré-candidato a deputado estadual. A candidata que apoiou para sucedê-lo nas eleições de 2024, Lorena Vasques (PSB), subsecretária em sua pasta, é pré-candidata a deputada federal. Inicialmente, a pretensão do Partido Socialista Brasileiro era fazer o inverso (Victor na Câmara dos Deputados e Lorena na Assembleia Legislativa), mas Coelho considerou que teria mais chances na disputa estadual.
Atualmente, três deputados estaduais possuem base eleitoral em Cachoeiro. Allan Ferreira (Podemos) é o único deles que têm se colocado como candidato à reeleição. Dr. Bruno Resende pretende se candidatar a deputado federal e Callegari (DC) decidiu abandonar o Partido Liberal (PL) no ano passado para sustentar a sua pré-candidatura ao Senado Federal.
Aliado de Callegari, o ex-vereador cachoeirense Léo Camargo (PL), que ficou em segundo lugar na disputa pela Prefeitura de Cachoeiro em 2024, também é pré-candidato a deputado estadual. Especulava-se que pudesse migrar para o União Brasil para disputar vaga de deputado federal, mas isso não se confirmou.
Nessa terça-feira, Renata Fiório (PP) deixou a Secretaria Municipal de Saúde e retornou à Câmara de Vereadores visando candidatura para deputada federal. Outros três vereadores de Cachoeiro deverão disputar as eleições deste ano, mas todos com candidaturas para a Assembleia Legislativa: Vandinho da Padaria (PSDB, avalia mudar de partido) e Coronel Fabrício e Creone da Farmácia, ambos do PL.

