O quadro sucessório estadual andará de acordo com as alianças políticas que se formam em nível nacional, caso se confirmem declarações recentes do deputado federal e ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT).
Ao rechaçar qualquer aliança que não inclua o candidato a presidente da República por seu partido, o ex-ministro Ciro Gomes, Vidigal dá ao quadro sucessório estadual uma dimensão maior.
O presidente estadual do PDT trabalha para viabilizar o fortalecimento de Ciro no Estado, a partir de acordos entre lideranças no âmbito nacional, com o objetivo de desmobilizar plataformas de apoio de candidaturas que não agreguem ao projeto de seu partido.
Entre elas, as do palanque do ex-governador Renato Casagrande à sucessão de Paulo Hartung. O prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), seu desafeto político, com cautela se aproxima do ex-governador, que é do PSB.
Na cena política nacional, sabe-se que o partido de Casagrande terá cacife alto nas eleições deste ano, que inclui recursos o Fundo Partidário e de outras fontes para bancar candidaturas na disputa nos estados para as Assembleias e Câmara dos Deputados.
Isso porque o candidato a presidente da República, Geraldo Alckmin (PSDB), sai do governo de São Paulo em abril e deixa no cargo seu vice, Márcio França, presidente do PSB paulista. Durante oito meses, será ele quem dará as cartas à frente do mais poderoso Estado brasileiro.
O vice-governador paulista fala abertamente que o cargo poderá abrir caminho para ele montar uma “coligação robusta” para a reeleição. “Se eu assumir o governo, serei candidato à reeleição. Não sou uma extensão do PSDB e terei liberdade para fazer alianças”, tem afirmado à imprensa.
São Paulo é um dos estados onde as conversas com o PDT estão avançadas desde novembro do ano passado, assim como Rio Grande do Sul, Paraíba, Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe e Espírito Santo.
Nesse quadro, poderão ser viabilizadas alianças entre o PDT de Vidigal e o PSB do ex-governador Renato Casagrande, alterando sensivelmente a correlação de forças no segundo maior colégio eleitoral do Estado.
Esse desequilíbrio poderá gerar novas composições e surgir nomes considerados como improváveis no atual processo sucessório, como o do prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), já anunciado como pretendente.
Seria uma alternativa à candidatura do vice-governador, César Colnago (PSDB), alvo de constantes ameaças veladas de setores do Palácio Anchieta, visando barrar suas pretensões de ter confirmada a candidatura ao governo.

