Na última quinta-feira (10), a comissão que discute a reforma política, entre tantos pontos políticos do sistema eleitoral, teve a chance de acabar com uma situação bem controversa. Teve a chance, mas não mudou. Por 16 votos a 10, os parlamentares mantiveram a prática da indicação de dois suplentes para os cargos de senadores.
O relator Vicente Cândido (PT-SP) até sugeriu uma fórmula, também questionável para a substituição dos senadores, com a ascensão pelo deputado mais votado do partido ou coligação do titular. Mas no frigir dos ovos ficou tudo como está e na eleição do ano que vem, os candidatos ao Senado vão estar em campo procurando suplentes do campo empresarial.
Hoje o plenário do Senado conta com a presença de 13 suplentes e o que chama atenção é o fato de que alguns deles não têm qualquer afinidade com o metier político. É claro que não dá para generalizar, afinal os últimos três governadores que passaram pelo Palácio Anchieta deixaram bons representantes no Senado, de onde saíram para governar o Estado: Luzia Toledo (suplente de José Ignácio); João Batista Motta (suplente de Paulo Hartung) e Ana Rita Esgario (suplente de Renato Casagrande).
Mas também há pontos questionáveis. O primeiro suplente do senador Magno Malta (PR) no mandato passado foi o empresário Chico Pneus, que assumiu o mandato durante licença médica do senador titular e chegou a ser preso em uma investigação por corrupção.
O ex-senador Gerson Camata, ao se licenciar para assumir uma Secretaria de Estado, deixou em seu lugar o hoje presidente da Findes Marcos Guerra, que em sua curta passagem pelo Senado apresentou uma proposta de incineração de produtos que entrassem no país de forma ilegal.
Hoje o primeiro suplente de Magno Malta é atual secretário de Fazenda de Tocantins, Paulo Antenor de Oliveira, que também é funcionário de carreira da Receita Federal. O segundo suplente é o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD).
Ricardo Ferraço (PSDB) tem dois empresários na expectativa, o primeiro é Sérgio Rogério de Castro, diretor da Fibrasa e o segundo suplente é José Antônio Guidoni, empresário do ramo da mineração.
Já a senadora Rose de Freitas tem Luiz Pastore (PMDB), que já foi segundo suplente de Camata, como primeiro suplente. O milionário é um dos principais financiadores de sua campanha, em 2014. O segundo é o médico cardiologista Schariff Moyses (PSDB).
Fragmentos
1 – Das contradições da economia. O município de Itapemirim, no litoral sul, é o que mais arrecada com os royalties sobre o petróleo. A situação política instável no município mostra que dinheiro pode ser um problema. Mas isso não se reverte em proveitos para a população. Basta ver a fila quilométrica que se formou para o processo seletivo que oferece 344 para diversos cargos na prefeitura e formação de cadastro de reserva.
2 – A Assembleia Legislativa criou a Comissão Especial que vai discutir o modelo de ensino médio integral no Estado, o Escola Viva, que vai contar com maioria de deputados governistas, que se desmancham em elogios ao programa sem considerar os problemas causados no entorno do oásis educacional de Hartung. Que beleza!
3 – O ex-prefeito de Bom Jesus do Norte, no sul do Estado, Ubaldo Martins de Souza, descobriu da pior forma que a placa de seu carro foi clonada. A Polícia de Minas Gerais apreendeu nesta quarta-feira (16), uma saveiro prata, com placa de São José do calçado, com 200 quilos de maconha. Na primeira análise, o Ubaldo Martins apareceu como proprietário do veículo, mas, depois, observou-se que se tratava de clonagem.

