Muitas lideranças políticas no afã de pegar o primeiro lugar da fila sucessória dentro do grupo do governador Paulo Hartung (PMDB) acabaram se desgastando ou com aliados ou com a base, perdendo lugar na mesa de negociação. Essa lógica se aplica até as lideranças de partidos que têm muito serviço apresentado ao peemedebista. ?? o caso do PSDB.
Ao logo dos anos, o partido tem sido a principal força auxiliar do governador. Mesmo depois de deixar o ninho, antes da eleição de 2002, quando disputou, ironicamente, pelo hoje inimigo PSB, os tucanos permaneceram ao lado de Hartung, e isso tem sido benéfico para o partido, mas não para algumas lideranças.
O caso mais emblemático é o do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, que se viu obrigado, por duas vezes, a desistir de uma disputa ao Senado (2006 e 2014) por acordos do ninho tucano com o governador. Em 2010, Luiz Paulo disputou o governo, mas Hartung preferiu trocar o apoio ao aliado antigo pelo investimento no palanque de Renato Casagrande (PSB) como sucessor de seu governo.
Em 2012, Hartung apoiou Luiz Paulo à prefeitura de Vitória, mas acabou atrapalhando mais do que ajudando e o tucano perdeu a disputa do segundo turno. No ano passado, Luiz Paulo sofreu um abandono de Hartung, ainda no período pré-eleitoral, o que levou o tucano a desistir da disputa à prefeitura de Vitória, eleição que liderava até sua saída.
Outro tucano que pode perder a cabeceira da fila é o vice-governador César Colnago. Embora Hartung tenha dito, antes mesmo de tomar posse, que não disputaria a reeleição e deixaria seu vice no cargo para concorrer ele mesmo à reeleição. A possibilidade de o governador disputar o Senado pode dar uma rasteira em Colnago e por um outro tucano.
A movimentação abriga apenas a candidatura de Hartung ao Senado e Ricardo Ferraço ao governo. Colnago teria que se contentar com a disputa à Câmara dos deputados e com a promessa de um apoio forte para a disputa à prefeitura de Vitória em 2020.
Outra liderança do futuro, que colocou em risco seu lugar na fila, é o prefeito de Vila Velha Max Filho. O tucano não mira 2018, mas o cenário em que todos os gatos até aqui parecem pardos, que é o de 2022, o mantém no jogo. Para isso, porém, o tucano terá que fazer uma gestão de visibilidade à frente da prefeitura de Vila Velha.
Antes de entrar na disputa à prefeitura, Max Filho vinha fazendo um trabalho de fortalecimento estadual do partido, que pode ficar paralisado com o retorno do tucano ao cenário municipal. Mesmo estando no maior colégio eleitoral do Estado, isso não é suficiente para credenciá-lo para o futuro.
O retorno de Hartung ao PSDB é uma movimentação que se for concretizada não precisa e nem deve acontecer já. Hartung tem de estar filiado a um partido seis meses antes do pleito de 2018.

