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Segunda, 25 Mai 2020

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'A população não pode se cansar do assunto', alerta secretário de Saúde

nesio_fernandes_tati_beling_ales Tati Beling/Ales
Sesa

A pandemia de Covid-19 deve continuar crescendo no Espírito Santo pelo menos até o mês de junho. É o que apontam estudos feitos pelo governo do Estado, que foram confirmados pelos resultados preliminares da primeira fase do Inquérito Sorológico da doença, divulgados nesta segunda-feira (18) pelo secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, e pelo subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. 

Realizando testes em 4.612 pessoas nessa primeira fase, o Inquérito apontou que apenas 2,1% da população já teve contato com o vírus, indicam as estimativas estatísticas do Inquérito, o que equivale a 84,3 mil pessoas. Considerando as margens de erro para mais e para menos, o contingente estimado está entre 64,2 mil a 100,4 mil infectados. "A situação é grave, crítica. A população não pode cansar do assunto", alertou Nésio.

"É uma doença que mata muito. Que não possui tratamento especifico ou vacina. A única maneira de romper a transmissão é o distanciamento social entre as pessoas. E isso não é uma decisão de governo, é uma decisão de cada um. E para além do distanciamento social, está o isolamento social, em domicilio, de qualquer caso suspeito", reforçou Nésio Fernandes, lembrando que metade dos capixabas, segundo o Inquérito Sorológico, vive em casas com quatro ou mais pessoas.

"Temos que ter em mente que quatro milhões de pessoas ainda não contraíram o coronavírus no Espírito Santo", destacou Reblin, considerando uma população capixaba total de 4.018.650, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Se com 2% da população infectada já temos quase 300 mortes, imagine o que seria liberar todas as atividades, sem planejamento para funcionamento? Provavelmente teríamos uma contaminação que perderíamos o controle", alertou.

Outro dado que chamou atenção da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) foi que apenas 40% das pessoas que apresentaram sintomas gripais desde o início da pandemia procuraram avaliação médica. "Sessenta por cento não deram importância social para os sintomas", exclamou o secretário.

A orientação é que todo sintoma gripal deve ser avaliado por um profissional de saúde presencialmente. "Se a população não procura profissional de saúde, não pode ser diagnosticada, não pode ser notificada, não pode ser isolada e assim não se pode romper a cadeia de transmissão da doença. Diante de qualquer sintoma, procure o serviço de saúde", rogou.

Os dois sintomas mais comuns identificados no inquérito pelas pessoas sintomáticas com Covid-19 foram a perda do olfato (anosmia) e a perda do paladar (disgeusia), sentidas por 45,40% dos entrevistados. Em segundo lugar está a tosse (40,20%), seguido de mialgia (38,10%), fadiga (34%), dispneia e febre (28,9% cada). Também se destacaram dor de garganta (25,8%), diarreia (22,7%), dor abdominal (19,6%), taquicardia (16,5%) e vômitos (14,4%).

Crescimento até junho

Os primeiros resultados do Inquérito ainda não permitem afirmar quando o Estado terá ultrapassado o pico da pandemia. Esse cenário só poderá ser descrito quando houver, "durante 14 dias, uma queda sustentada do número de casos confirmados, uma queda sustentada do número de casos graves, e a diminuição da proporção entre o número de positivos e o total de testes".

O que se vê é que ela está em franco crescimento, como previsto desde o início do ano. No início, a proporção era de um caso positivo a cada onze testes. "Hoje, no Laboratório Central, 56% dos testados deram positivo", informou o secretário.

O Espírito Santo, enfatizou, está entre a Bahia e demais estados da região Sudeste que são epicentros importantes da doença no país. "Podemos continuar acertando em tudo como temos acertado, mas se o país colapsar, podemos colapsar junto, nós não somos uma ilha", reafirmou.

Entre os acertos do Espírito Santo, Nésio destaca a expansão precoce da rede hospitalar. O Estado abriu o dobro do número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que existia em janeiro – 360 na época –, apenas para pacientes de Covid-19, e sem prejudicar a rede disponível para outras enfermidades. "Teremos mais de 700 leitos exclusivos para Covid nas próximas semanas", informou, afirmando ser o equivalente a quase quatro hospitais de campanha, com a diferença que a expansão aconteceu em hospitais maduros, com possibilidade de atendimento de muito maior qualidade.

Há ainda margem para mais expansão, junto à rede filantrópica e privada, disse. E somente caso toda essa capacidade se esgote e a demanda pressionar por mais leitos, o Estado adotará a estratégia dos hospitais de campanha. "Estamos avaliando hospital de campanha desde o início. Pode sim ser usado, desde que identifiquemos esgotamento da expansão de leitos", disse.

Por enquanto, estão sendo construídos leitos de campanha em anexos aos hospitais já existentes, além da recomendação de instalação de estruturas semelhantes para isolamento de pacientes suspeitos em unidades básicas de saúde, Pronto Atendimentos (PAs) e Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) em todos os municípios.

Menor letalidade

A estratégia adotada no Espírito Santo para o enfrentamento da pandemia, salientou Nésio, nos coloca em situação superior em outros aspectos, como a letalidade em pacientes de UTI. Enquanto a média brasileira é de 38%, no Espírito Santo ela está em 20% para a rede pública e 19,8% na rede privada, sendo que na rede estadual, 54% dos pacientes usam ventilação mecânica, contra 34% da rede privada, indicando que a letalidade é semelhante, apesar da rede pública ter um percentual maior de pacientes graves.

Cloroquina

Sobre a cloroquina, Nésio esclareceu que o protocolo capixaba é de uso apenas em pacientes com indicação de internação em UTI. "Não há evidências científicas suficientes que recomendem utilizar em pacientes leves", disse, ressaltando que 80 a 90% das pessoas que entram em contato com o coronavírus evoluem para formas assintomáticas ou poucos sintomas, e se curam naturalmente, somente com repouso e tratamento dos leves sintomas. "Utilizar cloroquina em outros casos a não ser os já recomendados, não traria qualquer benefício", afirmou.

Próxima fase

A próxima fase do Inquérito Sorológico está programada para os dias 27, 28 e 29 de maio.

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