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Sábado, 15 Mai 2021

Aplicar vacinas de marcas diferentes na mesma pessoa será falta grave

covid_helio_filho_secom8 Hélio Filho/Secom

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) deve publicar nesta semana uma normativa caracterizando como "falta grave" a atitude de qualquer profissional de saúde que ceda à pressão de um paciente e aplique uma segunda dose de vacina contra a Covid-19 de marca diferente da que foi aplicada na D1. A informação foi transmitida pelo secretário Nésio Fernandes nesta segunda-feira (3), juntamente com o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin.

"Temos observado um movimento na população de pessoas que foram imunizadas com a primeira dose da AstraZeneca ou Coronavac querendo ser imunizada com a Pfizer. Essa troca não é possível dentro do Plano Nacional de Imunização, não existem evidências de segurança e a troca da segunda dose por outro fabricante irá comprometer a vacinação de outro cidadão", disse o gestor.

"Nesse momento nosso interesse como saúde pública é a imunidade coletiva. A vacinação é uma medida de prevenção primária, com o objetivo de alcançar imunidade de uma população, não tem objetivo da proteção individual somente. Se uma grande parte da população trocar a segunda dose, pode compromete a imunidade coletiva", explicou.

Variante indiana

O secretário também informou sobre a elaboração de um documento nacional sobre prevenção em relação à variante indiana do novo coronavírus (SARS-CoV-2), que tem preocupado autoridades políticas e científicas de todo o mundo.

O país, com tamanho e população em escala continental – são 1,3 bilhão de habitantes – apesar de grande produtor de medicamentos, insumos hospitalares e vacinas, passa pelo pior momento da pandemia de Covid-19, com recordes diários de mortes e a disseminação de uma variante surgida em seu território, considerada a mais agressiva identificada até o momento.

Há indícios de que ela possa ser resistente à maioria das vacinas em circulação no mundo. Segundo a doutora em Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, essa resistência às vacinas ainda está em estudo. "O que parece é que uma das mutações dessa variante pode otimizar o processo de entrada do vírus na célula e aumentar sua capacidade para invadir tecidos", explica.

"O fenômeno da Índia tem repercussão internacional tanto pela competição de insumos, medicamentos e vacinas produzidas pela Índia, como pela possível disseminação de uma nova variante que tem diversas mutações", disse Nésio Fernandes.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) discute o assunto e deve elaborar uma posição para apresentar ao governo federal ainda esta semana, com recomendações sobre controle da malha aérea e vigilância de portos e aeroportos. "Não é possível o Brasil seguir enfrentando mais um ano de pandemia sem que boas práticas de vigilância de aeroportos e portos não sejam adotadas pela União", destacou.

Recuperação consolidada no ES

Em território capixaba, o momento é de consolidação da fase de recuperação da terceira onda da pandemia. "O Espírito Santo de fato consolidou ao longo da última semana a queda do último indicador do comportamento da pandemia, que foi uma redução significativa do total de óbitos. Ainda é necessário transcorrer a semana atual pra contabilizar óbitos que ocorreram semana passada e não foram contabilizados, entretanto deve consolidar uma queda significativa em relação a semanas anteriores, podendo desenhar uma fase de recuperação também da redução de óbitos", explicou o gestor da Sesa.

Com a chegada dos últimos dados, a Secretaria irá preparar um conjunto de diagnósticos e cenários possíveis para os meses de maio e junho no Estado, que deve ser apresentado à população na próxima sexta-feira (7).

"As avaliações de cenário em cada momento da pandemia permitiram que o Estado desenhasse as melhores estratégias, tanto em testagem, de organização da assistência, as medidas de restrições ou ampliações das atividades econômicas e sociais", contextualizou.

Mais leitos

A despeito da fase de recuperação, o Estado seguirá com a estratégia de expansão hospitalar, estando prevista a abertura, ainda neste mês de maio, de 92 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 142 de enfermaria. Todos eles já estão em construção, reforma ou adaptação em hospitais exclusivamente da rede estatal.

"Não devemos estabelecer mais contratos para além dos atuais, com as redes filantrópica e privada, num contexto de queda de internações no nosso Estado. No entanto, a estratégia que definiu a valorização e expansão dos hospitais públicos do Estado será mantida e será um legado para o pós-pandemia".

Cirurgias eletivas

Maio também será um mês importante para a retomada das consultas especializadas, das cirurgias eletivas não essenciais que foram suspensas durante o período mais crítico da pandemia, complementou Nésio. "Os pacientes já estão sendo avisados pela central de regulação, pelas superintendências e municípios", disse.

Painel Covid-19

O Painel Covid-19 confirmou, nesta segunda, 71 mortes e 1.228 novos casos da doença no Estado, totalizando, respectivamente, 9.622 e 439.997 até o momento.

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