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‘Caad não considera especificidades da população de rua’

Pastoral aponta falhas do Centro de Acolhimento e Atenção sobre Drogas

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Rovena Rosa/ Agência Brasil

Dados do Observatório Capixaba de Informações Sobre Drogas, divulgados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), mostram que cerca de 3,6 mil pessoas foram atendidas no Centro de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (Caad) em 2025. Dessas, 524 estão em situação de rua. O integrante da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória, Júlio César Pagotto acredita, no entanto, que essa política deveria ser mais eficiente e considerar as especificidades dessa população.

O Caad tem três unidades: em Vitória, a Capital; Cachoeiro de Itapemirim, no sul; e Linhares, no norte. É um equipamento público que tem como proposta atuar como espaço de acolhimento e cuidado para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, além de atender também seus familiares.

Para Júlio, a forma como a política pública está estruturada não atende bem à população de rua, o que impede um alcance amplo. “Não se promove uma agenda com a população de rua, pois esperam que ela busque o serviço, em vez de ir até ela. O povo de rua precisa de algo diferenciado, mas a política acaba sendo igual para todos”, avalia.

O agente de Pastoral destaca, ainda, que embora o número de pessoas em situação de rua seja bem menor do que as domiciliadas e não haja uma busca ativa por parte do Caad, a quantidade de cidadãos não domiciliados que utilizam o serviço se opõe ao estigma de que as pessoas em situação de rua estão entregues aos vícios.

“Eles são sempre vistos como os drogados. Muitos usam drogas lícitas e ilícitas assim como os domiciliados, a diferença é que acabam ficando mais expostos por usarem as ruas enquanto os demais utilizam em suas casas”, diz Júlio, que acrescenta: “e muitas pessoas em situação de rua nem ao menos usam”.

A região do Espírito Santo que conta com maior número de pessoas atendidas no Caad em 2025 é a metropolitana, com 1,9 mil pessoas domiciliadas e 370 em situação de rua. A segunda colocada é a sul, onde 683 atendidos possuem moradia e 114 não. Em 2025, a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no sul, criou a Pastoral do Povo de Rua, que começou sua atuação no município de Cachoeiro, mas com ideia de expandir para outros municípios, de acordo com as demandas apresentadas.

As regiões norte e noroeste totalizam 498 atendimentos de pessoas domiciliadas e 37 em situação de rua. Por último está a serrana, com 96 atendimentos de pessoas com moradia e seis sem. A maioria dos atendidos em 2025, 2,7 mil, são homens. As mulheres representam 991.

Na faixa etária de 35 a 44 anos, estão 1,1 mil. As demais faixas etárias abrangidas são de 25 a 34 (818), 45 a 54 (780), 55 a 64 (481), 18 a 24 (243), 65 a 74 (188), zero a 17 (40) e mais de 75 anos (23). Quanto à cor da pele, a maioria são negros, já que 58% são pardos e 16% pretos. Os brancos são 22%; e os que não têm sua cor informada totalizam 5%.

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