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Sábado, 24 Outubro 2020

ES deve ter mais óbitos que os 3,8 mil previstos até zerar taxa de transmissão

leito_dorio_silva_secom Secom

O Espírito Santo deve ter mais do que as 3, 8 mil mortes por Covid-19 até zerar o Índice de Transmissão (Rt). A análise foi feita pelo professor de matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Etereldes Gonçalves Junior,  que é membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), que assessora tecnicamente o governo do Estado no enfrentamento à pandemia do coronavírus.

Diferentemente do que foi previsto no final de julho, quando os números indicavam Rt zero por volta de 31 de outubro, com cerca de 3,8 mil óbitos, o matemático explicou, em vídeo publicado nesta quarta-feira (7) em seu canal do YouTube, que os dados mais recentes da pandemia mostram que a curva de óbitos formou um platô perigoso, em decorrência das aglomerações formadas no feriado de sete de setembro e da explosão de novos casos, que ocorreu principalmente na Grande Vitória e na região central serrana, onde estão municípios turísticos importantes como Santa Teresa. 

"Esse comportamento de platô na curva de óbitos é ruim porque prolonga o período pra que se chegue a menos de um óbito por dia na média móvel do Estado, isso significa que teremos mais óbitos do que o previsto inclusive na última avaliação que eu fiz sobre quando teríamos a média móvel de óbitos abaixo de 1. Naquele momento, a gente não esperava esse comportamento da pandemia. considerávamos que esse crescimento ia acontecer de forma sustentada e agora a gente tem um platô se formando e a gente não sabe por quanto tempo isso vai durar. Com a abertura das escolas a gente não sabe se vai voltar a subir, é preciso aguardar", explanou. 

O novo comportamento modificou também a avaliação da situação do Estado em relação aos sete indicadores epidemiológicos recomendados pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) para uma reabertura minimamente segura das escolas no país. Se na última análise, na quinta-feira (1), o Estado atendia ao indicador cinco, agora não atende mais. Naquela data, a redução do número de óbitos e casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) era de 43% , maior que o mínimo de 20% indicados. Agora, com a subida e o platô da curva de óbitos, a redução é de apenas 11%.

Nos demais seis indicadores, a situação se mantém, como nas últimas semanas: apenas o quarto indicador é atendido , pois determina um período mínimo de 57 dias para que o Estado consiga atender a um crescimento repentino por leitos de hospital em caso de surtos. 

Já no segundo indicador, a mudança enfatizada pela professor neste vídeo foi abrir mão do ideal proposta pela Fiocruz e considerar que atendemos sim a ele. O indicador estabelece ser necessário um Rt menor que 1 e, idealmente, menor que 0,5. Como estamos em 0,8 atualmente, na média estadual - havendo microrregiões com índices menores, como a Grande Vitória, e outras com valores maiores, como Central e Sudoeste Serrana e Caparaó - é possível dizer que atendemos. "Não é o ideal, mas atendemos, com menos de 1", disse. 

Analisando as mortes por Covid em pessoas com menos de 18 anos, Etereldes mostrou um quadro com dez municípios, e a data em que ocorreu o último óbito nessa faixa etária: Alegre, Alto Rio Novo, Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Irupi, Itapemirim, Linhares, São Mateus, São Roque do Canaã, Serra, Vila Valério e Vila Velha, este, o mais recente, na última sexta-feira (2). "Em Vitória, nossa capital, não morreu nenhum jovem com menos de 18 anos. Imagine que com a reabertura das escolas morra um jovem que seja nessa idade. E basta um para devastar essa família. E como a gente vai dizer que esse óbito por Covid, se vier a ocorrer, não foi consequência da reabertura das escolas? Quem vai se responsabilizar por isso? Tem cidades aí, como a Serra, que o último óbito foi em junho. Imagine voltar a ter óbito depois da reabertura?", questiona.

O pesquisador recordou que haverá mais dois feriados prolongados, um em outubro e outro em novembro, e que é preciso cuidado. "É super importante que as pessoas cobrem dos governantes e dos visitantes que se mantenha a etiqueta sanitária, protocolos, o cuidado, pois esse salto é prova cabal de que aglomerações e falta de cuidado geram surtos de contaminação", alerta. 

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