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Quinta, 22 Outubro 2020

Grevistas debatem privatização do Hospital Universitário

Grevistas debatem privatização do Hospital Universitário

A entrada do Hospital Universitário Antonio Cassiano de Moraes (Hucam), da Ufes, na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) vem sendo debatida neste período de greve na universidade. Na manhã desta quinta-feira (9) o Comando Unificado de Greve deu início ao seminário “O futuro do Hucam em debate”, no auditório do Elefante Branco, no Centro de Ciências da Saúde (CCS). O evento vai até esta sexta-feira (10).

 

Só hoje (9) houve duas mesas de debate. A primeira, que teve como tema “A Ebserh, as universidades públicas e a autonomia universitária”, contou com a participação do professor Nelson Souza, Diretor do Instituto do Coração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e referência no debate de políticas públicas de saúde. Já a segunda, que tratou sobre o atual modelo de financiamento da saúde pública do País, teve como palestrante Rodrigo Ribeiro, representando o Fórum Nacional Contra a Privatização da Saúde.
 
Nelson Souza mostrou como a Ebserh surge com base nas recomendações do Banco Mundial para a saúde, que começaram a ser implementadas no País ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. De acordou com o professor, as orientações do banco apontam que países em desenvolvimento, como o Brasil, não poderiam ter uma saúde universalizada. E mais que isso: o governo do país deveria ser responsável apenas pela saúde básica, deixando os procedimentos de alta complexidade para o setor privado.
 
A Ebserh é uma empresa pública de direito privado criada pelo governo federal, por meio do Projeto de Lei 79/2011, para gerenciar e captar recursos para os hospitais públicos do País, incluindo os universitários. 
 
Com a Ebserh, esses hospitais poderiam, por exemplo, reservar leitos para planos de saúde, deixando de dedicar a mesma quantidade de antes para pacientes do serviço público. Além disso, a contratação de pessoal seria feita por contrato e não mais por concurso público, dentre outras importantes questões e problemas.
 
O caso da Ufes, mais especificamente, é ainda pior. O Conselho Universitário aprovou, em julho, a entrada do Hucam na empresa, sem sequer promover um debate com a comunidade acadêmica sobre a questão nem dar ouvidos aos votos contrários, principalmente dos estudantes e técnico-administrativos. Com isso, os grevistas da universidade tomaram pra si não só o posicionamento contrário à Ebserh, mas também a tarefa da realização dos debates sobre a empresa.
 
Debates continuam nesta sexta
 
O seminário segue até esta sexta-feira (10), com a mesa de debate “O atual quadro do Hucam: problemas e Alternativas”, que conta com a presença de Emílio Mameri, atual diretor do hospital; Janine Vieira, da Coordenação Geral da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra); e o Reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte. 
 
Segundo Ana Targina, do Comando de Greve dos Professores, a intenção é que os participantes possam debater as dificuldades atuais do hospital (que não são poucas) e analisar as soluções que a Reitoria tem apresentado.
 
À tarde, haverá a plenária final do seminário, “O Hucam que queremos”, um amplo debate entre todas as categorias da Ufes. Para Targina, este será o momento de todos pensarem estratégias de enfrentamento à política privatista, representada neste momento pela Ebserh.
 

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