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Sexta, 05 Março 2021

‘Não gosto de lockdown. Podemos adotar restrições mais rigorosas’, diz governador

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Leonardo Sá

"Eu não gosto da palavra lockdown, porque significa fechamento total, das pessoas não poderem sair na rua pra nada a não ser pra questões muito essenciais, mas a gente sabe que uma ou outra pessoa precisa trabalhar, sustentar sua família. Nós poderemos adotar medidas de restrição às atividades econômicas e às atividades sociais com mais rigor". 

A declaração do governador Renato Casagrande (PSB) foi feita em pronunciamento na noite desta segunda-feira (1), após uma semana sem aparições públicas, em decorrência de sua contaminação pelo novo coronavírus, situação que também atinge sua esposa, que já retornou para casa, e sua mãe, ainda em internação hospitalar.

"Quero primeiramente manifestar minha gratidão, meu agradecimento pelas orações, pela energia positiva que eu recebi nesses últimos dias devido ao contágio que eu tive do vírus da Covid-19, eu minha esposa e também minha mãe. Recebi muitas manifestações de carinho, quero fazer meu agradecimento", disse, ao abrir o pronunciamento.

Em seu 11º dia de contágio e com sintomas leves, Casagrande disse ter decidido retomar algumas atividades, como a participação das reuniões da Sala de Situação de Emergência em Saúde Pública.

Sobre as últimas medidas de expansão de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfermaria, disse que, nos últimos dias, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) regulou leitos para Covid e outras enfermidades em hospitais públicos e privados da Grande Vitória e interior. No Hospital dos Servidores foram disponibilizados 70 leitos de enfermaria e 10 de UTI para ortopedia; Clínica dos Acidentados: 49 de enfermaria e 9 de UTI, também para outras enfermidades; Hospital Infantil de Cachoeiro: 10 de UTI para outras enfermidades; Hospital Padre Máximo, em Venda Nova do Imigrante: 10 de UTI para outras enfermidades; Santa Casa de Guaçuí: 10 de UTI e oito de enfermaria para Covid.

Sobre os novos respiradores, além dos 60 da semana passada, outros 100 devem chegar ao Estado nos próximos dias, estando atualmente em São Paulo, recém-chegados da Itália.

"Todo nosso esforço nesses últimos meses tem sido pela abertura de leitos de UTI. Só pra Covid nós abrimos mais de 600 leitos de UTI. É uma ampliação extraordinária pra que a gente possa dar assistência para as pessoas que precisam de atendimento. Desde o primeiro momento colocamos como prioridade salvar vidas e junto com isso atendimento às pessoas mais vulneráveis, porque a crise afeta especialmente as pessoas mais pobres".

"Estamos num esforço gigantesco, dentro do plano de convivência com a pandemia, no sentido de que a gente possa estabelecer um nível de convivência. Mas esse nível de convivência está amarrado na nossa Matriz de Risco", disse.

Vigorando desde esse domingo (31), o novo Mapa de Gestão de Risco classifica 14 municípios com risco baixo, 52 com risco moderado e 12 com risco alto. Nos de baixo risco, o comércio pode funcionar de segunda a sábado, de 10h às 16h. Nos de risco moderado, a partir desta semana, com as novas regras da Matriz de Risco, o comércio funciona de segunda a sexta-feira. E nos de risco alto, também de segunda a sexta, mas de forma alternada, com alguns setores abrindo as portas às segundas, quartas e sextas e outros às terças e quintas.

As regras, no entanto, salientou Casagrande, "não têm sido suficientes, não têm dado o resultado que nós queremos, precisamos de uma interação menor. Temos a colaboração de muita gente, mas não temos de todas as pessoas".

"O que a gente está fazendo no Estado é ampliar o número de leitos, dar às atividades econômicas, industriais, de serviços e de comércio, as condições mínimas de sobrevivência, porque muita gente depende do emprego. Estamos tentando conciliar as coisas, mas só vamos conseguir se tivermos a colaboração de todo mundo na manutenção do crescimento do distanciamento social, isolamento social e uso de máscara. Às vezes a pessoa se acostuma com a doença e descuida da máscara e dos procedimentos de higiene", disse.

"Quando autoriza que um comércio funcione alternadamente, que o shopping funcione com muita regra e restrição, é um sinal de tentar conviver com a pandemia, pois é de longo prazo", argumentou, conclamando ajuda dos prefeitos pra limitar a interação de pessoas.

"Estou vendo na imprensa porque não tenho condições de sair, a quantidade grande de pessoas nas praias, praticando esportes coletivos, caminhando, correndo... é preciso que limite o uso das praias, retirando às vezes o equipamentos que elas estão usando, pra impedir ou inibir o uso, constranger as pessoas a não usarem. É melhor deixar de ir numa praia e que uma atividade funcione mantendo o emprego, do que adotar medidas mais radicais, porque não são descartadas", ressaltou.

"A Matriz de Risco é clara: se chegar a 91% de ocupação de UTI no Estado, nós tomaremos decisões de maior rigor nos municípios de risco alto, que passam a ser de risco extremo. Se for preciso tomar medidas mais radicais, nós tomaremos (...) se chegar a 91%, tem que fechar comercio, fechar serviço", afirmou.

"Espero não chegar a esse ponto, que a gente consiga abrir mais leitos, que as pessoas reduzam a interação, que diminua a demanda por leitos de UTI. É preciso que todos colaborem. Mas se for necessário eu tomarei medidas mais extremas, porque a nossa prioridade é salvar vidas", finalizou.

Painel Covid

O Painel Covid-19 desta segunda-feira (1) confirmou mais 595 casos e 24 óbitos pela doença, totalizando 14.285 e 628, respectivamente, com letalidade em 4,40%.

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