Coordenador do Centro de Acolhimento Sobre Drogas defende serviços ofertados
O Centro de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (Caad) tem protocolos específicos para a população em situação de rua. A afirmação foi feita pelo equipamento em resposta à matéria publicada por Século Diário, na qual a Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória aponta que falta a essa política considerar as especificidades desse grupo.

O Caad tem três unidades: em Vitória, a Capital; Cachoeiro de Itapemirim, no sul; e Linhares, no norte. É um equipamento público que tem como proposta atuar como espaço de acolhimento e cuidado para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Trata-se de um serviço ambulatorial, aponta o coordenador do Caad no Estado, Getúlio Souza.
Getúlio explica que há um protocolo geral, por meio do qual aqueles que procuram o serviço passam pelo acolhimento por parte da equipe de Enfermagem e, posteriormente, psicólogo e assistente social, sendo feita uma filtragem das demandas. Todas as pessoas podem, ainda, ter acesso a atendimento médico e terapias individuais ou de grupo. Após essa etapa é possível participar da reinserção social, com cursos de formação, como os do programa Qualificar ES, e encaminhamento para o mercado de trabalho.
No caso da população em situação de rua, afirma, para além dessas iniciativas há protocolos específicos. Um deles, destaca Getúlio, é o Vínculo Afetivo, por meio do qual há acolhimento dos animais de estimação junto aos assistidos, levando em consideração que, muitas vezes, esses animais são a fonte de afeto dessas pessoas, que não têm onde deixá-los para usufruir dos serviços do Caad. “A pessoa vai ser atendida junto com o seu animal”, diz.
Ele destaca também a desburocratização, por exemplo, com a flexibilização de exigência de documentos pessoais, uma vez que pessoa em situação de rua pode não os ter, e isso poderia ser um empecilho para o acesso aos serviços. Além disso, no caso daqueles que fazem uso de remédio controlado, uma das possibilidades é guardar a receita médica no Caad para evitar sua perda e buscá-la quando for preciso fazer a aquisição dos medicamentos. De acordo com Getúlio, essa iniciativa, inclusive, foi uma demanda da população em situação de rua.
O coordenador do Caad também informa que os profissionais que atuam no equipamento passam por formações específicas sobre como lidar com a população em situação de rua. “Como acolher? Para onde encaminhar? Como encaminhar para outros equipamentos?” são algumas perguntas que, segundo Getúlio, são trabalhadas nas formações.
De acordo com ele, a equipe do Caad também atua no sentido de identificar quais são os serviços aos quais a pessoa em situação de rua que procurou o equipamento tem acesso e aos quais ela ainda pode acessar, como abrigo e centro pop. Assim, afirma, atua de forma a dialogar com os municípios para encaminhamentos a essas políticas.
Quanto à busca ativa às pessoas em situação de rua, Getúlio afirma que a política de drogas não tem prerrogativas para esse tipo de atuação. Contudo, mantém parceria com serviços como a abordagem de rua, que tem os protocolos necessários para fazer essa busca com “cuidado ético e técnico”, encaminhando para o Caad aqueles que apresentarem interesse em usufruir dos serviços oferecidos.
Dados de atendimento
Dados do Observatório Capixaba de Informações Sobre Drogas, divulgados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), mostram que cerca de 3,6 mil pessoas foram atendidas no Centro de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (Caad) em 2025. Dessas, 524 estão em situação de rua.
A região do Espírito Santo que conta com maior número de pessoas atendidas no Caad em 2025 é a metropolitana, com 1,9 mil pessoas domiciliadas e 370 em situação de rua. A segunda colocada é a sul, onde 683 atendidos possuem moradia e 114, não. Em 2025, a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no sul, criou a Pastoral do Povo de Rua, que começou sua atuação na cidade, mas com ideia de expandir para outros municípios, de acordo com as demandas apresentadas.
As regiões norte e noroeste totalizam 498 atendimentos de pessoas domiciliadas e 37 em situação de rua. Por último está a serrana, com 96 atendimentos de pessoas com moradia e seis sem. A maioria dos atendidos em 2025, 2,7 mil, são homens. As mulheres representam 991.
Na faixa etária de 35 a 44 anos, estão 1,1 mil. As demais faixas etárias abrangidas são de 25 a 34 (818), 45 a 54 (780), 55 a 64 (481), 18 a 24 (243), 65 a 74 (188), zero a 17 (40) e mais de 75 anos (23). Quanto à cor da pele, a maioria são negros, já que 58% são pardos e 16% pretos. Os brancos são 22%; e os que não têm sua cor informada totalizam 5%.

