Sexta, 12 Julho 2024

Pandemia reduziu procura por tratamento para tabagismo no SUS

sus_marcellocasal_agenciabrasil Marcello Casal/ABr

Em virtude do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado nesta terça-feira (31), a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) divulgou dados sobre a procura pelo programa de reabilitação contra esse vício e a quantidade de pessoas que conseguiram parar de fumar. Os números mostram que, nos dois quesitos, houve redução nos anos de 2020 e 2021. A explicação para isso, segundo o pneumologista e professor aposentado do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Valdério Dettoni, está na pandemia da Covid-19.

A quantidade de fumantes que buscaram o Sistema Único de Saúde (SUS) para o programa de reabilitação contra o tabagismo, que atua em 50 municípios, foi bem inferior a de 2019. No ano passado, foram 2,1 mil. No primeiro ano da pandemia, 2 mil. Em 2019, quando não havia pandemia, o número foi de 5,7 mil. Em relação às pessoas que deixaram de fumar, elas correspondem a 45,3% daqueles que buscaram o tratamento em 2019; 40,25% em 2020 e 37,7% em 2021.

"A pandemia aumentou o nível de estresse e depressão diante da necessidade de mudança de hábitos. Quem fuma teve mais dificuldade de parar e algumas dessas pessoas, inclusive, passaram a fumar mais. A própria necessidade de isolamento social também fez com que muitos não buscassem o tratamento", diz Valdério.

O pneumologista afirma que muitas pessoas passam a fumar influenciadas por hábitos familiares, ou, principalmente adolescentes, devido a grupos de amigos. O ato de fumar, aponta, é, muitas vezes, associado a comportamentos sociais, como a liberdade. "Quando começa, a pessoa não sabe como é difícil parar. Às vezes começa como uma brincadeira, e termina como uma tragédia. O tabagismo é o maior causador de doenças evitáveis do mundo", informa.

Ao contrário do que muitos pensam, o tabagismo, segundo Valdério, não causa somente câncer de pulmão, mas também outros, como os de esôfago, pâncreas, bexiga e laringe. Também é responsável por doenças pulmonares crônicas, doenças vasculares e coronarianas. "Um diabético que fuma tem maior risco de ter doenças cardiovasculares e precisar passar por amputação", explica.

Valdério afirma ainda que houve redução na taxa de tabagismo no Brasil em virtude de ações implementadas pelo Ministério da Saúde durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como a proibição das propagandas de cigarro e a proibição de seu uso em lugares fechados.

Parar de fumar

O pneumologista afirma que decidir parar de fumar é essencial para largar o tabagismo. "Nesse negócio de 'vou experimentar um pouco', sem convicção, a chance de fracassar é grande, e o fracasso reforça para a pessoa que parar de fumar é difícil", enfatiza. Outra atitude que também não traz muitos casos de sucesso é parar de fumar sem acompanhamento de profissionais da saúde.

"Quando você procura um médico, seja na rede privada ou no SUS, ele vai analisar seu perfil, reforçar o que o paciente tem de positivo, dar suporte em caso de fracassar ou quase fracassar", explica. Além disso, aponta, em alguns casos é necessário prescrever medicamentos para reduzir os sintomas da abstinência.

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