Dólar Comercial: R$ 5,31 • Euro: R$ 6,00
Quarta, 12 Agosto 2020

Segundo pico de casos e óbitos está próximo, alerta matemático

etereldes_secom Secom

O Espírito Santo deve registrar cerca de 2 mil mortes a mais, até a o índice de transmissão (Rt) do novo coronavírus (SARS-CoV-2) chegar a 0. A previsão é do matemático Etereldes Gonçalves, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), que assessora tecnicamente a Sala de Situação de Emergência em Saúde Pública para Covid-19 do governo do Estado. 

O motivo é que a curva epidêmica no Espírito Santo deve apresentar, grosso modo, dois picos, um da Grande Vitória e outro do interior do Estado, separados por uma espécie de vale entre os dois. Esse seria o platô, mais longo, como já anunciou o governador Renato Casagrande (PSB) em pronunciamentos anteriores. E a descida da curva epidêmica se iniciaria só depois desse segundo pico. O tempo de duração dessa descida, até o Rt 0, é equivalente ao tempo da subida até o platô, bem como os números de casos ativos e de óbitos estimados são semelhantes. 

Como o primeiro pico de casos foi alcançado no dia 24 de junho e o de óbitos duas semanas depois, quando o número de mortos era próximo de dois mil, daí a estimativa de chegar ao Rt 0 com um total de mais de 4 mil vítimas fatais da Covid-19. "Estamos no meio do vale, talvez chegando no final do vale, prestes a subir novamente", acredita Etereldes.

No gráfico hipotético acima, explica, não estão desenhados os dois picos e o vale que compõem o platô capixaba. O esquema só mostra que o caminho percorrido na subida até o platô é semelhante ao da descida, incluindo o número de dias, de casos ativos e de óbitos.

Historicamente, as epidemias atingem seu ápice quando aproximadamente metade da população exposta ao vírus é contaminada e imunizada. No caso do SARS-CoV-2, esse auge tem ocorrido com um percentual entre 40% e 60%.

No caso capixaba, o primeiro pico tendo ocorrido quando 12% da população já tinha entrado em contato com o vírus, segundo o inquérito sorológico, é provável que 24% dos capixabas estiveram de fato expostos ao vírus durante a pandemia. Portanto, 76% estariam protegidos, seja em isolamento social, em distanciamento ou por imunidade cruzada, ou seja, fatores individuais que impedem que a pessoa seja infectada pela doença, o que é diferente das pessoas infectadas assintomáticas. O imune sequer produz anticorpos contra o vírus, pois o patógeno não o infecta.

O real percentual da população exposta, protegida por imunidade ou outros fatores ainda precisa ser identificado, diz Etereldes. É preciso considerar a margem de erro do inquérito sorológico, que pode elevar o percentual de infectados para 15% ao invés de 12% no momento do pico, por exemplo. "Os testes sorológicos não detectam corretamente as pessoas infectadas", lembra o matemático.

Mais 4 cidades em risco alto

No 15º Mapa de Risco Covid-19, anunciado pelo governo do Estado neste sábado (25), mais quatro municípios entraram para o risco alto.

Com vigência entre a próxima segunda-feira (27) e o domingo (2), o novo mapa tem 19 municípios em Risco Baixo, 41 em Risco Moderado e 18 em Risco Alto. Entre as mudanças desta atualização, Cariacica saiu do Risco Alto para Moderado. Com isso, todas as cidades da Grande Vitória deixaram a classificação de risco mais elevada.

Entraram para o risco alto: Águia Branca, Anchieta, Ecoporanga, Irupi, Pancas, Piúma, São José do Calçado e Vargem Alta. 

Passaram do risco baixo para o risco moderado: Alfredo Chaves, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Governador Lindemberg, Jaguaré e Venda Nova do Imigrante.

Passaram do risco alto para o moderado: Cariacica, Linhares e Nova Venécia. 

Passaram do risco moderado para o baixo: Iúna, Jerônimo Monteiro, Montanha, Pinheiros e Rio Novo do Sul. 

Passou do risco alto para o baixo: São Domingos do Norte.

Confira a classificação de todos os municípios capixabas:

Risco Alto: Águia Branca, Anchieta, Alto Rio Novo, Aracruz, Bom Jesus do Norte, Colatina, Ecoporanga, Irupi, Ibiraçu, Mimoso do Sul, Pancas, Piúma, Presidente Kennedy, São José do Calçado, São Gabriel da Palha, Sooretama, Vargem Alta e Vila Valério.

Risco Moderado: Afonso Cláudio, Água Doce do Norte, Alfredo Chaves, Alegre, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Cariacica, Conceição do Castelo, Conceição da Barra, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Fundão, Governador Lindenberg, Guaçuí, Guarapari, Ibitirama, Itapemirim, Jaguaré, João Neiva, Linhares, Mantenópolis, Marataízes, Marechal Floriano, Marilândia, Mucurici, Muqui, Nova Venécia, Rio Bananal, Santa Leopoldina, Santa Teresa, São Mateus, São Roque do Canaã, Serra, Venda Nova do Imigrante, Viana, Vila Velha e Vitória. 

Risco baixo: Apiacá, Atílio Vivácqua, Brejetuba, Ibatiba, Iconha, Iúna, Itaguaçu, Itarana, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Montanha, Muniz Freire, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, Rio Novo do Sul, São Domingos do Norte, Santa Maria de Jetibá e Vila Pavão.

A estratégia de mapeamento de risco teve início no dia 20 de abril, levando em consideração o coeficiente de incidência da doença. No dia 4 de maio, o Mapa de Risco passou a contar a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No dia 18 de maio, a Matriz de Risco Ampliada entrou na terceira fase com a inserção da taxa de letalidade, do índice de isolamento social e a porcentagem da população acima dos 60 anos – considerado como grupo de risco. A nova Matriz de Risco Ajustada entrou em vigor no último dia 13, permitindo que todas as cidades capixabas fossem classificadas de forma individual, sem influência do grau de risco dos municípios vizinhos.

O Mapa de Risco segue as orientações dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde e recomendações da equipe de especialistas do Centro de Comando e Controle (CCC) Covid-19 no Espírito Santo, que é composto pelo Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Secretaria da Saúde (Sesa), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). 

Veja mais notícias sobre Saúde.

Veja também:

 

Comentários: 2

Ubiratan em Sábado, 25 Julho 2020 21:38

Eu creio que a flexibilização trará uma segunda onda, similar ou mais grave do que a primeira, não somente no Espírito Santo.

Eu creio que a flexibilização trará uma segunda onda, similar ou mais grave do que a primeira, não somente no Espírito Santo.
Eugenia Magna Broseguini Keys em Sábado, 25 Julho 2020 23:15

Eu vejo com descaso do governo não aplicar medidas mais fortes em relação as pessoas que estão na rua sem usar máscaras. Um conhecido que passou recentemente em Itacaré, onde o uso de máscara é obrigatório, com pena de pagar multa, afirmou que lá está mais organizado do que aqui. Penso que devemos cobrar mais das pessoas o uso de máscara e aumentar a frota de ônibus pra que não ande tão cheio, como temos visto.

Eu vejo com descaso do governo não aplicar medidas mais fortes em relação as pessoas que estão na rua sem usar máscaras. Um conhecido que passou recentemente em Itacaré, onde o uso de máscara é obrigatório, com pena de pagar multa, afirmou que lá está mais organizado do que aqui. Penso que devemos cobrar mais das pessoas o uso de máscara e aumentar a frota de ônibus pra que não ande tão cheio, como temos visto.
Visitante
Quarta, 12 Agosto 2020

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/

No Internet Connection