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Trabalhadores da saúde rejeitam 8% e convocam ato na Assembleia

Sindicatos não descartam greve, alerta Geiza Pinheiro, do Sindsaúde

Servidores estaduais da área da saúde decidiram intensificar a mobilização contra a proposta de reajuste apresentada pelo Governo do Estado e prometem pressão nos próximos dias. A categoria rejeitou nesta semana, em assembleia, o índice de 8% apresentado pela gestão de Renato Casagrande (PSB), e convocou um ato para a próxima quarta-feira (4), às 8h, na Assembleia Legislativa. A deflagração de uma greve não é descartada.

A decisão foi reafirmada em reunião realizada nessa quarta-feira (25), no Palácio da Fonte Grande, com a presença do vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB). Representantes dos sindicatos dos servidores da saúde (Sindsaúde-ES), médicos (Simes), psicólogos (Sindpsi-ES) e odontologistas (Sinodonto) rejeitaram novamente a proposta do Executivo, por considerarem que o percentual não atende às reivindicações históricas das categorias, nem corrige distorções acumuladas ao longo dos anos.

De acordo com a diretoria do Sindsaúde, desde 2012 não há uma reestruturação efetiva da carreira da saúde no Estado. As discussões sobre recomposição salarial se intensificaram a partir de 2022, quando foi aprovada a Lei Complementar 1.005, que concedeu reajuste de 32% a servidores de diversas secretarias estaduais, com exceção da saúde, especialmente cargos em regime de vacância e extinção. Somente em janeiro de 2025, os servidores receberam um reajuste de 10%. Isso significa que, desde 2022, permaneceram com uma diferença de 22% em relação às tabelas de subsídios das demais secretarias e autarquias estaduais, aponta a entidade.

Na avaliação dos sindicatos, que se manifestaram por nota, mesmo que o novo percentual de 8% fosse aceito, a defasagem histórica permaneceria. “Ainda ficaríamos 22% abaixo das demais secretarias”, afirma a presidente do Sindsaúde, Geiza Pinheiro. Para as entidades, a proposta atual não recompõe, portanto, perdas acumuladas, nem garante isonomia no tratamento entre as diferentes áreas do funcionalismo.

Arquivo Pessoal

Outro ponto criticado diz respeito ao alcance da proposta. O reajuste de 8% contempla apenas cargos da área finalística da saúde, excluindo aqueles que já se encontram em situação de vacância. Para os sindicatos, a medida aprofunda desigualdades internas e desconsidera a estrutura completa do sistema público de saúde.

Durante a reunião no Palácio da Fonte Grande, representantes da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) argumentaram que não haveria margem orçamentária para ampliar a proposta, como relatam as entidades. Teria sido colocada, ainda, a possibilidade de que, caso o percentual não fosse aceito, todos poderiam sair prejudicados. A postura foi interpretada pelas lideranças como uma tentativa de pressão. “Não se trata de intransigência, mas de coerência com o que foi debatido e alinhado anteriormente”, sustentam.

Os sindicatos lembram que, no último dia 13 de fevereiro, em reunião com o governador Renato Casagrande, teria sido firmado o compromisso de que as propostas construídas pelas próprias categorias seriam analisadas com prioridade, em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e a Seger. Na ocasião, foi sinalizada a intenção de avançar na valorização efetiva da carreira, mas a atual contraproposta, no entanto, é considerada aquém do que foi discutido.

Os sindicatos afirmam, ainda, que a decisão não foi tomada de forma precipitada. Segundo as lideranças, o movimento é resultado de anos de negociações, estudos técnicos e tentativas de diálogo. “A pandemia escancarou a importância da saúde pública, mas a valorização não acompanhou essa responsabilidade”, afirmam. Os sindicatos defendem que a política de valorização do funcionalismo precisa ser aplicada de forma equânime. A diferença de 22% nas tabelas de subsídio, segundo eles, representa “não apenas um dado financeiro, mas um símbolo de desigualdade institucionalizada”.

Diante do impasse, foi aprovada a realização do ato na Assembleia Legislativa. A programação prevê chegada dos servidores às 8h, participação na Tribuna Livre às 9h e, às 10h, deliberações sobre os próximos encaminhamentos do movimento. Depois, os trabalhadores devem se reunir para discutir a possibilidade de deflagração de greve geral na saúde estadual.

Servidores do Executivo

Após onze meses de campanha salarial, que incluiu paralisações e 30 dias de greve, as categorias da base do funcionalismo, representadas pelo Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), aprovaram nessa quinta-feira (26), o reajuste linear de 8% para a maioria dos trabalhadores e de 18% para quatro cargos técnicos, atendendo parcialmente às reivindicações da entidade por reestruturação de carreiras. O sindicato também aponta distorções e corrosões provocadas pelo congelamento de salários, principalmente nos governos de Paulo Hartung (PSD).

Apesar de aceitar a proposta, foram definidas ressalvas formais à proposta do Executivo, como a abertura de mesa específica para discutir a situação dos agentes de Suporte Educacional (ASEs), não contemplados; a inclusão dos técnicos-administrativos que ficaram de fora da tabela de 10% de recomposição diferenciada para as carreiras técnicas; e a defesa da retroatividade dos efeitos financeiros a janeiro de 2026.

Outras pautas que agora entrarão em debate são o Reajuste Geral Anual (RGA), auxílio-alimentação e diárias.

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