Quarta, 29 Junho 2022

Vacinação infantil está abaixo da meta e desigual, aponta TCE

vacinao-crianasCreditoTomazSilva_AgenciaBrasil Tomaz Silva/Agência Brasil.
Tomaz Silva/Agência Brasil.

Um relatório do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) constatou que a vacinação infantil contra a Covid-19 ainda caminha a passos lentos no Estado. Além de muito abaixo da meta de cobertura da primeira dose -  42,20% -, o avanço da imunização infantil em terras capixabas tem ocorrido de forma desigual entre os municípios. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPES), para que o órgão apure a relação dos baixos índices com a disseminação de notícias falsas.

Os piores resultados são na região metropolitana, onde apenas 39,4% do público-alvo foi alcançado com a primeira dose, de acordo com o relatório. A área contempla municípios como Vitória, Vila Velha, Viana, Cariacica, Fundão e Guarapari, representando 50% da população do Estado. Por isso, uma das preocupações do TCE, é que os baixos números na região impactem nos números da vacinação em todo o Espírito Santo.

Outro alerta é com o avanço da aplicação das vacinas de forma desigual. De acordo com o Tribunal, enquanto algumas cidades, como Laranja da Terra e Muniz Freire, podem atingir a meta para a primeira dose em abril, em municípios como Guarapari, Jaguaré e Pancas, esse resultado pode ser alcançado apenas em novembro.

Guarapari, por exemplo, está entre as cidades com os piores índices de vacinação infantil, com apenas 25,5% de crianças alcançadas com a primeira dose, de acordo com o relatório. Números do sistema Vacina e Confia, nesta quinta-feira (7), mostram que o índice subiu para 29,35%.

Marataízes, com 29,4%, e Cachoeiro de Itapemirim, com 30,3%, também lideram esse ranking das piores coberturas. O relatório mostra que as cidades com maiores índices de alcance são Laranja da Terra, com 77%, Bom Jesus do Norte (70,4%) e Muniz Freire (68,6%). Em Vitória, o índice de cobertura registrado foi de 53,5%.

Os dados do Tribunal são referentes à fiscalização feita até o dia 18 de março, mas pouco mudou de lá para cá. O sistema Vacina e Confia mostra, nesta quinta, que o índice de alcance do público alvo com a D1 é de apenas 47,11% no Espírito Santo, ainda muito abaixo da meta de 90% de cobertura.

A lentidão da vacinação infantil já vinha sendo uma preocupação para a Secretaria de Saúde (Sesa) desde o início de fevereiro, quando o gestor Nésio Fernandes afirmou que a meta era vacinar 90% das crianças com primeira dose até o dia 15 de março, o que não se efetivou.

Além disso, muitas das crianças que tomaram a primeira dose, não voltaram para tomar a segunda. Na última sexta-feira (1), uma nota da Sesa informou que o Estado já contava com 50 mil esquemas em atrasos para receber a D2, que registra um índice de cobertura de apenas 13%.

Vacinação infantil com a D1 nas microrregiões do Estado. Gráfico: TCE-ES.

Causas e recomendações

O relatório do TCE aponta que uma das possíveis razões para o baixo índice de cobertura vacinal entre as crianças são as notícias falsas, que podem criar nos pais e responsáveis o receio de levar os filhos para vacinar. Por isso, o órgão recomenda que os municípios intensifiquem as campanhas de combate à desinformação.

O relatório também aponta a falta de envolvimento das escolas para informar às famílias e atingir alunos que ainda não foram imunizados, além de sugerir a falta de agentes de saúde como outra possível causa para o problema. O tribunal recomenda uma articulação maior entre as secretarias municipais de Saúde e de Educação.

As cidades também são orientadas a verificar a possibilidade de se ofertar a vacinação infantil aos fins de semana e em horário noturno, já que esse também pode ser um incentivo à imunização de crianças de 5 a 11 anos.

"A vacinação contra a Covid-19 é uma ação que objetiva, além de prevenir a evolução da doença para casos graves ou óbito, restringir a circulação do vírus, o que também diminui os impactos sociais e econômicos causados pela pandemia. Nesse sentido, é desejável que taxa de vacinação evolua de maneira relativamente uniforme entre estados e municípios do país, de forma a evitar a existência de 'bolsões de contaminação", enfatizaram os auditores. 

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