Governo anunciou obras em três meses após acidente fatal, mas descumpriu prazo

As obras de melhorias na Rodovia ES-080, no trecho que liga o centro de Santa Teresa ao distrito de São João de Petrópolis, conhecido como Barracão, na região serrana do Estado, ainda não começaram, mesmo após o governo ter anunciado que os serviços seriam realizados em até três meses. A promessa foi feita depois da intensificação da mobilização de pais e estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) do município, em maio último, cobrando providências diante das condições de insegurança da via.
Um acidente fatal na véspera do último Dia das Mães, quando dois estudantes do Ifes morreram depois que o carro em que estavam despencou em uma ribanceira da rodovia ES-261, reforçou a demanda por intervenções. O episódio trouxe à tona antigas reivindicações da comunidade escolar, que desde 2021 encaminha pedidos de obras e melhorias de infraestrutura viária, sem retorno por parte do poder público.
Pais e estudantes organizam uma manifestação no local do acidente para reforçar as reivindicações por segurança viária. As cobranças atuais foram apresentadas em reunião com o presidente do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), Eustáquio de Freitas. Na ocasião, o dirigente informou que seria realizado um aditivo contratual para viabilizar as obras e se comprometeu a iniciar intervenções emergenciais no início de junho. Entre as ações previstas estavam obras de sinalização, instalação de sonorizadores, além de limpeza e manutenção da pista. Até agora, entretanto, nenhuma dessas medidas foi concretizada, de acordo com os representantes da comunidade escolar.
Fernando Schubert, pai de um estudante ferido em mais um acidente, ocorrido em junho, no início da serra da ES-010, ressalta que as famílias vivem em constante apreensão diante do risco do trajeto, marcado por ribanceiras, falta de sinalização e de manutenção adequada. No episódio, dois ônibus escolares se envolveram no acidente: o primeiro foi atingido de raspão, enquanto o segundo sofreu uma colisão frontal. Oito estudantes tiveram lesões e receberam atendimento no hospital local, mas alguns precisaram ser transferidos para unidades da Grande Vitória devido à gravidade dos ferimentos.
Os acidentes que motivaram a mobilização, ocorridos nas rodovias ES-261 e ES-010, fazem parte da mesma malha viária que tem como tronco principal a ES-080, onde a comunidade do Ifes tem cobrado as obras de prevenção. Moradores e estudantes apontam que o risco é cotidiano para quem precisa subir e descer a serra diariamente. O trecho é marcado por curvas fechadas e pela proximidade com ribanceiras, o que aumenta a vulnerabilidade de motoristas, ciclistas e pedestres. Para as famílias, a ausência de infraestrutura mínima transforma a viagem diária em um risco constante.
Outra cobrança feita durante a reunião foi a melhoria da iluminação pública no trecho. Considerada insuficiente, a falta de iluminação é apontada como um dos fatores que agravam a insegurança de quem trafega pela via, sobretudo estudantes e trabalhadores que utilizam a rodovia em horários noturnos. A medida, entretanto, depende da atuação da Prefeitura de Santa Teresa, sob gestão de Kleber Médici (PSDB), que até o momento também não deu retorno às reivindicações da comunidade.
Entre as principais demandas da comunidade estão a construção de calçadas e ciclovia para pedestres e ciclistas; implantação de sinalização adequada e de redutores de velocidade; iluminação pública ao longo da rodovia; e a inclusão de Barracão na rota dos ônibus escolares.
O clima de apreensão entre os estudantes também foi destacado por Ana Luiza Frasson, diretora de Relações Interpessoais e Políticas do Grêmio Estudantil do Ifes de Santa Teresa. Ela relatou que, após o acidente, muitos colegas deixaram de frequentar as aulas por medo de passar pela rodovia. O Grêmio atuou para apoiar os alunos que ficaram feridos e também aqueles que estavam emocionalmente abalados. Para ela, a precariedade das estradas é um problema antigo, que há muito preocupa a comunidade escolar, mas que só ganhou maior visibilidade depois da tragédia.