Sábado, 20 Julho 2024

Diretório dos Estudantes repudia 'abordagem truculenta' na Ufes

ufes_leonardo_sa-4 Leonardo Sá

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) divulgou nota de repúdio sobre um caso de violência policial ocorrido nessa segunda-feira (21). Enquanto montava o stand do seu curso para a Semana de Profissão da Ufes, um estudante de Pedagogia foi abordado por policiais militares, que alegaram que ele era suspeito de furtar bicicletas presas nas vigas dos prédios do campus de Goiabeiras.

Conforme consta na nota, publicada na noite dessa terça-feira (22), a abordagem foi "truculenta", pois o aluno foi coagido a tirar todos os itens da mochila para provar que não tinha nenhuma ferramenta que indicasse ação furtiva. "Mesmo tirando de sua mochila apenas os materiais para confecção do stand (tnt, tesoura, cola, fita), os policiais continuaram com a constrangedora abordagem. Em conversa com o estudante, ele relatou que se sentiu muito humilhado ao receber aquela abordagem na frente de todo mundo do seu curso e dos demais cursos do IC-3 e IC-4", diz o documento.

O diretor de Comunicação do DCE, Emanuel Couto, informa que a entidade irá protocolar um ofício na Reitoria para saber quais são os procedimentos e parâmetros para a abordagem da Polícia Militar (PM) na universidade. "Também estamos dialogando em busca de um plano de segurança que seja mais eficiente, visto que, apesar dos inúmeros registros de abordagens policiais, os campi ainda vivenciam furtos e assaltos, mesmo com o patrulhamento da PM", aponta.

Ele afirma que não é a primeira vez que o DCE recebe relatos de abordagens abusivas por parte da segurança contratada pela Ufes. "Até então, cobramos um posicionamento da Reitoria, mas ainda não obtivemos retorno sobre quais serão as procedências quanto aos casos", acrescenta.

Na nota, o DCE destaca que, desde 2018, por meio do Convênio nº 1.017/2018, a universidade vem apostando em uma política de segurança universitária militarizada. "O que não faltam são estudos e indicativos da própria realidade que dê conta de provar que a Polícia Militar possui mais letalidade do que capacidade de proteger o cidadão, pois sua existência se dá única e exclusivamente para defender a propriedade privada e, por consequência, a manutenção da ordem social burguesa", critica.

O texto prossegue salientando que "a letalidade da PM é sentida na pele pela classe trabalhadora jovem, preta e periférica, que tem o seu cotidiano confundido com a violência urbana. Isto posto, a Universidade Federal do Espírito Santo não pode ser palco dessas ações descabidas e truculentas da Polícia Militar, a universidade é espaço de produção do conhecimento humano, de avanços tecnológicos na área das ciências, de convívio social, e por isso, não cabe esse tipo de violência. Segurança universitária não se faz com militarização!", protesta o DCE.

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