Sexta, 28 Janeiro 2022

​'Encaminhamento de novo comandante é um avanço, mas não resolve o problema'

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As associações comerciais e de moradores da região do Centro de Vitória realizam uma audiência com a temática da segurança pública nessa quarta-feira (20), às 19h, na quadra do Colégio Agostiniano, no Parque Moscoso. As comunidades, que há muito tempo reivindicam melhorias nessa área, tiveram um avanço, que foi o encaminhamento de um novo comandante para a 1ª Companhia da Polícia Militar (PM), mas ainda é insuficiente, como afirma o presidente da Associação de Moradores do Centro (Amacentro), Lino Feletti.

"É um avanço, sem dúvidas, quem assumiu o posto conhece a realidade do Centro, tem se aberto ao diálogo. A gente consegue direcionar pontualmente questões de segurança para uma determinada rua, por exemplo, mas não resolve", diz Lino.

Foram convidados para a audiência representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Polícia Militar (PM), Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), Polícia Civil (PC), Câmara de Vitória, Assembleia Legislativa e Secretaria Municipal de Segurança Urbana.

Com a promoção do então comandante a major, o encaminhamento de outro foi discutido no final de setembro em uma reunião com representantes de colegiados das associações comerciais e de moradores com o governador Renato Casagrande (PSB) e o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, na qual foi debatida a necessidade de políticas de segurança para a Regional I, que abrange Centro, Moscoso, Parque Moscoso, Fonte Grande, Piedade, Vila Rubim e Ilha do Príncipe. Na ocasião também foi colocada em pauta a questão da falta de um subcomandante, o que, segundo Lino, ainda não foi solucionado.

Para o presidente da Amacentro, a audiência é uma oportunidade de os moradores discutirem com o poder público. "É importante participar, sair das redes e ir para a participação efetiva, para a discussão ampla", defende. Lino relata que as comunidades do Centro vêm sofrendo com arrombamentos de lojas e tentativas de forçar abertura dos portões dos prédios residenciais.

Na reunião do final de setembro, o governador também assumiu o compromisso de agendamento de um diálogo com a secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo, para que as associações pudessem fazer suas reivindicações em relação às políticas do Programa Estado Presente, além de ações que englobam áreas como esporte e geração de emprego e renda. A reunião ocorreu em oito de outubro. Segundo Lino, serão necessários mais encontros para traçar ações de acordo com a realidade da região do Centro.

Guarda Municipal

Recentemente, associações de moradores da região do Centro questionaram a desativação do posto da Guarda Municipal de Vitória, que ficava no Parque Moscoso. Na ocasião, Lino reclamou que o posto contava com toda infraestrutura para os guardas municipais guardarem seus materiais e pertences particulares antes de ir ao trabalho nas ruas. Essa infraestrutura foi desmontada. O posto aumentava a circulação de Guardas Municipais na região, e, consequentemente, a sensação de segurança.

Os guardas municipais tiveram até 31 de agosto para tirar seus pertences do local. Segundo Lino, hoje "não se vê mais a presença da guarda no Centro como antes".

Violência

Um dos casos mais recentes de violência na região do Centro aconteceu em 11 de julho, no Morro da Capixaba. Houve um tiroteio no momento em que várias pessoas estavam na rua, em uma festa julina. Na ocasião, um homem ficou gravemente ferido e foi levado ao hospital. A violência teve início quando homens encapuzados subiram o morro armados e iniciaram um confronto com traficantes da região.

A Amacentro, juntamente com a Associação de Moradores do Parque Moscoso (Ampar), a Associação dos Barraqueiros da Praça do Palmito da Vila Rubim e o Colegiado das Associações de Moradores da Regional 1 (Regional do Centro) Vitória, divulgou uma nota para se posicionar diante do ocorrido. As entidades afirmaram lamentar a violência urbana, "que revela as atividades fim, como é o caso de homicídio e barulho de tiros que encerram o domingo".

A associação aponta como algumas das consequências da violência na região a impossibilidade de garantia do direito de ir e vir das pessoas, pois muitas temem sair de casa. Outro impacto negativo é no comércio, já que muitos deixam de fazer suas compras no Centro em decorrência da criminalidade.

O Morro da Piedade é outro local que tem sofrido com a violência. Em 2020, diante de tantos assassinatos de jovens, foi firmado um compromisso entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Vitória e a comunidade, que organizou uma lista de reivindicações, dentre elas o retorno do acesso da comunidade ao Centro de Vivência.

Entre as demais demandas apresentadas, estão a ampliação do atendimento de saúde no território com mais psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, médicos, agente de saúde e outros profissionais; articulação intersetorial com as redes de educação, saúde e assistência social; criação urgente de projetos e programas sociais com intuito de atender crianças, jovens, adultos e idosos; destinação de recursos públicos para criar e fortalecer projetos de cultura e esporte existentes no território; instalação de câmeras em pontos estratégicos da comunidade; instalação de internet nas praças e vias públicas da parte alta da comunidade; ocupação de terrenos baldios e espaços ociosos, com praças, academias populares e brinquedos infantis; e potencialização das escolas públicas.

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