Número é o menor dos últimos nove anos. Mês com maior índice foi janeiro

O ano de 2025 foi marcado por 907 mortes violentas intencionais do Espírito Santo, de acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública, com dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). O levantamento contempla homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e mortes por intervenção legal dos agentes de Estado.
O mês quando ocorreram mais mortes foi janeiro, com 92. Em seguida veio dezembro (86), outubro (84), fevereiro (79), março (77), novembro (75), julho e agosto (74), maio (71), setembro (70), junho (64) e abril (61).
Uma das mortes violentas intencionais que causaram comoção social no Espírito Santo em 2025 foi a do jovem Breno Rezende de Carvalho, 25 anos, morto na Rua da Lama, em Jardim da Penha, Vitória, no mês de março. Breno foi assassinado por Vilson Luiz Ballan, dono do bar Sofá da Hebe.

Segundo testemunhas, ele estava no estabelecimento com amigos quando foi abordado por Vilson, que o acusou de não ter pago uma conta no valor de R$ 16,00. Teria, então, começado uma discussão, já que, de acordo com os presentes, a vítima tinha pago. Posteriormente, Breno foi para outro bar com os amigos, mas Vilson, já armado com uma faca, foi até lá e o assassinou.
Também em 2025 começou a ser colocada em prática uma reivindicação histórica da sociedade civil, que é a instalação de câmeras corporais nos uniformes da Polícia Militar (PM), Polícia Civil (PC), Polícia Científica (PCIES) e Corpo de Bombeiros do Estado. A reivindicação vem sendo feita diante das mortes oriundas de ações policiais.
A gestão de Renato Casagrande (PSB) anunciou a aquisição de, no mínimo, 1 mil câmeras e o máximo de 4,8 mil. No entanto, a quantidade foi apontada como insuficiente por ser menor do que o efetivo da PM, que é de cerca de 8,5 mil. “É um número pequeno de equipamentos, que não elimina a utilização desproporcional da força e não vai diminuir as mortes em ações policiais, nem vai possibilitar a investigação de supostos crimes”, disse, na ocasião, o militante do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Espírito Santo (MNDH/ES), Gilmar Ferreira.

De acordo com o governador, o contrato para aquisição das câmeras prevê o fornecimento por parte da empresa das bodycams, além da estrutura para armazenamento e custódia das imagens. Está prevista também a integração das câmeras com as demais tecnologias já disponíveis no parque tecnológico da Segurança Pública, como reconhecimento facial, geolocalização e leitura de placas.
O contrato terá validade de 39 meses, prorrogáveis por até 10 anos. Os equipamentos serão integrados ao Centro Integrado de Defesa Social (Ciodes) da Sesp. Além disso, será implantada uma Central de Monitoramento Integrada, que será responsável pela gestão, análise e compartilhamento das evidências digitais com órgãos externos, como o Ministério Público e o Poder Judiciário. De acordo com a gestão estadual, será assegurado, em todas as etapas, a preservação da cadeia de custódia das informações coletadas.
Dados de 2017 a 2025
O painel traz dados de 2017 a 2025. Nesse período, o número registrado nesse ano que se encerrou é o menor. O maior é 2017, com 1,4 mil mortes violentas intencionais. A informação não surpreende, uma vez que foi nesse ano que aconteceu a greve da Polícia Militar (PM). A greve durou 21 dias e só nesse período contabilizou cerca de 300 mortes.
O segundo ano com maior número de mortes violentas intencionais no Espírito Santo foi 2020, com 1,2 mil. Depois veio 2018 (1,1 mil), 2021 (1,1 mil) e 2022 (1,1). A diferença entre esses três últimos é bem pequena, sendo de 24 de 2018 a 2021, e de 44 de 2021 a 2022. Em 2023 foram cerca de 1 mil, assim como 2019, que teve 35 mortes a menos do que 2023. Já 2024 teve 983 óbitos violentos intencionais, sendo o segundo menor número do período.
De 2017 a 2025, ocorreram 10,2 mil mortes violentas intencionais. A maioria delas se concentra na Grande Vitória. Entre os cinco maiores números registrados, somente Linhares, no norte, não está nessa região. Esse município teve 666 mortes. O primeiro colocado é a Serra, com 1,5 mil. Depois vem Cariacica e Vila Velha, com 1,3 mil, portanto, empate técnico, já que Cariacica registrou 42 mortes a mais do que o outro município. Vitória teve 754.
Quanto à faixa etária, as maiores vítimas de mortes violentas intencionais são os jovens de 15 a 24 anos, que correspondem a 35,53%. Em seguida vem pessoas de 25 a 34 (26,61%), 35 a 44 (16,60%), 45 a 54 (8,19%), faixa etária não informada (5,50%), 55 a 64 (4,12%), mais de 65 (2,01%) e zero a 14 (1,44%). A maioria das vítimas são do sexo masculino: 90,11%. As mulheres são 9,05%. Não há informação sobre o sexo em 0,84% dos casos.

