quarta-feira, fevereiro 25, 2026
24.9 C
Vitória
quarta-feira, fevereiro 25, 2026
quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Leia Também:

Policiais civis convocam assembleia por readequação salarial

Categoria promete mil policiais em mobilização nesta sexta-feira no Palácio Anchieta

Sindipol

“Não temos outro caminho senão mobilizar a categoria. Tudo que foi prometido em 2024 e 2025 não foi cumprido. O governador tem como menina dos olhos o programa Estado Presente, que de fato traz resultados positivos para a segurança pública. Mas o grande ator desse programa é o policial. E, no caso da polícia investigativa, somos nós que retiramos o criminoso da sociedade, que sustentamos boa parte dos indicadores que o governo apresenta. Não conseguimos entender como um governo que diz priorizar a segurança e valorizar os servidores, deixa de cumprir a última etapa da reestruturação do nosso cargo”, dispara o diretor de Relações Institucionais do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol/ES), Humberto Mileip.

Ele destaca a expectativa de reunir mais de mil policiais civis em mobilização para a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para esta sexta-feira (27) no Palácio Anchieta em Vitória. O ato ocorre em meio ao impasse com a gestão de Renato Casagrande (PSB) sobre a adequação da remuneração do cargo de oficial investigador de Polícia, e vai contar com a participação do presidente da Confederação Brasileira dos Policiais Civis (Cobrapol), Jancarlo Miranda, que virá de Brasília.

Criado em outubro de 2024, a partir da implementação da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (Lei nº 14.735/2023), o cargo unificou funções antes exercidas por agentes, investigadores e escrivães e ampliou o rol de atribuições. Segundo o dirigente, a reestruturação institucional foi concluída no plano formal, mas a etapa remuneratória — considerada essencial pela categoria — ficou pendente.

Ele explica que o pleito não se trata de um reajuste linear, mas de uma adequação remuneratória decorrente da nova configuração do cargo, que passou a concentrar atribuições de maior complexidade, responsabilidade e autonomia. O percentual apresentado pelo sindicato como parâmetro para essa recomposição é de 18%.

Segundo Humberto, o Estado assumiu o compromisso de discutir a readequação ainda em 2024, durante as tratativas que antecederam a consolidação do novo cargo. A expectativa da categoria era que, ao longo de 2025, fosse apresentada uma proposta concreta de adequação da tabela de subsídios, o que, até o momento, não ocorreu. Em reunião no último mês de dezembro, com representantes da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e da Secretaria de Economia e Planejamento (SEP), o Estado assumiu o compromisso de apresentar um estudo de impacto financeiro para dar início à negociação, mas não houve retorno formal. “Ficamos aguardando durante todo o ano de 2025”, afirmou.

Assomes

Ele observa que o governo estadual promoveu ajustes recentes na remuneração de outras categorias da segurança pública. “O governo ajustou a remuneração dos policiais penais, ajustou a dos peritos com retroatividade a janeiro de 2025, e fez um pequeno reajuste na tabela dos delegados. Tudo com razão. Mas a nossa situação decorre da criação de um novo cargo, com novas atribuições, e não conseguimos entender por que essa etapa ficou para trás”, reforça.

O sindicalista aponta que a corporação conta com mais de 1,7 mil policiais civis, considerando todos os cargos, o que tornaria o impacto “muito razoável” diante da situação fiscal do Estado. Sem novo prazo formalizado pelo governo para apresentação do estudo de impacto, a AGE desta sexta-feira deve definir os próximos passos da mobilização. Humberto afirma que o objetivo é “endurecer” a postura da categoria.

“Se até sexta-feira não nos for apresentado nada, vai ser uma assembleia dura”, antecipou a liderança, que não descarta a possibilidade de atos públicos ou outras formas de mobilização. “A categoria está inflamada. A expectativa é muito alta. Vamos decidir juntos como atuar daqui para frente”, enfatiza.

Mais Lidas