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Terça, 27 Outubro 2020

Entidades se manifestam contra privatização da Codesa

juliocastiglioni_codesa_secom Secom

Onze entidades assinam um "Manifesto dos Portuários do Espírito Santo em Defesa do Trabalho e dos Portos Públicos", divulgado nesta quarta-feira (12), em que "manifestam sua insatisfação com a política do governo federal de privatizar os portos públicos do Brasil, a começar pela Companhia Docas do Espírito Santo [Codesa]", que tem previsão de ir a leilão ainda este ano. 

As entidades destacam que o presidente da Codesa, Julio Castiglioni, que assumiu a função em 2019, tem "a única missão de fazer a transição entre o público e o privado". Para isso, segundo o manifesto, ele tem comandado um processo de sucateamento da Codesa, que engloba ataques aos trabalhadores, com demissões e retirada de direitos. Entretanto, essas investidas, afirmam as entidades, não são somente de agora e ocorrem desde 2016, com a inclusão da Companhia nas Parcerias Público Privadas (PPP). 

As entidades recordam privatizações ocorridas em governos anteriores, como o de Fernando Henrique Cardoso (FHC), a exemplo do que aconteceu com a Vale, e alerta que essa empresa, já privatizada, foi responsável pelo rompimento das barragens de Fundão, em Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019, ambas em Minas Gerais, mas com impactos também no Espírito Santo, como no caso do crime da Samarco/Vale-BHP.  "Ao contrário do discurso liberal, as privatizações trazem preços e tarifas elevadas, proibitivas, queda na qualidade dos serviços, insuficiência de investimentos, desemprego, precarização do trabalho, dentre outros malefícios", enumeram.

Assinaram o manifesto a Federação Nacional dos Portuários (FNP), Federação Nacional dos Estivadores (FNE), Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Carga e Descarga, Vigias Portuários Trabalhadores de Bloco Arrumadores e Amarradores de Navios nas Atividades Portuárias (Fenccovib), Intersindical da Orla Portuária no Espírito Santo, Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES), Sindicato da Guarda Portuária (Sindguapor-ES), Sindicato dos Aquaviários (Aquasind), Conselho Nacional da Guarda Portuária (Congport), Sindicato da Guarda Portuária do Estado do Pará e Amapá (Sindiguapor-PA-AP), Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Portuário de Rio Grande (SindiPortuários-RS) e Sindicato dos Portuários no Estado do Pará e Amapá (Sindiporto-PA-AP).

Manifestações

A divulgação do manifesto é apenas uma das atividades a serem realizadas contra a privatização da Codesa. Durante o mês de agosto, outras ações serão desenvolvidas. Nesta quinta-feira (13), será realizada a carreata Portuários em Defesa do Porto Público e dos Empregos, cuja concentração será em Capuaba, às 7h. A carreata percorrerá as ruas de Vitória, rumo à Portaria da Ilha do Príncipe (PDIP). Durante o mês de agosto também serão realizadas manifestações em frente a prefeituras e câmaras municipais. 

Denúncias

Não é de hoje que os trabalhadores portuários denunciam a tentativa de privatização dos portos públicos. Desde 2017, ações que podem ser citadas com esse objetivo são o ato público "Abraço ao Porto" e um fórum realizado em Vitória em 2018. Consta ainda uma viagem a Brasília para cobrar do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e de demais parlamentares a participação dos trabalhadores no processo, além de reuniões com vereadores, prefeituras, bancada capixaba, deputados estaduais e setores interessados.

Segundo o presidente do Suport-ES, em dezembro de 2018 a Codesa tinha 316 trabalhadores. No levantamento divulgado pela entidade em fevereiro deste ano, havia 254.  As demissões têm sido acompanhadas de outras atitudes, como corte de hora extra, abandono da segurança e inutilização de prédios históricos. 

Há ainda problemas com contratos, que têm tido, propositalmente, seus prazos vencidos sem a adoção de medidas para as devidas renovações ou substituições de prestadores de serviços, como os de linhas telefônicas, impedindo até mesmo que funcionários conseguissem falar com o setor de Recursos Humanos, conforme denúncia publicada por Século Diário em março.

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Comentários: 8

Antonio Candido em Quarta, 12 Agosto 2020 19:22

estamos assistindo a uma demissão em massa dos portuários. Atenção Bolsonaro, não podemos ser culpados pelos erros dos governos anteriores que contribuíram para o sucateamento das estatais no Brasil. Portos dão lucros e são fronteiras da nação, não podemos deixar o setor privado diante de uma responsabilidade tão grande.

estamos assistindo a uma demissão em massa dos portuários. Atenção Bolsonaro, não podemos ser culpados pelos erros dos governos anteriores que contribuíram para o sucateamento das estatais no Brasil. Portos dão lucros e são fronteiras da nação, não podemos deixar o setor privado diante de uma responsabilidade tão grande.
Thommaselington Guyansque em Quarta, 12 Agosto 2020 20:24

Infelizmente estamos refém das circunstâncias... No Porto temos funcionários com depressão, o clima nunca foi tão ruim e pesado.

Por sorte ainda temos nobres e bravos colegas que não se entregam e lutam pela justiça, temos colegas de oração e temos o Século Diário para expor a realidade, sem máculas.

Obrigado e que Deus compre a nossa causa.

Infelizmente estamos refém das circunstâncias... No Porto temos funcionários com depressão, o clima nunca foi tão ruim e pesado. Por sorte ainda temos nobres e bravos colegas que não se entregam e lutam pela justiça, temos colegas de oração e temos o Século Diário para expor a realidade, sem máculas. Obrigado e que Deus compre a nossa causa.
ANDRESSA MOTA DA SILVA em Quarta, 12 Agosto 2020 21:12

Deixar os empregados a mercê da própria própria sorte será temerário, desumano. Grande parte dos empregados trabalham exclusivamente para Codesa e são única fonte de renda familiar. Qual será o futuro dessas famílias? Estamos vivendo momentos difíceis com a pandemia, momentos de incertezas, de medo, de aflição, de sofrimento, de perdas humanas, se isso não bastasse temos que simultaneamente conviver a cada dia com a angústia de estarmos desempregados e sem perspectivas de futuro. Pessoas que se dedicaram com mérito próprio para entrarem por meio de concurso público na empresa, sem regalias, nem grandes salários estão ficando doentes e deprimidas diante da imimente privatizacao e incertezas do que possa acontecer. Empregados pedem socorro.

Deixar os empregados a mercê da própria própria sorte será temerário, desumano. Grande parte dos empregados trabalham exclusivamente para Codesa e são única fonte de renda familiar. Qual será o futuro dessas famílias? Estamos vivendo momentos difíceis com a pandemia, momentos de incertezas, de medo, de aflição, de sofrimento, de perdas humanas, se isso não bastasse temos que simultaneamente conviver a cada dia com a angústia de estarmos desempregados e sem perspectivas de futuro. Pessoas que se dedicaram com mérito próprio para entrarem por meio de concurso público na empresa, sem regalias, nem grandes salários estão ficando doentes e deprimidas diante da imimente privatizacao e incertezas do que possa acontecer. Empregados pedem socorro.
Osmar José da Silva em Quarta, 12 Agosto 2020 21:56

Governo federal tem que rever urgentemente a questão do futuro dos empregados públicos lotados na Codesa. A privatização caminha a passos largos e nem a pandemia foi capaz de barrar esse andamento, que por incrivel que pareça tornou-se mais celere nos últimos meses. Até o momento tem-se falado em desestatização, sem abordar o futuro dos empregados das estatais. Falta transparência e publicidade da verdadeira necessidade da privatização, já que conforme divulgado pela própria Codesa na imprensa local e eu seu site institucional, a estatal vem apresentando lucro nos últimos tempos. Pergunta-se qual a finalidade? acabar com apadrinhamento? Aumentar a competividade comercial? Quem será mais beneficiado com a privatização? Será o Estado ou os empresários? E o interesse público onde fica? Tem que ser avaliado um conjunto de fatores, e em especial a questão sócio-econômica gerada com o desemprego em massa. Isso trara consequências graves na questão previdenciária, na questão de saúde pública, na questão social e econômica do país que já está gravemente agravada pela pandemia. Transferir para inciativa privada setores estratégicos de Estado, como é o caso dos Portos Públicos, é visto com temor. Portos são áreas de fronteira, por onde se dá a entrada e saída de mercadorias. Experiências mostram que a maioria de apreensões de drogas se dão justamente nos terminais privados. Acredito ser um caso sensível a se repensar. A Administração dos Portos e sua autoridade portuária têm que continuarem sendo públicas. Áreas arrendadas como há muito tempo já e feito, que seja por concessão, nos moldes que já acontecem nos dias atuais, assim, mantém-se a autonomia e fiscalização Estatal sobre os Portos, tendo com braço de apoio seus agentes públicos estatais.

Governo federal tem que rever urgentemente a questão do futuro dos empregados públicos lotados na Codesa. A privatização caminha a passos largos e nem a pandemia foi capaz de barrar esse andamento, que por incrivel que pareça tornou-se mais celere nos últimos meses. Até o momento tem-se falado em desestatização, sem abordar o futuro dos empregados das estatais. Falta transparência e publicidade da verdadeira necessidade da privatização, já que conforme divulgado pela própria Codesa na imprensa local e eu seu site institucional, a estatal vem apresentando lucro nos últimos tempos. Pergunta-se qual a finalidade? acabar com apadrinhamento? Aumentar a competividade comercial? Quem será mais beneficiado com a privatização? Será o Estado ou os empresários? E o interesse público onde fica? Tem que ser avaliado um conjunto de fatores, e em especial a questão sócio-econômica gerada com o desemprego em massa. Isso trara consequências graves na questão previdenciária, na questão de saúde pública, na questão social e econômica do país que já está gravemente agravada pela pandemia. Transferir para inciativa privada setores estratégicos de Estado, como é o caso dos Portos Públicos, é visto com temor. Portos são áreas de fronteira, por onde se dá a entrada e saída de mercadorias. Experiências mostram que a maioria de apreensões de drogas se dão justamente nos terminais privados. Acredito ser um caso sensível a se repensar. A Administração dos Portos e sua autoridade portuária têm que continuarem sendo públicas. Áreas arrendadas como há muito tempo já e feito, que seja por concessão, nos moldes que já acontecem nos dias atuais, assim, mantém-se a autonomia e fiscalização Estatal sobre os Portos, tendo com braço de apoio seus agentes públicos estatais.
Marcos em Quinta, 13 Agosto 2020 08:16

Que excelente notícia a privatização, a exemplo da Vale que foi salva, a Petrobrás infelizmente os parasitas sugaram até o osso. Acabar com apadrinhamento e roubalheira

Que excelente notícia a privatização, a exemplo da Vale que foi salva, a Petrobrás infelizmente os parasitas sugaram até o osso. Acabar com apadrinhamento e roubalheira
Rogério Julião da Silva em Sexta, 14 Agosto 2020 07:07

O "rio de corrupção" sempre existiu por causa do sistema de indicação de cargos políticos, em todas as esferas.
Se não for por mérito, os favorecimentos sempre contribuirão para a manutenção desse sistema.
Se tivessemos instituições onde o funcionalismo público ou empregados, tivessem a valorização e que fossem fiscalizados pelos orgaos competentes, isso não ocorreria.

O "rio de corrupção" sempre existiu por causa do sistema de indicação de cargos políticos, em todas as esferas. Se não for por mérito, os favorecimentos sempre contribuirão para a manutenção desse sistema. Se tivessemos instituições onde o funcionalismo público ou empregados, tivessem a valorização e que fossem fiscalizados pelos orgaos competentes, isso não ocorreria.
Rogério Julião da Silva em Sexta, 14 Agosto 2020 07:43

Parasitas existem em todos os lugares, principalmente quando se trata de indicação política para ocupação de cargos comissionados. O problema no Brasil está na política e não nas estatais. Fato comprovado na Codesa que teve lucro após mudanças em sua direção, com gestores que atuam de fato para o interresse do Estado. O Estado quando atua na exploração econômica tem possibilidade de concorrer a altura com o setor privado. Em consequência estará comprometido com o interesse social, ao contrário do setor privado que focara somente no lucro, refletindo em cobranças de maiores taxas/tarifas para o usuário do serviço/operadores portuários, ou seja, os maiores prejudicados nos processos de privatizacao são os usuários do serviço que estarão a mercê dos valores estipulados pelo setor privado. A sociedade em si não tem vantagens significativas com esse modelo.

Parasitas existem em todos os lugares, principalmente quando se trata de indicação política para ocupação de cargos comissionados. O problema no Brasil está na política e não nas estatais. Fato comprovado na Codesa que teve lucro após mudanças em sua direção, com gestores que atuam de fato para o interresse do Estado. O Estado quando atua na exploração econômica tem possibilidade de concorrer a altura com o setor privado. Em consequência estará comprometido com o interesse social, ao contrário do setor privado que focara somente no lucro, refletindo em cobranças de maiores taxas/tarifas para o usuário do serviço/operadores portuários, ou seja, os maiores prejudicados nos processos de privatizacao são os usuários do serviço que estarão a mercê dos valores estipulados pelo setor privado. A sociedade em si não tem vantagens significativas com esse modelo.
Francisco Felipe Coelho em Quinta, 13 Agosto 2020 11:04

Bom dia! Onde é que um empreendimento dá prejuizo a iniciativa privada vai investir e tirar o lucro!!? Vende igual a Vale e o prejuijo do INSS é pago por nós por conta do rompimento da barragem! A Escelsa que hoje EDP - Energia de Portugal. Cobra cara a tarifa e manda a conta para nós!

Bom dia! Onde é que um empreendimento dá prejuizo a iniciativa privada vai investir e tirar o lucro!!? Vende igual a Vale e o prejuijo do INSS é pago por nós por conta do rompimento da barragem! A Escelsa que hoje EDP - Energia de Portugal. Cobra cara a tarifa e manda a conta para nós!
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Terça, 27 Outubro 2020

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