Quinta, 11 Agosto 2022

Oposição exige que Sindfer inicie negociações do Acordo Coletivo

Oposição exige que Sindfer inicie negociações do Acordo Coletivo

Componentes da oposição à atual gestão do Sindicato dos Ferroviários (Sindefer-ES/MG) cobram da entidade o início das negociações do Acordo Coletivo Regional de Trabalho – ACT Regional 2018/2018, cujo prazo já venceu há dois meses, sem que qualquer intermediação em favor dos trabalhadores tenha sido feita. A oposição – chamada de Coletivo Cebolão - enviou um ofício ao presidente do sindicato, João Batista Cavaglieri, na última semana, cobrando explicações. 


O documento faz uma série de cobranças; entre elas, a convocação de uma assembleia geral para que se informe e esclareça o desenvolvimento das negociações do ACT Regional com a Vale. Além disso, a formação de uma Comissão Negociações de Base e um Comando de Mobilização Aberto, eleitos na Assembleia, para manter a categoria vigilante e, se necessário, organizar atos e manifestações para pressionar pela pauta de reivindicações. A ideia é 'acabar com a paralisia e inércia do presidente João Batista Cavaglieri e do Sindicato no trato das negociações do ACT Regional”, diz o documento, assinado por Adir Barbosa da Cruz, um dos líderes da oposição.


“Resolvemos agir diante da preocupação de vários segmentos dos trabalhadores do Porto, Dipe, ferrovia e aposentados”, disse Adir Barbosa. Segundo ele, a pauta é fundamental para os interesses e a vida dos trabalhadores e seus familiares. “Até o presente momento, não está havendo nenhuma mobilização, não há nenhuma reunião ou forma de divulgação e transparência quanto às discussões sobre esse acordo regional, sendo que outros sindicatos já finalizaram suas respectivas negociações”, explicou.


Reivindicações


Entre as reivindicações dos ferroviários estão: reajuste da diária que atualmente encontra-se defasada; reajuste e inclusão do tíquete-refeição (lanche) no ACT Regional; isenção do estacionamento do pessoal de Tubarão; e proibição de antecipação do horário dos maquinistas de viagem, sob pena de pagar como hora extra, caso isso ocorra.


 


Também: compensação de horas, transporte pra os maquinistas que residem em Aymorés e Baixo Guandu; trocas de escala para os trabalhadores do “turnão”, subsídios da Vale para custear parte do Plano de Aposentadoria dos Aposentados da Vale (Pasa), passeios na Floresta para aposentados e ativos, entre outros.


Mesmo grupo há 22 anos


O grupo da situação está à frente do Sindicato dos Ferroviários (Sindfer) há 22 anos. Liderado por João Batista Cavaglieri e ainda com a deputada estadual Janete de Sá (PMN) na diretoria, ferroviários da oposição buscam a renovação política da entidade. Processo corre na Justiça. Eleita em 1996, Janete permaneceu como presidente do Sindfer até 2002, sendo a primeira mulher eleita e reeleita. Foram dois mandatos de três anos. A deputada fez ainda seu sucessor, João Batista Cavaglieri, seu ex-companheiro, que está na presidência do Sindicato até hoje, em sucessivos mandatos. Janete também se mantém como diretora da entidade, além de ser membro efetivo do Conselho do Plano de Aposentadoria dos Aposentados da Vale (Pasa).


Depois de dois mandatos de três anos (2002 a 2008), João Batista Cavaglieri teria visto, porém, sua hegemonia ameaçada na eleição de 2008. Nessa data, o grupo Cebolão, da oposição, obteve 35% dos votos, o que, segundo ele, deixou a diretoria que estava no poder preocupada. 


Logo após as eleições, foram realizadas, então, mudanças estatutárias apontadas como duvidosas por Adir e sem a participação da categoria, que aumentaram o mandato de três para quatro anos. As alterações também diminuíram o prazo para inscrições de chapas de 15 dias para cinco dias. Além disso, o tempo para os ferroviários disputarem eleição passou de seis meses como associados ao sindicato, conforme prevê a própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para 18 meses. 


Processo judicial


Nas últimas eleições, em 2016, a chapa 2–Cebolão sequer conseguiu entrar na disputa. Venceu a 1-Raízes, única e da situação, reconzindo Cavaglieri. Os ferroviários da oposição, então, decidiram entrar com um processo judicial, que investiga uma série de irregularidades na última votação. O processo, cuja próxima audiência está marcada para o dia 21 de setembro, pode cancelar o resultado e iniciar um novo sufrágio.

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