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Protesto se divide e expõe racha entre entidades sindicais

Fotos: Leonardo Sá/Porã

O Dia Nacional de Paralisação no Estado realizou atividades durante toda a manhã desta sexta-feira (29) em Vitória e no interior do Estado. Foram realizados protestos em frente à Assembleia Legislativa e à Federação das Indústrias do Estado (Findes); no Porto de Vitória e nos municípios de São Mateus e Linhares, norte do Estado.O movimento no Estado é articulado pelo Fórum Campo Cidade, que reúne centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Intersindical e Central Sindical e Popular (CSP) Conlutas.
 

Em frente à Assembleia se concentraram trabalhadores de sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores no Estado (CUT-ES) e à Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB). De acordo com a presidente da CUT, Noêmia Simonassi (foto à esq.), o movimento realizado nesta sexta-feira serviu de preparação para uma greve geral, que deve ser articulada nacionalmente e ainda não tem data definida.
 
Ela considerou que as atividades desta sexta-feira foram-bem sucedidas e que passou o recado para a população, de que os trabalhadores não vão mais aceitar a retirada de direitos. Após a manifestação em frente à Assembleia, a líder sindical disse que o movimento está coeso. 
 
Apesar do discurso de coesão de Noêmia, na prática, os sindicatos se dividiram. Em Vitória, a outra concentração aconteceu na Universidade Federal do Estado (Ufes) com caminhada até a Findes. A este ato se juntaram os professores do magistério da Serra, que caminharam desde o bairro Carapina para encontrarem os manifestantes na Ufes. Mas o encontro acabou não acontecendo. Algumas entidades sindicais alegaram que a CUT estava dando viés político ao protesto e eles não queriam ser associados ao PT e ao governo Dilma.
 
Quem explica o “racha” é o advogado André Moreira (foto abaixo), que é filiado ao PSOL é um dos membros do Fórum Campo Cidade. Ele participou ativamente dos encontros para a articulação do Dia Nacional de Paralisação.
Moreira conta que tudo corria bem – com decisões tomadas a partir de ampla discussão com as mais de 50 entidades sindicais e de movimentos sociais que participam no Fórum – até esta terça-feira (26), quando seria realizada uma reunião de articulação no auditório do Sindicato dos Bancários do Estado (Sindibancários-ES). No entanto, na hora em que a reunião deveria ser iniciada, eles receberam uma ligação transferindo o encontro para a sede da CUT.
 
Os participantes que já estavam no Sindibancários enviaram, então, a pauta que havia sido construída conjuntamente para CUT. Como o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) viria ao Estado nesta sexta-feira seria realizado um ato público em frente à Assembleia.
 
No dia seguinte, na quarta-feira (27), na plenária unificada, que discutiria a organização do movimento, aqueles que não haviam conseguido ir à reunião do dia anterior por conta da mudança repentina de local, se surpreenderam com o descumprimento dos pontos haviam sido combinados anteriormente.
 
Moreira conta que foi produzido um panfleto com o rosto dos deputados federais Givaldo Vieira (PT), Helder Salomão (PT) e Jorge Silva (Pros) lembrando que eles votaram contra os trabalhadores em matérias que retiram direitos, como as MPs 664 e 665. Este panfleto seria distribuído nesta sexta-feira, mas não foi impresso, segundo André Moreira, numa tentativa de partidarizar o movimento.
 
O advogado também disse que esse era o momento de a CUT no Estado mostrar que está do lado dos trabalhadores e dos movimentos sociais, e não de mandatos e governos. Ele acrescentou que o movimento deve ser uma unidade de propósito, não uma tentativa de salvar o PT de um ataque da direita.
 
Ele confirmou que os manifestantes que estavam na Ufes decidiram não seguir até a Assembleia Legislativa justamente por essa tentativa de partidarização dos atos. O advogado ressaltou que até mesmo a CUT nacional critica o governo federal por conta da retirada de direitos dos trabalhadores, mas no Estado a central sindical, além de se submeter a mandatos (como o do ex-presidente da entidade, o deputado estdual José Carlos Nunes), também se submete ao governo Paulo Hartung (PMDB).
 
Procurada pela reportagem para comentar as afirmações de André Moreira, Noêmia Simonassi disse que recebe com surpresa as declarações do advogado. Segundo ela, a reunião foi transferida do Sindibancários para a CUT porque neste mesmo dia haveria uma reunião da executiva da entidade, por isso, com a transferência seria possível a condução das duas reuniões simultaneamente.
 
Ela conta que a coordenação do Fórum recebeu a pauta construída no Sindibancários, que foi levada à reunião plenária de quarta-feira. Noêmia também disse que a plenária concordou em fazer duas concentrações, na Ufes e na Assembleia Legislativa, já que até a reunião de coordenação – na terça-feira – a vinda do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, estava confirmada.
 
A presidente da CUT completou que em nenhum momento foi falado em favor de nenhum partido durante os protestos. “No Fórum a gente discute o que nos une, não o que nos separa”, disse ela. 
 
Pauta
 
O Dia Nacional de Paralisação denuncia os cortes de 50% do orçamento para a reforma agrária, paralisando o processo no Espírito Santo e no Brasil. A manifestação integra ainda as atividades de mobilização organizada pelo Fórum Campo Cidade contra a aprovação do Projeto de Lei 4330, que amplia a terceirização, e contra as medidas provisórias 664 e 665. O PL 4330, que agora tramita no Senado como Projeto de Lei Complementar 30/2015, estabelece que, em vez de empregar diretamente o trabalhador, uma empresa contrata outra especializada no fornecimento de mão de obra, ou seja, que existe apenas para intermediar as contratações.
 
Os trabalhadores também se opõem às Medidas Provisórias (MPs) 664/14, que muda as regras para concessão de auxílio-doença e pensão por morte; e 665/14 que dificulta o acesso ao abono salarial e ao seguro-desemprego.
 
Interior
 
No norte do Estado, por volta das 9h, cerca de 350 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam as praças de pedágio da ECO-101, concessionária da rodovia BR-101, em São Mateus e Linhares e abriram passagem para os veículos. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegaram a reunir com os manifestantes, mas deixaram o local pouco depois. 
 

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