Carnaval da G.R.E.S Espírito Santo já entrega traição, saia-justa e confusão. Ziriguidum!

Traição, saia-justa, dúvidas e confusão. Uma reviravolta inesperada e em cima da hora alterou a prévia do desfile da G.R.E.S Espírito Santo na avenida este ano, e ninguém mais sabe o que de fato vai acontecer na passarela do samba. A escola liderada pelo governador Renato Casagrande (PSB), que colocou em destaque o vice, Ricardo Ferraço (MDB), sofreu uma rasteira daquelas, perdendo um componente importante, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). Ele foi atraído, nada menos, para a principal escola concorrente, do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Os dois jovens políticos, embora não tenham tanto entrosamento assim, têm aparecido juntos e sorridentes para convencer a plateia de que merecem tomar a cidade do samba das mãos da “velha guarda”, para virarem de vez os Reis Momos da G.R.E.S Espírito Santo. Outras duas escolas também se preparam para desfilar, puxadas pelo senador Magno Malta, do PL, e pelo deputado federal Helder Salomão, do PT, cada um apostando alto nos bonecos de Jair Bolsonaro e do presidente Lula. Uma briga boa e já conhecida, mas incapaz de tirar do centro dos holofotes o que virou o principal ingrediente do Carnaval 2026. Em meio aos abalos e tropeços, ainda há tempo para recuos da bateria, mas o clima que predomina indica novos incêndios nos barracões de Casagrande e Pazolini, sob risco de rebaixamentos do grupo especial. A arquibancada segue alvoroçada, lançando as apostas. Ziriguidum!
Abre-alas
O “cartão de visita” dos desfiles também está tumultuado, com mais gente do que espaço para atravessar a avenida do Senado. Na escola de Casão, se apresentam Euclério Sampaio (MDB), Da Vitória (PP) e Rose de Freitas (MDB); de Pazolini: Sérgio Meneguelli (Republicanos), Evair de Melo (PP) e Leonardo Monjardim (Novo), com Paulo Hartung (PSD) e agora Arnaldinho incensados pelos diretores de alas; de Magno: a filha, Maguinha Malta (PL); e de Helder: Fabiano Contarato (PT). Lotado, assim, sobram cotoveladas, e o carro nem sai do lugar.
Ala das Baianas
Integrante antigo desta ala, quando “rodou” na tentativa de disputar o Senado, atropelado pelo próprio partido, o Republicanos, o deputado estadual Sérgio Meneguelli tenta ocupar novo destaque na avenida. Apesar do espaço apertado, está confiante de que vai conseguir disputar o mesmo cargo, pelo PSD, contando para isso com a palavra do presidente do futuro partido, Renzo Vasconcelos, e do Paulo Hartung. De Renzo, não se pode falar muito por ora, mas PH já é figura “batida” do Carnaval. Para Meneguelli “rodar” de novo…não custa!

Comissão de Frente
Os 30 deputados estaduais se unem nessa ala, distribuindo simpatia para a arquibancada, a maioria para garantir permanência nos atuais cargos que ocupam na Assembleia Legislativa. Outros sete têm planos mais ousados e querem alcançar a Câmara Federal e o Senado. O problema é que cada um está atrás dos seus próprios interesses, deixando de lado o trabalho no plenário, que é o chão da escola. Sem ensaio e espírito coletivo, fica difícil cativar os jurados.
Harmonia
A dupla que sacudiu a prévia do Carnaval capixaba, Analdinho e Pazolini, são dois jovens em ascensão, que vêm na esteira de eleições importantes e realizam gestões em municípios estratégicos para o Espírito Santo. Mas a harmonia não é tão óbvia assim, quanto tentam parecer. Ainda precisam ser testados na avenida tanto na Grande Vitória quanto no interior, sob julgamento principalmente da plateia. Harmonia nota…
Velha Guarda
Como ocorre em toda eleição, Paulo Hartung quer ser o destaque principal da G.R.E.S Espírito Santo. Embora fora do desfile oficial há anos, se coloca em meio aos holofotes, para ser ovacionado e convidado a ocupar qualquer posto importante do Carnaval capixaba. Desta vez, para não fugir à regra, já falou que vai desfilar, depois falou que não, e segue atrapalhando a organização das escolas. Abraça o Paulo?

Bateria
O PL de Magno Malta fez um barulho danado para rejeitar a aliança com Pazolini e passou a defender um desfile quase exclusivo. O nome do senador é apontado como a aposta para puxar a ala, mas ainda há desconfianças sobre a escalação. Outro integrante que ressurgiu com passinhos miúdos foi o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), que mudaria de legenda e assumiria esse posto. Mas nem os bolsonaristas se entendem e há até brigas públicas. Desse jeito, a bateria só arranha e perde o ritmo.
Fantasia
Com a promessa não cumprida de se vestir com as bandeiras bolsonaristas para consolidar a aliança com o PL, Lorenzo Pazolini precisou contar com seu parceiro Erick Musso, presidente estadual do Republicanos, para entrar em cena e encontrar a solução. Ao invés do verde-amarelo, da anistia e do Supremo Tribunal Federal “desmoronando”, as fantasias mudaram para Sambão do Povo, Arnaldinho e Terceira Ponte. Se vão resistir intactas até a entrada na avenida, é o que todos querem saber…
Mestre-sala e porta-bandeira
Responsável por conduzir o palanque de Lula no Carnaval, representado por Helder Salomão, o deputado estadual João Coser (PT) formou dupla com o principal quadro do Psol, a também deputada Camila Valadão, para uma aliança inédita entre os dois partidos ao governo do Estado. Era o que o público do setor esquerdo da arquibancada desejou logo no primeiro turno do desfile de 2024, mas acabou não rolando. Sem afinidade com as escolas que se apresentam este ano, os grupos se unem contra a direita e centro-direita. A tarefa se desenha acirrada, mas PT e Psol prometem entregar, ao menos, samba no pé!

Samba-enredo
A escola de Casagrande aposta no mantra da experiência, dos investimentos e do Estado organizado para atrair a simpatia do público ao vice, Ricardo Ferraço, mas o samba tem atravessado no enredo dos servidores por valorização salarial. Ameaça forte de perder pontos. A outra escola hoje protagonista, de Pazola, se concentra no axé e “Viva Vitória, Viva Vila Velha, Viva Espírito Santo. Ainda precisa de mais criatividade e convencimento.
Conjunto
O trio Marcelo Santos (União), Da Vitória (PP) e Evair de Melo (PP), depois de muitos movimentos dúbios pela superfederação União Progressitsta (UP), ora para o lado de Casagrande, ora de Pazolini, protagonizaram o primeiro ato de alinhamento que pode mudar os rumos do Carnaval. Afinaram o conjunto para reagir à escola do governador, devido à decisão partidária de um integrante, Felipe Rigoni, que atrapalhou os planos da UP à Câmara Federal. Se o cenário permanecer, Casão terá mais um problema a resolver para se manter vivo na G.R.E.S Espírito Santo.

Evolução
Prefeito reeleito com ampla votação nas eleições de 2024, Euclério Sampaio (MBD) quer avançar de Cariacica para o Senado. Tem conversado com aliados e também integrantes de outras alas, para garantir a vitória na avenida de sua escola. Euclério vai de evangélicos e conservadores a alianças com partidos como o PSB, mas defende fidelidade aos parceiros políticos. Em tempos de reviravoltas e traições, quer levar o tema da “gratidão” e “lealdade” para a avenida, como já ensaia nas redes sociais. Resta saber se vai conseguir atrair o público e levar o desfile!

