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Quarta, 27 Janeiro 2021

Corpo fora

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Leonardo Sá

As eleições municipais deste ano bateram recordes de candidatos, com muitos concorrentes às prefeituras no Estado. Mas aí, veio o segundo turno em Vitória, Cariacica, Serra e Vila Velha, e a maioria deles..."sumiu"! O termo é usado aqui no sentido figurado, para comentar o festival de "tirar o corpo fora" registrado pelos candidatos derrotados no último dia 15. Tanto pelos mais votados, com amplo capital, como por outros que ficaram bem atrás na disputa, inclusive com votações inexpressivas. A maioria escolheu o caminho mais fácil de subir no muro e não se comprometer, anunciando "neutralidade". Foi assim em Vitória, com Fabrício Gandini (Cidadania) e seus 21,12% de votos (36 mil), negando apoio ao ex-prefeito João Coser (PT), embora tenha passado a campanha inteira em campo de guerra com o candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos), sem falar em mais um detalhe: a eleição do delegado ameaça o projeto do seu próprio grupo político em 2022, que vem a ser o mesmo do governador Renato Casagrande, que, por sua vez, adivinhe? Está com Coser só nas internas, também não vai "subir no palanque", como fez no primeiro turno. Na Serra, o terceiro colocado, Vandinho Leite (PSDB), com 16,87% dos votos (35,8 mil), também se furtou de participar do pleito entre o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e Fábio Duarte (Rede), o candidato do prefeito Audifax Barcelos. Já no município de Cariacica, os candidatos se omitiram menos de uma maneira geral, no entanto, o terceiro lugar, Subtenente Assis (PTB) - 11,48% - por seu perfil de extrema-direita, ficou impossível de casar com a petista Célia Tavares, e com o adversário dela, Euclério Sampaio (DEM), a quem fez acusações de ser comunista, pró-Casagrande e anti-Bolsonaro. Logo atrás dele em votos, o ex-deputado Sandro Locutor (Pros) - 10,66% - assumiu posição e está com o demista. E Vila Velha? De lá vem o único terceiro colocado que nunca demonstrou, desde o fim da primeira fase do pleito, cogitar não escolher um lado, o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD), que chegou a 19,31% dos votos. Ele fez live orientando seu eleitorado a votar em Arnaldinho Borgo (Podemos) contra o atual prefeito, Max Filho (PSDB), na máxima dita antes por ele à imprensa: "não sou detergente para ficar neutro". Mas, seus companheiros do "pacto de união por Vila Velha", deputados Dr. Hércules (MDB) e Rafael Favatto (Patri), até agora, nada! É reta final do segundo turno e já dá pra cravar: sobrou "detergente" nestas eleições!

Na mesma
Na Capital, também se disseram neutro Capitão Assumção (Patri), embora aliado de Pazolini e integrante do bolsonarismo; Sérgio Sá, do PSB, ex-secretário de Coser; Mazinho dos Anjos (PSD); e Coronel Nylton (Novo). No caso de Assumção, estratégia: Pazolini é o projeto bolsonarista que sobrou por aqui e o aliado do militar, Carlos Manato, já manifestou apoio ao delegado. A questão é que Pazolini esconde relações com o governo federal e com o ex-senador Magno Malta (PL).

Sem atraso
Já a vereadora Neuzinha de Oliveira (PSDB), que quase fechou chapa com o delegado, logo tomou partido. Assim como, do outro lado, de Coser, os candidatos dos partidos de esquerda, Psol e PCdoB, Gilbertinho Campos e Namy Chequer.

Mais votados
Os dois concorrentes conseguiram equilibrar os apoios dos vereadores mais votados em Vitória. Pazolini fechou com Denninho Silva (Cidadania), aliado de Gandini – mais uma contradição política – e Camila Valadão (Psol) com Coser. O primeiro recebeu 7,2 mil votos à Câmara e ela 5,6 mil.

Lamas - Xambinho
No município serrano, o deputado Bruno Lamas (PSB) foi outro que não se posicionou, apesar de conhecido aliado de Audifax, de quem inclusive esperava o apoio no primeiro turno, sem êxito, e tem ainda a mãe, Márcia Lamas (PSB), como vice-prefeita. Ele ficou em quinto lugar na disputa, atrás do também deputado, Alexandre Xambinho, que, pelo contrário, fechou apoio a Sérgio Vidigal.

Fora de cena
Em Vila Velha, além dos citados acima, estão neutros Coronel Vagner (PL), Amarildo Lovato (PSL), Rafael Primo (Rede) e Dalton Morais (Novo). Aliás...e o deputado Hudson Leal (Republicanos), hein?!

Peso
...sobre o apoio de Neucimar, Arnaldinho não fez alarde, mantendo o discurso de "aliança com o povo e combate à nova política". Mas a pesquisa Ibope/Rede Gazeta desse sábado (21) deixou claro que não dá pra desprezar: 71% dos eleitores de Neucimar devem migrar pra ele no segundo turno.

Nem assim
Por fim, Cariacica! Além dos cenários envolvendo Subtenente Assis e Locutor, ainda falta o posicionamento de Marcos Bruno (Rede), o quinto colocado na disputa, que nem depois do apoio a Célia Tavares anunciado pelo senador Fabiano Contarato, uma das principais lideranças do seu partido, "desembuchou". O Professor Saulo Andreon (PSB), como esperado, gravou vídeo em favor dela.

Tem mais
O candidato Dr. Helcio (PP) está com Euclério, assim como Dr. Heraldo Lemos, contrariando o próprio partido, PCdoB, alinhado ao palanque de Célia. Já Dr. Motta (DC) reclamou da decisão pela aliança da sua legenda feita sem consulta a ele, como apontou. O PSL, de Joel Costa, mesma coisa, está com Euclério, mas o próprio candidato, não!

Pois é...
A propósito, Dr. Hércules gravou vídeo para Euclério, mas do seu reduto eleitoral, mesmo...ah, vale lembrar: o deputado seria, até os 45 minutos do segundo tempo, o cabeça de chapa da aliança com Neucimar. Mas com Arnaldinho não "dá liga". Os dois eram do MDB, queriam a candidatura, e o vereador acabou saindo do partido. No final das contas, não teve palanque nenhum.

Salto petista
Na reta final do segundo turno, vamos aos caixas! A Nacional investe forte em Coser, dentro do projeto de reconquistar e espaços políticos, e injetou mais dinheiro, subindo para R$ 4,6 milhões. Pazolini, que chegou a ser o campeão em verba, alterou pouco e está com R$ 1,67 milhão.

Salto petista II
Célia Tavares também recebeu aporte do partido, passando para R$ 897,48%, bem acima de Euclério, com R$ 194 mil, embora tenha R$ 229,7 de despesas contratadas.

'Empate'
Na Serra, Vidigal também engordou o caixa, contando agora com R$ 1,47 milhão, praticamente um empate com seu opositor, Fábio Duarte, que tem R$ 1,2 milhão.

Estável
Na cidade canela-verdade, mesmo patamar de antes. Arnaldinho conta com R$ 44,5 mil e Max Filho com R$ 585,4 mil.

PENSAMENTO:
"É difícil libertar os tolos das amarras que eles veneram!". Voltaire

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