Ao contrário de sua vitrine eleitoral, Pazolini não ajuda e ainda atrapalha o Carnaval de rua

“Candidatíssismo” ao governo do Estado em outubro deste ano, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), se manteve no centro dos holofotes por quase todo o mês de janeiro na Arena de Verão montada na Praia de Camburi. Muitos shows, discursos, apertos de mão e contatos diretos com o eleitorado, que viraram também material nas redes sociais e…campanha! A programação acabou no último final de semana, mas ele quis mais: anunciou um pré-Carnaval neste domingo (1), com o cantor Tomate, de fora do Estado, com direito a trio elétrico, bem ao estilo do antigo Vital, que sempre foi a onda do prefeito. Só que esse “extra” pegou muito mal na área cultural, e não sem razão! É que Pazolini, como de péssimo costume, não garantiu até agora as condições necessárias para as saídas dos blocos de rua no Carnaval, que começa no próximo dia 13. Ao contrário do que faz em sua vitrine eleitoral, não destina investimentos, e desta vez impôs um modelo de patrocínio que impede parcerias diretas pelos blocos e abriu um edital, via Companhia de Desenvolvimento e Turismo de Vitória (CDTIV), que não cobre os custos de produção. Quer dizer, além de não ajudar, ainda atrapalha! O Blocão, que reúne os grupos do Centro de Vitória, veio a público protestar, e, sem uma medida rápida da prefeitura, aponta risco de os blocos não saírem. Com esse descaso anual, já há nos corredores quem defenda a mudança da festa para Vila Velha. Se fosse possível para este ano, jogando luz no prefeito Arnaldinho Borgo (a caminho do PSDB), Pazolini arrumaria tudo rapidinho, hein?!. Em tempo: o “extra” do Tomate ocorre no único final de semana que o festival Delírio Tropical, de Arnaldinho, reinaria sozinho e com blocos do Carnaval do Centro.
Termômetro
Os dois prefeitos, de perfis jovens e que vêm de vitória nas urnas, podem se enfrentar na disputa ao Palácio Anchieta, o que seria um teste e tanto para o termômetro da política capixaba. Pazolini está mais do que dentro, e Arnaldinho ainda não deu ainda sinais de desistência, apesar das turbulências com o grupo liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB).
Ações e reações
O conflito, como se sabe, tem a ver com a escolha do vice, Ricardo Ferraço (MDB), como o candidato à sucessão. No final do ano passado, ambos os lados demarcaram territórios. Arnaldinho se movimentou para comandar o PSDB sem conversas locais; Casagrande não gostou e antecipou o anúncio de apoio a Ricardo; e Arnaldinho reagiu de imediato. O clima ficou assim, o distanciamento também.
Agenda
Nesta quinta-feira (29), os dois se encontraram em evento da Associação das Câmaras Municipais e de Vereadores do Estado (Ascamves), realizado na Capital, chamado “café da manhã com os presidentes das câmaras”. Marcelo Santos (União), que comanda a Assembleia Legislativa e se movimenta à Câmara Federal, também estava por lá.
Passos adiante
O outro candidato ao governo colocado no tabuleiro é o deputado federal Helder Salomão (PT), para erguer palanque ao presidente Lula. Os dois ainda vão se encontrar pessoalmente para debater a candidatura, confirmada pela Nacional, mas Helder já vem espalhando seus mantras de campanha. Um deles é: “o Espírito Santo não quer retrocesso e não aceitará mais do mesmo”.
Insatisfações
Mais um capítulo do impasse consolidado entre os militares e a gestão de Casagrande: a Associação de Subtenentes e Sargentos do Estado (Asses) protocolou um ofício no governo cobrando a incorporação imediata aos salários da escala extra, para “corrigir distorções históricas”. Isso representa aumento de 5%.
Insatisfações II
A questão se soma a queixas de outras categorias, que vão voltar ao debate com o fim do recesso parlamentar, na próxima segunda-feira (2). Os servidores representados pelo Sindipúblicos voltaram às ruas esta semana e também seguem “pé da vida” com o governador – pedem há meses reestruturação de carreiras, e receberam uma proposta de apenas 4%.
Respingos
Os casos são apenas dois de muitos que devem estourar com mais ênfase em ano de eleição. Nada bom para Casagrande, que tem a missão de manter seu grupo no poder em uma disputa que se desenha acirrada. Como vai sair dessa – ou melhor, dessas! – é a pergunta que não quer calar.
Protocolar
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES), Davi Diniz, vai relatar a prestação de contas de 2025 do governador, processo que ocorrerá este ano. A próxima, de 2026, ficará sob responsabilidade de Domingos Taufner, decisão tomada na sessão dessa terça-feira (27), seguindo os critérios de rodízio e antiguidade. No geral, as contas têm passado sem o menor problema.
Nas redes
“Impedir que eu visite meu amigo Jair Bolsonaro é tentar criar um fato político que não existe. Moraes, somos milhões a ecoar a voz de Bolsonaro. Eu não recuarei. Vou continuar a luta, vou continuar orando. Não retrocederemos. Mas você e seus pares têm muito a explicar ao povo brasileiro”. Magno Malta, senador pelo PL, ignorando que tentou dar uma “carteirada” para entrar na Papudinha em Brasília – motivo da decisão.

