Ricardo assina manifesto contra aliança entre MDB e PT/Lula. E por aqui, como fica?

Governador do Estado a partir do próximo mês, como oficializado por Renato Casagrande, Ricardo Ferraço não quer saber do MDB na chapa do presidente Lula e defende a independência dos diretórios estaduais para a disputa de outubro deste ano. Ele assina um manifesto entregue ao presidente nacional da legenda, deputado federal Baleia Rossi (SP), nesta terça-feira (3), junto com dirigentes de outros 16 estados, formando maioria partidária. O teor do documento reitera carta elaborada há poucas semanas, forçando posição antecipada do partido diante das investidas para assumir a vice na chapa de reeleição de Lula. Conhecido e declaradamente antipetista, Ricardo mantém, assim, coerência com sua trajetória política, mas o fato não deixa de chamar atenção, considerando que o próprio PSB, de Casagrande, a quem pretende suceder e caminha lado a lado atrás dos votos, se posiciona em sentido contrário, sem falar que o PT ainda faz parte do governo do Estado e se mantém na base na Assembleia Legislativa. Esse desacerto ideológico Ricardo versus Casagrande foi, inclusive, o que obrigou os petistas a armarem candidatura própria no Estado para oferecer palanque ao presidente, tarefa entregue ao deputado federal Helder Salomão. Se Lula for eliminado da aliança, a movimentação do MDB, hoje, considera caminhar com o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou Ratinho Júnior (PSD), situados no campo da oposição no quadro estadual, o que pode colocar Ricardo Ferraço na condição de neutralidade, sabe-se lá a que custo diante do eleitorado em tempos de forte polarização. Ou, mais para frente, já sentado na cadeira de governador, assumiria, declaradamente, um candidato da direita? E Casagrande, pré-candidato ao Senado, vai seguir o PSB ou ficará, mais uma vez, “em cima do muro”? Que emaranhado, hein?!
Marcas
O vice-governador do Estado, como se sabe, tem origem no empresariado, votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, e ficou marcado por medidas contra os trabalhadores. A última vez que o MDB fechou apoio formal ao PT foi justamente nesse período de Dilma, com Michel Temer como vice, quem veio depois a assumir a Presidência da República.
Configuração alterada
Sobre os atuais deputados estaduais do PT, João Coser e Iriny Lopes, mudariam a postura adotada em plenário com Ricardo Ferraço no comando do Palácio Anchieta e com ações antipetistas? A situação é uma “sinuca de bico”, considerando os outros atores principais: os prefeitos de Vitória e Vila Velha, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Arnaldinho Borgo, e talvez, quem sabe, o senador Magno Malta (PL).
Avanços
A propósito, com a oficialização de Casagrande, nessa segunda-feira (2), avança o jogo do Senado no Estado. Nessa área, a pergunta que não quer calar volta à tona: quem assumirá a segunda vaga? A lista segue a mesma há meses, mas ganhou um elemento novo recentemente…
Avanços II
…trata-se do convite feito por Ricardo Ferraço ao deputado estadual Sérgio Meneguelli (Republicanos) para se filiar ao MDB e disputar a vaga que tanto sonha. O deputado, campeão de votos à Assembleia em 2022, tenta se garantir no bloco da oposição, puxado por Pazolini e Arnaldinho, com Paulo Hartung (PSD) também na área, mas as definições por essas bandas estão cada vez mais complicadas.
Avanços III
Do lado da situação, os nomes são do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB); do deputado federal Da Vitória (PP), no comando da UP, que depois de idas e vindas, vai declarar apoio formal a Ricardo; e da senadora Rose de Freitas (MDB). Com Serginho no MDB, Euclério e Rose já ficariam de fora. No PP, embora Da Vitória tenha se colocado inicialmente, puxou o freio, e seu partido tem como prioridade a eleição à Câmara Federal.
Na mira
Como esperado, a oposição não vai deixar passar em branco a investigação aberta contra Casagrande pela Polícia Federal que tem como foco conversas com o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que está preso desde dezembro. E não se resume a discursos em legislativos e redes sociais. O deputado estadual Callegari (DC), também pré-candidato ao Senado, protocolou representações que pedem o afastamento do cargo do governador.
Na mira II
A documentação foi enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), à Procuradoria-Geral da República e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Callegari pede a instauração de inquérito para apurar “crimes de corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação e obstrução de Justiça”.
Na mira III
Casagrande é acusado de pedir favor em ação judicial envolvendo seu aliado, o ex-prefeito de Montanha André Sampaio (PSB). O jornal Folha de São Paulo, na sequência, ligou a destituição do delegado Romualdo Gianordoli da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança à identificação de conversas suspeitas entre Macário e o empresário Adilson Ferreira, investigado no âmbito da Operação Baest, que apurou o braço financeiro do crime organizado no Estado.
Respostas
No caso de Macário, Casagrande afirmou que a conversa foi “institucional e republicana, e no intuito de agilizar a tramitação do processo para encerrar uma indefinição jurídica e política em que se encontrava o município naquele momento de período pré-eleitoral. Sobre o delegado, o governo alega que ele foi destituído por atuar num “centro paralelo” de investigações, sem conhecimento do comando da Sesp.
Nas redes
“(…) Agora é arregaçar as mangas e, como diz o ditado popular, mãos à obra para manter o trabalho, o rumo e o ritmo (…)”. Ricardo Ferraço e parte do discurso feito após anúncio de que assumirá o governo no próximo mês.

